Fitness & Nutrição

Como a menopausa pode afetar o seu corpo

Tomámos nota de como o corpo reage no que diz respeito às hormonas, coração, nutrição e ainda sexualmente.
Por Aline Fernandez, 18.10.2019

Ao longo da vida, há duas frases que as mulheres ouvem quando estão irritadas e que nunca deveriam ouvir. Se são jovens e se exaltam por algum motivo é porque "devem estar com o período". As mais maduras que estiverem de mau humor "deve ser por causa da menopausa". Ouvir constantemente tais insinuações, além de irritarem ainda mais, contribuem negativamente ao transformar processos naturais em momentos depreciativos.

No dia 18 de outubro celebra-se o Dia da Menopausa, um tema ainda tabu na nossa sociedade, apesar de ser uma fase absolutamente natural pela qual a mulher passa e, com a esperança média de vida a aumentar cada vez mais – agora deveremos chegar aos 83 anos – é um período que ocupará mais de um terço da vida das mulheres.

"Estima-se que 4% da população feminina procure acompanhamento técnico durante a menopausa. Em Portugal, o assunto ainda é tabu e não pode ser", alerta Jorge Sucena, brand-manager da Vichy, a citar indicadores da Sociedade Portuguesa de Ginecologia. Ou seja, está mais do que na hora de compreendermos melhor os seus sintomas e como eles nos podem afetar. Mas, principalmente, está na hora de ver o lado positivo do amadurecimento que o corpo conquista.

Primeiro: a menopausa não é uma doença

É uma situação fisiológica. Geralmente ocorre entre os 45 e os 55 anos – a idade está relacionada com vários factores genéticos. "Não é uma fase pior, é outra fase", lembra Fernanda Geraldes, presidente da Seção de Menopausa da Sociedade Portuguesa de Ginecologia. A ginecologista explicou ainda que cerca de 70% das mulheres têm sintomas relacionados com a menopausa, mas há 30% que "passam tranquilamente" pela mesma. Fernanda reforça o papel importante dos médicos no que diz respeito às perguntas sobre secura vaginal e dores nas relações, comuns a essa situação. "As mulheres espontaneamente não falam sobre esse assunto."

Os sintomas que afetam o bem-estar

Os mais comuns são os calores e afrontamentos (segundo a mesma pesquisa da SPG 80% das pessoas sente vagas de calor que sobem, a começar no peito e avançando em direção à cabeça. O rosto fica avermelhado, como se escaldasse, e também podem surgir manchas vermelhas no peito, no pescoço e nos braços. Além do sintoma mais comum, 66% têm alterações do sono, 24% dor nas relações sexuais e 23% redução do desejo sexual. Há as alterações de humor, dores osteoarticulares e sintomas génito-urinários.

Prevenção

Exercício físico regular e alimentação saudável são, como em todos os casos, essenciais. Uma mulher que tenha uma rotina adequada pode passar pelas transformações hormonais sem nenhum sintoma, sendo o próprio organismo responsável pelo equilíbrio das taxas de hormonas.

O lado meio cheio da taça

É quase raro ouvir os lados positivos da menopausa, por isso vamos destacá-los. Não haver menstruação, a impossibilidade de engravidar pode ser libertadora para muitas mulheres nas relações sexuais e, claro, conquistar finalmente o amadurecimento. Aprender o que quer e não quer e saber dizer não faz bem.

Os cuidados com o coração

Na menopausa aumenta-se o risco cardio e cerebrovascular e a circunferência abdominal, que conduz a preocupações de risco. "A atividade física é muito importante e hábitos simples do dia a dia podem ajudar a resultar", explica André Viveiros Monteiro, médico cardiologista da Sociedade Portuguesa de Cardiologia, citando exercícios como uma brincadeira com os filhos ou crianças dos amigos, trocar o elevador por escadas, andar de bicicleta e até sair na paragem anteror do autocarro.

