Fitness & Nutrição

O que acontece ao corpo quando eliminamos os hidratos de carbono

A nutricionista Mariana Abecasis esclarece alguns mitos por trás das dietas restritivas. A salientar: a perda de peso não é garantida.
Por Pureza Fleming, 25.03.2019

Eliminar um grupo alimentar de forma radical nunca é aconselhável, a não ser que haja uma indicação médica específica. Contudo, não é o que temos vindo a assistir, principalmente no que toca aos hidratos de carbono. Com uma reputação cada vez pior, estes têm sido apontados como os principais responsáveis pelo aumento de peso. Acontece que a existência dos hidratos na roda alimentar não surge por acaso e também eles desempenham um papel vital no funcionamento do corpo. Com a ajuda da nutricionista Mariana Abecassis desvendamos algumas verdades que deverá conhecer antes de os eliminar da sua dieta.

Pode perder peso

Acontece que o que se está a perder, quando se faz esta restrição, é massa magra que, por sua vez, é constituída por água e massa muscular. "O ideal de uma dieta é que se perca massa gorda. As restrições muito violentas levam sempre a um emagrecimento rápido que nunca é o objetivo final de uma dieta", explica a nutricionista.

Mas também pode ganhar

A perda de massa magra (água e massa muscular) está geralmente associada a uma recuperação de peso mais rápida. "Neste estilo de dietas restritas, há uma perda de peso no lugar do emagrecimento", esclarece. Além disso, há uma tendência, por parte de quem adere a estas dietas, de substituir os hidratos por alimentos gordos, como abacate, nozes ou queijos, que, ainda que constituam gorduras saudáveis, são mais ricos em calorias que os hidratos, provocando assim um aumento de peso.

É possível que fique com prisão de ventre

"Ainda que os legumes sejam ricos em fibra, os hidratos dão mais volume às fezes, por isso retirá-los irá provocar uma redução da velocidade das fezes", esclarece Mariana. E acrescenta: "O excesso proteico pode, igualmente, contribuir para uma certa obstipação."

Poderá sentir-se mais cansada que o normal

Dores de cabeça, cansaço físico e mental e, em casos extremos, desmaios. O cérebro alimenta-se dos açúcares dos hidratos, sendo que ao eliminá-los este entra numa espécie de falência. "É um tipo de dieta que implica sempre um esforço cerebral", assevera a nutricionista.

É provável que fique com mau hálito

"Não se trata do mau hálito causado por uma má higiene oral ou derivado de problemas gástricos", esclarece. O que acontece é que ao cortar radicalmente com hidratos (ou mesmo ao fazer jejum) o corpo entra em cetose. Isto é, entra num estado metabólico no qual o organismo obtém energia não da glicose (que seria o funcionamento mais comum do corpo, chamado glicólise) mas sim de moléculas denominadas corpos cetónicos, produzidos pelo fígado. O mau hálito associado a estes casos é o cheiro típico de cetose.

Terá (mesmo) menos fome?

Para Mariana Abecassis, esta é uma questão controversa. "Se por um lado a proteína oferece efetivamente mais saciedade, por outro acaba por desequilibrá-la. Ou seja, melhorando a saciedade, piora a fome mental (geralmente, aquela que nos faz comer)."

Nem sempre diminui os diabetes

É sabido que os diabéticos devem ter uma redução de hidratos na sua dieta, mas um corte radical pode causar um desequilíbrio do organismo.

A vontade de comer açúcar aumenta

Ao cortar com o açúcar dos hidratos o cérebro começa a sentir falta deste refugiando-se, assim, nos açúcares simples (guloseimas, bolos, pão branco, etc.) para compensar a restrição.

É possível que fique com queda de cabelo

Se for uma restrição muito alargada no tempo, é natural que o cabelo se comece a ressentir. "Isto acontece em tudo o que sejam dietas muito restritivas e radicais não só pela falta de vitaminas e minerais mas porque há uma restrição energética que faz com que o corpo tenha de optar na hora de decidir para onde irá canalizar a (pouca) energia. Naturalmente, as funções secundárias passam para segundo plano."

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