Comportamento

Já é possível prever a altura do seu filho quando crescer

Pesquisadores chegaram a uma equação e a um gráfico simples, que relacionam a altura das crianças com o seu possível crescimento em adultos.
Por Aline Fernandez, 28.02.2020

A altura aos 2 anos multiplicada por 2. Quem nunca ouviu a tal regra 2 x 2 de que se fala nas reuniões de família com crianças ou nos encontros de mães nas creches? Mas será mesmo essa uma boa maneira de prever a altura do seu filho?

Essa tarefa nunca foi a mais simples para os pesquisadores, por motivos óbvios: prever a altura do adulto a partir da altura da criança exige que os envolvidos sejam analisados quando pequenos e depois mais velhos. A recolha de dados relevantes é um trabalho árduo e a maioria das vezes em que até hoje foi realizada implicou estudos longitudinais relativamente pequenos. Uma investigação mais antiga sobre a altura, publicada em 1946 pela psicóloga Nancy Bayley, contou com dados de algumas centenas de crianças recolhidos pela sua clínica na Califórnia e pelo Harvard Growth Study, de 1922 a 1935.

Os sucessores analisaram amostras comparativamente pequenas, sendo que a maioria dos estudos relevantes também produziu resultados semelhantes. Em vez de depender apenas da idade da criança, foi possível incorporar informações de raios X para identificar o crescimento esquelético. Quanto mais desenvolvido o esqueleto, menos crescimento futuro é esperado. Porém, os médicos em geral não fazem essa medição a menos que tenham uma preocupação clínica específica.

Portanto, como converter os dados levantados numa fórmula preditiva simples? No artigo científico Um gráfico para prever a altura do adulto a partir da altura atual de uma criança, de Tim Cole e Charlotte Wright, os pesquisadores analisaram dados para criar uma equação que o tentasse fazer. O gráfico mostra a correlação entre a altura da criança em várias idades e a altura do adulto.

A menor correlação é vista ao nascimento. Ao tentar prever a altura em adulto com o comprimento do bebé a média é de 0,4 (num total de 1) de correspondência, o que significa que apenas 16% da variação na altura do adulto pode ser explicada pelo conhecimento da altura ao nascer (16% = 0,4²).

Lembra-se da tal regra 2 x 2? Pois bem, a altura média aos 2 anos é, de facto, cerca da metade da altura média do adulto, com uma correlação de cerca de 0,75 para meninos e 0,65 para meninas. Mas é aos 4 anos de idade que a conexão é a mais alta, cerca de 0,8 para meninos e 0,66 para meninas. Ou seja, cerca de 64% da variação na altura do adulto é conhecida na altura dos meninos aos 4 anos, por exemplo. As crianças que são altas nessa altura provavelmente serão altas na idade adulta.

Contudo a correlação não é perfeita e mesmo no ponto mais preditivo da infância, aos 4 anos, ainda há um grande intervalo de centímetros em questão. Repare que a imprecisão cai bastante no início da adolescência, entre os 12 e os 14 anos, porque a puberdade muda a altura das crianças altas a curto prazo. Teste aqui a calculadora de previsão de altura.

Tags: altura criança crescimento
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