Culturas

O que ver e fazer em Verona

Conhecer e perder-se pelas graciosas ruas da pequena cidade italiana por um dia ou dois é possível.
Por Aline Fernandez, 26.09.2018

De todas as cidades italianas, a pequena Verona encanta, ora pela história de Romeu e Julieta, imortalizada por William Shakespeare – que também demonstrou a sua paixão pelo local em A Fera Amansada e Os Dois Cavaleiros de Verona –, ora pelas suas ruas pitorescas e casas charmosas. Com todo o mérito foi declarada Património da Humanidade pela UNESCO devido à sua estrutura urbana e arquitetura. Verona também abrigou Dante Alighieri, o maior poeta italiano da história. E lá é possível fazer tudo a pé. No centro histórico só circulam automóveis autorizados, o que torna a caminhada para conhecer a cidade dos grandes escritores ainda mais agradável. Desenhamos um guia rápido para que possa planear já um fim de semana (ou umas pequenas férias) por lá.

Castelvecchio e ponte Scaligero

Pode dizer-se que é a ponte mais bonita da cidade e, antigamente, era de uso exclusivo da família Scaligero, que a usava para fazer o acesso ao castelo, um edifício de estilo neoclássico. É a maior edificação pública medieval de Verona e abriga um museu desde 1925, construída nas margens do rio Ádige entre 1354 e 1356, por ordem do Cangrande II della Scala, no intuito de defender a cidade. O museu realiza exposições temporárias abertas ao público.

Piazza Brá

A praça marca a entrada de Verona e é onde está a famosa arena e a Porta Brá, um arco com um relógio que outrora pertencia à muralha da cidade. A fonte central foi doada a Verona pela cidade de Munique, em 1975, por ocasião do 15.º aniversário da geminação entre as duas cidades. A piazza é o ponto central e está repleta de lojas e restaurantes.

Arena Verona

É considerada o ‘Coliseu’ de Verona. Foi construída na primeira metade do século I e, na época da construção, era grande o suficiente para abrigar toda a população da cidade. A arena é o terceiro maior anfiteatro romano da Itália e um dos mais bem conservados do mundo. Atualmente recebe óperas e espetáculos, mas, caso não tenha a possibilidade de assistir a nenhuma apresentação, faça a visita guiada durante o dia.

Casa di Giulietta

Não se sabe ao certo se existiram um Romeo Montecchio e uma Giulietta Capuleto, mas o facto é que, outrora, havia uma disputa entre as famílias mais abastadas de Verona e, quem sabe, tenha acontecido uma história de amor. O local onde hoje é a Casa di Giulietta, datada do século XIII, pertencia originalmente à família Capello – a semelhança entre Capello e Capuleto deu origem à ideia de que ali morava a verdadeira Julieta –, uma das mais ricas da antiga Verona, cujo brasão é esculpido no arco do pátio interior. Também neste pátio há a estátua de bronze de Julieta, criada pelo escultor Nereo Costantini. Reza a lenda que quem passa a mão no seio direito da estátua atrai sorte no amor e, acredite, há uma fila de turistas a fazê-lo. O mesmo acontece no corredor da entrada, onde os visitantes colam papéis ou escrevem diretamente na parede o nome do amado para atrair "buona fortuna" ao casal. Esta residência medieval, restaurada por Antonio Avena em meados dos anos 30, abriga exposições temporárias relacionadas com a história de Shakespeare. O item mais cobiçado no edifício, porém, é a célebre varanda, presente também na peça teatral. Espere a sua vez e registe a visita com uma fotografia à la Julieta.

Piazza delle Erbe

Centro da vida da cidade durante a época romana, a praça continua a ocupar o mesmo papel durante séculos: é ponto de encontro, sede do mercado e sede da administração de Verona. Restaurantes e feiras livres (ótimas para souvenirs) atraem moradores e turistas. Aqui destacam-se a fonte Madona di Verona, o Palazzo Maffei, em estilo barroco, e a Torre Gardello, do século XIV.

