Bem Estar

10 tendências do Fitness

O Zumba já deu o que tinha a dar. Pilates perde popularidade. Mas Yoga e exercícios com o peso do corpo mantêm-se no ranking das atividades a marcar terreno nos ginásios do mundo inteiro. Há ainda outras surpresas emergentes: ‘gatinhar’ é uma delas e promete aliviar muitas dores de costas.
Por Máxima, 17.04.2017
Há dez anos, quando foram publicadas as primeiras grandes tendências para o fitness no mundo inteiro, por aquela que é considerada a entidade mais competente na matéria, o American College of Sports Medicine (ACSM), o número 1 da lista foi encarado com surpresa. Num ano em que os especialistas em exercício e saúde repetiam conceitos como wellness e mind&body, justificado pela popularidade das aulas de yoga, pilates e tai-chi, o inquérito de tendências colocou em primeiro lugar os programas de treino para crianças com excesso de peso e obesidade. O problema, já reconhecido na altura como "epidemia", atraiu as atenções dos profissionais do sector do fitness para a importância de continuar a desenvolver e a oferecer planos de exercício para os mais novos e respetivas famílias. Mas seria "sol de pouca dura"… Porque desde então a aparente tendência tem vindo a escorregar pelo ranking abaixo (os programas de treino para crianças com excesso de peso estão agora em 28.º lugar, num total de 42, na lista para 2017), o que para a equipa responsável por este inquérito internacional "é uma enorme desilusão". Mais resilientes têm sido o treino de força e o treino com profissionais credenciados/experientes na área, duas situações que há praticamente uma década fazem jus ao nome tendência (mudança de comportamento), afastando-se daquilo a que o grupo de peritos do ACSM chama de moda ? modalidades que, com o tempo, vêm a confirmar um entusiasmo de curto prazo, e que poderá ser o caso de Zumba ou Boot Camp, pela rapidez com que entram e saem deste relatório. É também com base nele, mais precisamente nas respostas e opinião dos 1801 profissionais do sector espalhados pelo mundo inteiro, que a Máxima partilha 15 tendências a seguir com atenção nos próximos tempos.

1. Treino personalizado 

Desde o primeiro ano em que foi publicado o inquérito internacional do ACSM (2006) que o personal training se mantém no top 10. Contar com a ajuda de um PT é meio caminho andado para obter mais e melhores resultados em menos tempo. E é isso que mostram todos os dias Gunnar Peterson (PT de Kim Kardashian, Sofia Vergara),  Harley Pasternack (PT de Lady Gaga, Jessica Simpson) ou Tracy Anderson (Madonna, Gwyneth Paltrow). Os benefícios compensam os custos e por isso treinar com um PT deixou na verdade de ser um luxo de celebridade. Pessoas de vários níveis económicos procuram ajuda especializada para manter o peso, estabelecer metas reais de treino, aprender a treinar sem correr riscos de lesões, aprender novas técnicas e, sobretudo, deixar de perder tempo. Pedro Correia deixa porém um ‘mas’: "Cada vez mais as pessoas procuram o serviço de personal trainer, mas se os responsáveis não sabem aquilo que estão a fazer, então a caminhada pode ser desastrosa. Hoje em dia temos centenas de pessoas/bloggers que dão conselhos de treino e nutrição e que não têm qualquer tipo de formação ou certificação (…) e as pessoas infelizmente, em vez de procurarem alguém licenciado ou certificado, limitam-se a seguir esses exemplos", lamenta. 

2. Treino com o peso corporal 

Não é necessariamente melhor do que o treino com máquinas. Mas tem as suas vantagens. É mais prático (pode fazer em casa) e trabalha o corpo de forma distinta e mais abrangente: enquanto os equipamentos têm a tendência em isolar um grupo muscular, os movimentos que usam o peso do corpo trabalham vários músculos em simultâneo. Vamos à prática no colchão: quando fazemos flexões, não estamos apenas a trabalhar os braços mas também o peito, o core, os abdominais e os glúteos. É um treino eficaz e embora esteja no topo das tendências do fitness internacional desde 2013, é uma opção que se pratica há séculos, como forma de treino de resistência. 

3. Yoga

Os especialistas na área acreditam que o yoga mantém a popularidade graças à sua forte capacidade de reinvenção: Asthanga Yoga, Vinyasa Yoga, Kundalini Yoga, Bikram Yoga, Power Yoga… Mas o artigo da Universidade de Harvard, Yoga – além do colchão, ajuda-nos a identificar outra explicação: "Para muita gente, as aulas de yoga são um retiro das suas caóticas e ocupadas vidas. E isto tanto é válido quando praticamos uma postura no colchão, no nosso quarto, como num templo budista na Índia ou em Times Square, Nova Iorque." Estilos à parte, os praticantes de yoga, refere a publicação de Harvard, têm um maior controlo sob o peso, apresentam melhores capacidades de fitness (força muscular, endurance, flexibilidade) e desfrutam de mais benefícios cardíacos (colesterol, pressão arterial, etc.).

4. Exercício é Medicina

Um dos tendões de Aquiles da Medicina está na ordem do dia e deu lugar a uma iniciativa global de saúde que tem como missão encorajar os técnicos de saúde a incorporar o exercício nos seus planos de tratamento. O movimento parte da certeza de que o exercício pode prevenir várias doenças. E, na verdade, basta passar os olhos pelos estudos científicos que revelam o impacto positivo no exercício na diminuição do risco de diabetes tipo 2, asma, artrite, doença cardíaca e até ‘simples’ constipações e gripes. "Esta tendência é talvez de todas a que poderá vir a ser a mais importante na aquisição de hábitos de vida saudável, se conseguirmos criar uma sinergia com a comunidade médica em Portugal, no que diz respeito à prevenção de doenças através da prática de exercício físico", refere o especialista Pedro Correia. 

