Culturas

“Precisámos de manter o som original dos Slowdive mas não queríamos ser nostálgicos”

Rachel e Christian, da banda inglesa Slowdive, falam à Máxima sobre a magia de Paredes de Coura numa entrevista nos bastidores do palco principal do festival.
Por Rita Silva Avelar, 21.08.2018

Quando, em 1989, Rachel Goswell e Nick Chaplin (na altura namorados) decidiram formar uma banda de rock e começar a tocar nos clubes de Reading (Berkshire, Inglaterra) estavam longe de adivinhar que, anos depois, a imprensa inglesa os colocaria num pedestal. Depois de lançarem os aclamados álbuns Just for a Day (1991), Souvlaki (1993) e Pygmalion (1995), a pressão sobre estes miúdos adolescentes foi crucial e a necessidade de seguirem percursos musicais diferentes acabou por ditar o fim dos Slowdive.

Mas estavam destinados a um final feliz. Quase três décadas depois de começarem a banda e vinte anos depois de terminarem o projeto, os Slowdive ergueram-se de novo, em 2014. Três anos depois, em 2017, lançam o álbum Slowdive que recuperou não só o revivalismo e a nostalgia da banda, como a inovação e sofisticação de quem quer criar algo novo. Hoje composto por Rachel Goswell, Nick Chaplin, Christian Savill, Neil Halstead e Simon Scott, o grupo atuou no terceiro dia do festival Vodafone Paredes de Coura. Rachel e Christian conversaram com a Máxima nos bastidores do palco, horas antes desse momento.

Rachel e Christian, como se recordam dos primeiros tempos da banda dos anos noventa?

Christian: Eramos apenas amigos que queriam fazer música juntos. Tínhamos gostos similares, e só queríamos rir, passar um bom momento e tocar em sítios diferentes. 

Rachel: Não me lembro assim tanto dessa altura, desses primeiros momentos. Foi há tanto tempo.

Já sabiam que queriam ser uma banda de rock, ou isso aconteceu de forma natural?

Rachel: Estávamos muito interessados no rock. Tínhamos 16 anos quando começámos a banda, e começámos porque gostávamos de estar juntos e de tocar música. Quando o Christian se juntou como quinto membro foi quando os Slowdive começaram a surgir. O som da guitarra dele ditou todo o curso que a banda tomaria.

Christian: No início nem estávamos a pensar em que fosse existir uma banda, sequer. Estávamos a crescer numa terra pequena, só queríamos divertir-nos.

Recordam-se da primeira atuação juntos?

Christian: Eu lembro-me, foi num sítio que apoiava pequenas bandas… e a Rachel fez os nossos posters com transferidores de letras (não havia computadores!) e afixou-os por ali.

E agora, quase trinta anos depois, os Slowdive estão de volta. E com um novo álbum. Como foi compô-lo?

Rachel: Precisámos, definitivamente, de manter o som original dos Slowdive mas não queríamos parecer nostálgicos. Por essa razão, acho que acabámos por criar algo novo e distante desse tempo.

Christian: Queríamos que [o novo álbum] fosse o resultado do crescimento natural da banda. Um dos maiores desafios deveu-se ao facto de agora termos todos as nossas famílias. Nos anos noventa vivíamos todos perto uns dos outros, não tínhamos família própria, eramos adolescentes sem responsabilidades. Precisámos de encontrar o tempo para nos juntar, relaxar, e tudo começou a fluir naturalmente. 

Como foi a reação da primeira audiência que ouviu os Slowdive de novo juntos?

Rachel: Só não queríamos arruinar tudo!

Christian: Eu adorei, recordou-me da sensação de estar numa banda nova, de novo, mas claro que estava nervoso. As novas músicas resultaram muito bem, na verdade.

Quais foram as maiores mudanças na indústria musical ao longo destas três décadas?

Rachel: Obviamente que a internet mudou tudo, de forma massiva, para as bandas.

Christian: Para as grandes bandas dos anos noventa, o importante era fazer tours para promover os novos álbuns, porque eram os álbuns a fonte de maior lucro. Agora, os artistas gravam um álbum para fazer a tour, porque a tour é que faz dinheiro. Outro aspecto é o facto de as pessoas esperam que hoje toda a música chega gratuita.

Não é a primeira vez que atuam em Paredes de Coura. Como é fazer um concerto neste anfiteatro natural?

Rachel: Lembro-me bem da primeira vez, porque a audiência foi incrível.

Christian: Recordo-me de chegar aqui e pensar: "estamos no meio do nada, isto vai ser estranho, onde é que estamos?" E depois acabou por ser um dos melhores concertos do verão inteiro, nesse ano.

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