As alterações na pele

Entre as várias alterações, há a redução do colagénio (estima-se 2% ao ano), o que deixa a pele mais fina e menos elástica, contribuindo para o aparecimento de rugas e flacidez. Há ainda alterações da pigmentação e acne. "Se até aí ainda não existiam, agora é preciso ter cuidados diários com a pele", alerta Manuela Paçô, dermatologista do Hospital Lusíadas, em Lisboa. "A menopausa é um fator que acelera o envelhecimento da pele. É inevitável e não há com que desesperar", completa Manuela, lembrando os imensos produtos de qualidade que existem no mercado, assim como tratamentos e cirurgias estéticas disponíveis. "Uma referência que faço é sempre esta: não se faz um branqueamento nos dentes e depois se deixa de os escovar todos os dias." Ou seja, com a pele é a mesma coisa, não adianta fazer um procedimento cirúrgico a acreditar que é a solução eterna se não cuidar diariamente da tez.

Ir contra o ritmo do metabolismo

As mudanças hormonais influenciam na distribuição de gordura corporal, sendo o momento ideal para adaptar a dieta. "Oitenta e oito porcento da população portuguesa não segue a dieta mediterrânica, ou seja, na teoria é muito bonito, mas na prática não comemos as hortícolas necessárias", destaca Conceição Calhau, presidente do Conselho Jurisdicional da Ordem dos Nutricionistas e professora da Nova Medical School. A médica especialista em metabolismo reforça ainda que "o ADN não é o nosso destino e sim o nosso estilo de vida" e que nos alimentos não são tanto as calorias que importam, "são os nutrientes", reitera.

Conceição partilhou um truque a ter em mente todos os dias para ajudar. A "fórmula" da saúde foi proposta no editorial American Family Physician sob o título Preventive Health: Time for Change, ou seja, Saúde Preventiva: Hora da Mudança, de Colin Kopes-Kerr.

0 = cigarros por dia.
5 = frutas ou vegetais por dia.
10 = minutos de silêncio, relaxamento, prece ou meditação diária.
30 = mantenha o seu Índice de Massa Corporal abaixo dos 30 (o peso dividido pela altura ao quadrado deve dar entre 18,5 a 24,9)
150 = minutos de exercício físico por semana.

Melhore a vida sexual

Além da secura vaginal e dores nas relações, como já comentado, há o fator emocional. "Muitas vezes, nas mulheres que são mães, a menopausa coincide com a altura em que os filhos ficam mais autónomos e saem de casa. Então o casal acaba por olhar um para o outro e perceber que já não está apaixonado", comentou Joana Almeida, psicóloga da Sociedade Portuguesa de Sexologia Clínica. Contudo poder ser o primeiro passo para olhar para a menopausa como uma nova etapa a nível sexual. Numa fase como esta, a atitude é determinante. "Temos um papel importante de mudar a mentalidade e questionar como estamos a olhar para nós mesmas. Porquê essa negatividade tão grande face às mulheres?", questiona Joana. Cuide da sua autoestima e aproveite para explorar diferentes formas de prazer.

Não salte os comprimidos e nunca se automedique

Segundo um inquérito nacional realizado em maio de 2018 pela Sociedade Portuguesa de Ginecologia, que envolveu mulheres entre os 45 e os 60 anos, 85% destas procura de informação sobre a menopausa acontece junto do médico de família, 35% do ginecologista, 30% do farmacêutico e 28% na Internet. "Temos uma responsabilidade acrescida ao informar sobre a importância da adesão terapêutica", lembra Ema Paulino, farmacêutica da Direção Nacional da Ordem dos Farmacêuticos, referindo-se à responsabilidade de intervenção em relação às utentes que se dirigem às farmácias e levam os medicamentos para atenuar os sintomas da menopausa.

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Conferência Mulheres Sem Pausa

♦ As declarações dos especialistas foram reunidas na conferência Mulheres Sem Pausa, organizada pelos Laboratórios Vichy no dia 15 de outubro, pela primeira vez em Portugal, no Centro Cultural de Belém. Ao fim do encontro, Sandro Cardoso, Diretor Geral da L’Oréal Cosmética Ativa, anunciou a criação do novo portal vichy.pt/menopausa, uma plataforma colaborativa onde pode encontrar informação e conselhos.

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