Arco della Costa e Piazza dei Signori

O arco fica na saída da Piazza delle Erbe e abre passagem até uma das mais importantes praças de Verona, a Piazza dei Signori, onde nos encantamos com palácios que foram construídos nos séculos XIV e XV. Bem no meio e ao alto está a estátua de Dante Alighieri, o autor de A Divina Comédia, e em frente os túmulos medievais dos Scaligeri, que governaram a cidade entre 1260 e 1387.

Arche Scaligere

Difícil passar despercebido frente à beleza do lugar. Perto da pequena igreja de S. Maria Antica, que foi fundada no século VII e reconstruída em 1185 no estilo românico, está o cemitério da família Scaligeri, situado dentro de um lindo portão de ferro com o brasão de armas da família Della Scala. Há vários sarcófagos, mas os três mais monumentais são aqueles construídos para Cangrande I, Mastino II e Cansignorio.

Casa di Romeo

Acredita-se que a família Montecchi – que realmente existiu – viveu neste bairro de Verona, apesar de historiadores afirmarem que esta era a casa dos Cagnolo Nogarola, condes do século XIII. O lugar transmite o fascínio da peça trágica de Shakespeare, mas ao invés da Casa di Giulietta, é uma propriedade privada e não pode ser visitado. Na bela fachada gótica do século XIV há uma inscrição em memória dos dois jovens apaixonados.

Piazza Indipendenza e o Monumento Romeo e Giulietta

Ao lado da Piazza delle Erbe e da Piazza dei Signori, há um belo jardim, construído no final de 1800, que abriga o Monumento Romeo e Giulietta, un sogno sospeso. As estátuas de bronze revelam os dois amantes de Shakespeare de uma forma estilizada: os corpos de Romeu e Julieta são representados como dois corações. A obra foi criada pelo escultor Enrico Muscetra na Polónia, em 2008, e em 2012 foi colocada na praça.

Porta Leoni

A cidade possui diversos portões e este é um deles. O nome foi adquirido no século XV, proveniente de uma tampa de sarcófago próxima, com dois leões e que agora está situada atrás do monumento ao rei Umberto I. Foi preservada apenas a metade direita da fachada interna, voltada para o fórum de Verona, e revestida com pedra branca do período imperial.

Saint Francesco Al Corso (Tomba di Giulietta)

O complexo conventual de Saint Francesco al Corso remonta ao século XIII. Em 1935, Antonio Avena, então diretor dos museus cívicos, abriu ao público o chamado "túmulo de Julieta". Segundo acreditavam, era o local do sarcófago de Julieta e tornou-se, rapidamente, um ponto turístico. O anexo G.B. Cavalcaselle Museu de Frescos, inaugurado em 1975, abriga frescos de edifícios Veronese que datam dos tempos medievais até o século XVI, bem como esculturas do século XIX, enquanto a igreja abriga obras em grande escala sobre tela datadas do século XVI e XVIII.

E mais…

Se puder comer apenas um gelado, vá à Gelateria La Romana (Piazza Santo Spirito, 9). Abre às 12h e tem fila com clientes absolutamente aficionados pelos gelados mesmo até às 24h, quando encerra. Garantimos que vale juntar-se a eles sem arrependimentos.

Se puder comer apenas uma pizza, vá à Pizzeria Leon D'Oro (Via Pallone, 10/A). Funciona das 12h30 às 14h30 e das 19h às 23h a preparar deliciosas pizzas estaladiças no forno a lenha.

Tem mais do que 24 horas? Acrescente à sua visita uma manhã no Giardino Giusti e uma tarde no Castel San Pietro. O jardim criado no final de 1400 abriga ainda um mirante onde é possível desfrutar de uma das melhores vistas de Verona, além de abrigar fontes, estátuas mitológicas e um dos mais antigos labirintos europeus. O castelo também compensa pela paisagem, mas não é possível visitá-lo. É deste ponto que Verona foi fundada. Da colina verde aprecia-se a rede de estradas romanas, as muralhas, torres e campanários.

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