5. Treino com tecnologia 

É a forte tendência no fitness apontada pelo ACSM. Os acessórios de treino não são necessariamente novos, estão é mais sofisticados. Falamos de wearable technology, ou seja, de gadgets como smart glasses (óculos inteligentes) que permitem ver muito além do treino real: os Solospor exemplo, foram concebidos para serem os melhores amigos do ciclista. Já utilizados por uma equipa americana de alta competição de ciclismo, comunicam dados (velocidade, frequência cardíaca, níveis de energia) em tempo real e são compatíveis com Bluetooth e com apps de navegação, possibilitando assim mostrar mapas e o percurso realizado. Analistas de mercado também preveem bons indicadores para os Apple iWatch: a partir de €350, estes "relógios" monitorizam a atividade do dia a dia, o ritmo cardíaco, os movimentos com precisão, contabilizam gastos calóricos e permitem responder a mensagens, usando a voz, de forma a que não precise de interromper o treino. O séries 2 já tem GPS integrado, resistência à água até 50 metros, apps integradas (app respirar é uma delas), entre outras funcionalidades que ajudam a manter a atividade e a motivação. Além de que o processador dual-core é muito mais rápido. As novas tecnologias aceleram o passo. Mas ainda estão longe da consensualidade. "A nova tecnologia aplicada ao fitness catalisa a motivação individual, para que os utilizadores registem a atividade física diária, se superem e evoluam, sentindo-se acompanhados por um coach virtual", refere o personal trainer Pedro Medeiros. Mas acrescenta o alerta: "Devem porém ser utilizadas com segurança e adequadas a cada indivíduo, de braço dado com o respetivo aconselhamento médico ou de profissionais com competências nesta área da atividade física." A mesma opinião é partilhada com o personal trainer Pedro Correia, que embora concorde com a tendência, discorda da posição de liderança que ocupa: "O primeiro lugar está mal atribuído. A tecnologia pode ajudar, e muito, a prática de atividade física, e sem dúvida que melhora a prestação, mas deve servir como incentivo ou ajuda, não como uma das maiores tendências do fitness." Para Pedro Correia, licenciado em Educação Física e que, entre outros marcos no currículo, já estagiou com José Mourinho, "em primeiro lugar da lista devem estar métodos de treino ou conceitos, nunca acessórios". 

6. High-Intensity Interval Training

Os picos de exaustão colocam muitas dúvidas: há quem alegue um risco elevado de lesões e alguns especialistas tendem a substituir "alta intensidade" por "intensidade moderada". Ainda assim, estas sessões que intercalam breves picos de treino à exaustão com curtos períodos de recuperação continuam em alta, não sendo de desvalorizar a ajuda de adeptos como Hugh Jackman e Nicole Richie. O ator e a apresentadora são fãs de Funcional 45, uma modalidade que na verdade não passa de HIIT: 45 segundos de exercício intenso, seguidos de 15 segundos de descanso num circuito total de 45 minutos. Excelente opção para queimar gordura, perder peso e manter músculo. 

7. Gatinhar é o que está a dar 

Em Inglaterra, gatinhar é a nova tendência: "Tem muitos benefícios. É um movimento isométrico, o que significa que estamos a trabalhar intensamente para manter a posição sobre tensão. Isto contribui não só para a força geral como também para a endurance e estabilidade do core (…). Há ainda pesquisa a sugerir que gatinhar pode melhorar os níveis de pressão arterial e ser benéfico para as costas", explicou ao The Independent a personal trainer Ashley Hunt, do Balance Festival, o evento fitness onde surgiu esta tendência.     

8. Treino de força 

Como dizem os americanos, use it or lose it e a expressão encaixa que nem luva no exemplo da massa muscular. Quando não trabalhamos a massa muscular (com treino de força!), ela desaparece com a idade, o que se reflete em perda de força, aumento de quedas, fraturas e diminuição da qualidade de vida. O treino de força, que é geralmente feito com recurso a pesos, ainda é um dos motivos que atrai sócios aos clubes. Sócios que também querem perder peso ou que – é necessário sublinhar – estão em trabalho de recuperação cardiovascular, em tratamento de artrite, diabetes, entre outras situações crónicas nas quais o treino de força pode fazer diferença. 

9. Aulas de grupo

O principal segredo destas aulas – da aeróbica às aulas de bicicleta – é que continuam a ser eficazes para um grupo de pessoas com diferentes níveis de atividade física, independentemente da idade ou resistência. 

10. Nos ginásios portugueses...

Enquanto personal trainer numa das maiores cadeias de ginásios em Portugal, Pedro Medeiros prevê "um grande desenvolvimento e procura de treinos específicos para seniores. A população está a envelhecer. Mas os ‘novos idosos’ da atualidade, a juventude dos 60, valorizam a atividade física para ter uma vida mais longa, com saúde, energia e qualidade de vida". Pedro destaca ainda aulas de relaxamento face às profissões exigentes associadas ao stress.
Já Pedro Correia deu recentemente mais um passo na sua carreira de fitness e, além de personal trainer, tornou-se empresário ao abrir o seu próprio clube, uma iniciativa que nasce precisamente das suas convicções quanto ao futuro do fitness: "A tendência será as pessoas procurarem espaços mais reservados em que possam treinar de forma descansada e privada e onde o staff consegue assegurar a dedicação e bem-estar que muitas vezes falta nos grandes espaços." Pedro Correia revela que, em termos de modalidades, 2017 será um ano de crescimento para o treino outdoor, a corrida, a saúde e bem-estar, correção postural, team training e acompanhamento à distância.  


Por Paula Cristóvão Santos

*Originalmente publicado na edição de abril da Máxima (nº 343)
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