Culturas

Os filmes para ver no DocLisboa

A equipa do festival, que decorre até 27 de outubro, nos cinemas São Jorge e Ideal, Cinemateca Portuguesa e Culturgest, em Lisboa, escolhe os filmes a não perder nesta edição.
Por Máxima, 18.10.2019

Cíntia Gil, Directora do Doclisboa

An Open Rose, de Ghassan Salhab

O realizador libanês construiu um poema e uma viagem pelo universo de Rosa de Luxemburgo através das suas cartas escritas da prisão. A história do séc. XX encapsulada num eco entre a Alemanha e o Médio Oriente, entre a imaginação revolucionária e a promessa de beleza.

Joana Sousa, Programadora

Sessão de Homenagem Barbara Hammer

O cinema é inerentemente um acto de partilha. Barbara Hammer, que nos deixou este ano, construiu toda a sua carreira sob este modo de ver o cinema. Quando criança, ela acreditava que deveria haver alguma maneira de perceber completamente o outro. Algo que nos fizesse conseguir sentir o que o outro sente, o que pensa, o que sabe... Mais tarde, percebeu que não havia nenhuma maneira de entender completamente o "outro" ou ser entendido. Então recorreu ao cinema, às imagens em movimento e ao som, como o melhor caminho para se abrir, tornar-se vulnerável, dando e partilhando. Esta sessão é composta por vários gestos de vulnerabilidade, desde Generations, em que Barbara Hammer entrega a sua câmara a Gina Carducci, até ao três filmes - Vever (for Barbara), A Month of Single Frames e So Many Ideas Impossible to Do All -, que resultam de imagens feitas por Hammer mas trabalhadas por amigos artistas, passando por I Was/ I Am e Multiple Orgasm: actos de uma vulnerabilidade revolucionária.

Justin Jaeckle, Programador

Family Romance, LLC, de Werner Herzog 

O realizador Werner Herzog é uma presença habitual no Doclisboa: a sua exploração idiossincrática, pessoal e renegada da "verdade extática", em filmes que procuram algo para além do real, para revelar a poesia, a metáfora e os mitos pelos quais a realidade se tece. Em 2019, o realizador estará presente em dose dupla no festival, com dois novos filmes na secção Da Terra à Lua: Family Romance, LLC e Nomad: In the Footsteps of Bruce Chatwin. O primeiro é uma mostra de hibridização de ficção e documentário em formas variadas e miríades - tal como o seu sujeito e a sua forma. Um melodrama peculiar, narrativo, com base em factos reais, de um negócio japonês que aluga atores para encarnarem papéis íntimos para os seus clientes - pais, amigos, colegas. O protagonista neste filme - com guião -, Yuichi Issi, é o CEO deste negócio na vida real, representando-se a si próprio no filme (complicando a colisão entre a autenticidade e o artifício). A típica voice-over de Herzog pode não estar neste filme, mas a sua voz está por todo o lado, com a procura das suas personagens por um significado mais profundo do mundo moderno e com o recrutamento de actores para chegar mais perto das suas verdades. Um cos-play do real.

Davide Oberto, Programador Associado

Il était une fois Beyrouth, histoire d'une star …, de Jocelyne Saab 

Um lugar mítico, uma mistura de espiões, petro-dólares, apostas e amores avassaladores. Uma cidade martirizada e bombardeada. Capital do efémero e da guerra sem fim. Cidade natal da Jocelyne Saab e protagonista de muitos dos seus filmes. Duas raparigas com um olhar curioso viajam pela cidade com um rolo de filme nas mãos e revitalizam a cidade ainda destruída pela guerra civil através das imagens dos filmes que a transformaram numa estrela do Cinema. Um acto de amor surrealista, cheio de alegria para Beirute, que só uma realizadora livre como a Jocelyne poderia imaginar.

Joana Gusmão - Produção

Executiva Dreissig, de Simona Kostova 

"What though the radiance which was once so bright /Be now for ever taken from my sight, /Though nothing can bring back the hour /Of splendour in the grass, of glory in the flower..." *

Para a abertura da nossa sessão Verdes Anos, escolhemos Dreissig, filme que Simona Kostova realizou durante os seus tempos de estudante em Berlim. É um retrato da crise da idade adulta: um grupo de amigos na casa dos 30 anos vagueia pelo dia e pela noite, com um pé na juventude que vai passando, e o outro na idade adulta, que teima a entrar.

*William Wordsworth - Ode: Intimations of Immortality from Recollections of Early Childhood

Agnès Wildenstein, Programadora Associada

After Winter Comes Spring, de Helke Misselwitz

Helke Misselwitz atravessou o país de comboio, mesmo antes da queda do Muro de Berlim, encontrando todo o tipo de mulheres, das mais diversas idades e dos mais diferentes backgrounds. Falam livremente sobre a sua vida, amor, trabalho, problemas e sonhos. Filmado de uma forma extremamente bela, num preto e branco extremamente cinematográfico. Um absoluto must-see.

Miguel Ribeiro, Programador

Foco Claudrena N. Harold e Kevin Jerome Everson

Claudrena N. Harold e Kevin Jerome Everson, em conjunto com os seus alunos, têm realizado vários filmes que reflectem sobre a história dos estudantes negros na Universidade de Virgínia, em Charlottesville. Nestes filmes, constroem um possível arquivo onde se reencenam tanto momentos históricos como cenas do dia-a-dia. Entre o activismo político e o registo do universo musical desta comunidade, são filmes que criam hoje as imagens que o passado não guardou.

Ana Pereira, Arché / Cinema de Urgência

Odyssey, de Sabine Groenewegen

Duas inteligências alienígenas interceptam imagens do planeta Terra. Observam, conversam, tentando entender o comportamento humano a partir delas. Entre a ficção científica e materiais de arquivo, Sabine Groenewegen questiona a história da colonização holandesa - seu país de origem - e, no fundo, a história colonial europeia. Odyssey foi a nossa escolha para concorrer ao Prémio Doc Alliance este ano, do qual foi o grande vencedor.

Laura Lomanto, Print Traffic

La Vida en Común, de Ezequiel Yanco

Um filme que nos leva ao norte da Argentina, ao encontro de uma comunidade indígena mas a partir de um olhar muito especial: a quotidianidade das crianças desta aldeia. Um retrato belo e natural de como é crescer entre lendas, mitos, e tradições ancestrais, num território em luta e nas ambiguidades que traz uma suposta modernização.

Teresa Vieira, Comunicação

Políticas Do Corpo e Território Mental - programado por Mania Akbari

Corpos múltiplos, múltiplas formas, espaços reais, realidades imaginárias, futuros passados, presente futuro. A quebra do formato, da narratividade, do expectável, da normatividade: tudo em busca de algo (ainda indefinido) situado num espaço além da nossa base geográfica e conceptual, além do nosso conforto, além do concreto contemporâneo. Uma programação com curadoria de Mania Akbari que conta com 11 registos cinematográficos que analisam o corpo político em relação a limitações geográficas e de género, tendo em vista os impactos da tecnologia no próprio corpo político.


Partilhar
Ver comentários
Últimas notícias
Vídeos recomendados
0 Comentários
Subscrever newsletter Receba diariamente no seu email as notícias que selecionamos para si!