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Madame Clicquot, uma mulher inspiradora em tempos difíceis

A grande dama de Champagne tornou-se uma mulher de negócios no meio das Guerras Napoleónicas. Hoje, as caves da maison com o seu nome recebem até 30 mil visitantes todos os anos.
Por Aline Fernandez, 21.05.2020

Como reinventar-se em tempos difíceis? Muito antes da pandemia do novo coronavírus e das mulheres terem a oportunidade de trabalhar e viver de maneira independente, Barbe-Nicole Clicquot-Ponsardin ficou viúva com apenas 27 anos. A francesa que se tornou la grande dame de Champagne atreveu-se a assumir o comando da empresa familiar, em 1805, no meio das Guerras Napoleónicas, tornando-se assim a primeira mulher de negócios em França.

Madame Clicquot transformou-se em Veuve Clicquot, a viúva mais famosa do mundo devido ao seu champagne. Os rótulos amarelos criados no século XIX são, ainda hoje, um símbolo distintivo da marca. Além da garrafa, o conteúdo foi criado com um processo inovador — usado até aos dias de hoje — e seguindo uma única determinação de Barbe-Nicole: "Apenas uma qualidade, a primeiríssima."

O processo chamado Mesa de Remuage, utilizado para tirar as leveduras mortas e obter um vinho claro como cristal, foi criado em 1816, sob o comando da viúva Clicquot, e é usado até aos dias de hoje. Dois anos mais tarde, também foi ela quem criou o primeiro champagne rosé de Assemblage — mistura de vinhos base brancos e tintos da região de Champagne. Fundada em 1772 em Reims, França, a Maison Veuve Clicquot mantém a sua notável gama de champagnes, incluindo o icónico Yellow Label, e tornou-se um ponto turístico, que recebe cerca de 30 mil visitantes por ano às suas caves vindos de todo o mundo.

Maison Veuve Clicquot
A Maison Veuve Clicquot em Reims, França, recebe cerca de 30 mil visitantes por ano

A região de Champagne é extremamente pequena dentro de França, e a área total de vinhedos equivale a 35.280 hectares. A produção do champagne é muito limitada em relação aos vinhos — se a produção de vinho global regista mais de 2600 milhões de caixas (que equivale a nove litros cada), os vinhos espumantes representam 10% desse cenário e o champagne apenas 1%.

A bebida é tão distinta dos demais espumantes por quatro razões determinantes. Primeiro, devido à origem, na região francesa com seu solo calcário muito específico. Depois, pelo método tradicional único para a criação de borbulhas. Este tipo de vinho possui uma combinação de uma grande variedade de vinhos base de Pinot Noir, Chardonnay e Meunier, todos da região de Champagne. E, por fim, passa por uma longa maturação dentro das garrafas, nas adegas. No caso da Veuve Clicquot são três anos de envelhecimento.

Veuve Clicquot Yellow Label
A tulipa ou então uma simples taça de vinho branco são as melhores opções para beber o champagne

Sabia que o melhor copo não é a flûte?

Desde sempre que se associa o champagne à flûte, mas há especialistas que dizem que a tulipa ou então uma simples taça de vinho branco são as melhores opções. O copo em formato tulipa é suficientemente estreito na base, assim tem uma boa coluna de líquido, perfeita para observar o caminho das borbulhas, e também é suficientemente largo no corpo para deixar o vinho respirar e desenvolver toda a sua complexidade, sendo ligeiramente fechado na boca para concentrar os aromas, ao mesmo tempo que permite colocar o nariz ligeiramente dentro do copo ao beber. Quando um espumante tem complexidade, a melhor opção é usar taças de vinho branco para deixar que os aromas se expressem. No caso dos espumantes simples podem continuar a serem servidos em flûte, pois a taça mantém o vinho gelado por mais tempo.

Como melhor servir

A garrafa deve estar fria, mas não demasiado — idealmente entre os 8 e os 10º. Pode pô-la numa champanheira com gelo ou no frigorífico por 20 a 30 minutos antes de servir. Se por acaso não consumir tudo, pode conservar o restante na garrafa com uma rolha de pressão durante dois ou três dias ou com uma rolha de cortiça durante um a dois dias.

Tags: champagne champanhe espumante veuve clicquot viúva madame dame barbe-nicole clicquot-ponsardin flûte vinho
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