Mundo

O melhor do cinema em outubro

O que há para saber do universo cinematográfico este mês? De filmes em exibição a festivais de cinema, estas são as coordenadas artísticas para outubro.
Por Rita Silva Avelar, 02.10.2018
FILMES

Lazzaro Felice,
o novo filme da italiana Alice Rohrwacher, conta, através de tempos paralelos e eras distintas, a história de Lazzaro (Adriano Tardiolo), um jovem camponês a viver numa fazenda de tabaco no interior de Itália chamada L'Inviolata, onde trabalham mais de cinquenta camponeses, liderados pela impiedosa marquesa Alfonsina de Luna (Nicoletta Braschi). Quando Tancredi (Luca Chikovani), o filho sonhador da marquesa, pede ajuda ao ingénuo (e genuíno) Lazzaro para simular o seu próprio sequestro, uma bonita amizade nasce. O filme encerrou a 71ª edição do Festival de Cannes e ganhou o prémio de Melhor Argumento Original (estreia a 4 de outubro).

Um verdadeiro génio do neo-expressionismo e o primeiro negro a quebrar os padrões da arte americana dos anos oitenta, Jean Michel Basquiat passou a adolescência a grafitar os prédios abandonados de Manhattan com o amigo Al Diaz (assinavam com o tag SAMO). Realizado por Sara Driver, testemunha desse tempo e desse espaço, Boom for Real: The Late Teenage Years of Jean-Michel Basquiat é o documentário que recorda esse período da vida de Basquiat quando, com apenas 17 anos, mudou as regras da cultura suburbana nova-iorquina que moldaria para sempre a sua arte vanguardista. O artista acabaria por entrar numa espiral de autodestruição devido à dependência das drogas, acabando por morrer precocemente, aos 27 anos (estreia a 4).

No premiado filme de Lúcia Murat, Praça Paris, Glória (Grace Passô) é uma mulher a viver no Rio de Janeiro que tenta ultrapassar, a custo, os traumas da sua infância causados por um pai abusador e um irmão traficante de droga. Sentada no gabinete de Camila (Joana de Verona), uma jovem psicanalista portuguesa, Glória tenta emergir do trauma em que vive (estreia a 4).

Glenn Close é Joan Castleman, uma dona de casa devota que, durante quarenta anos, sacrificou o seu talento e os seus sonhos pelo seu infiel marido Joe (Jonathan Price) no filme A Mulher, de Björn Runge. Quando o casal viaja para Estocolmo para Joe receber o Prémio Nobel da Literatura, Castleman esgota a capacidade de ficar à sombra do marido, sempre, e a vontade de revelar a verdade adensa-se quando um crítico (Christian Slater) se interessa pelo percurso do escritor (estreia a 18). A história baseia-se no romance literário de Meg Wolitzer com o mesmo nome, e pode valer o primeiro Óscar à talentosa Glenn Glose (foi nomeada seis vezes pela Academia; à parte dos mais de cinquenta prémios que recebeu ao longo da sua carreira).

Por fim, Julianne Moore regressa à Sétima Arte no filme Bel Canto, onde protagoniza Roxane Coss, uma belíssima cantora soprano que se vê refém de um grupo de guerrilheiros aquando de um concerto privado, no Peru, na festa de aniversário de Katsumi Hosokawa, um abastado industrial japonês (Ken Watanabe). O filme, de Paul Weitz, baseia-se no romance homónimo de Ann Patchett (estreia a 25).

Destaque para a estreia de Bradley Cooper como realizador, num remake do filme A Star is Born (1937) onde contracena com Lady Gaga. A história gira em torno do encontro amoroso entre Jackson Maine, estrela em declínio de música country e a jovem talentosa Ally, que acaba por lhe roubar o protagonismo (estreia a 11).
 
DOCLISBOA: A arte de documentar
A decorrer de 18 a 28 de outubro na Culturgest, no Cinema São Jorge, na Cinemateca e no Cinema Ideal, a nova edição do festival de cinema Doclisboa antecipa uma retrospetiva integral do realizador colombiano Luis Ospina, e apresenta vários filmes sob o tema Navegar o Eufrates, Viajar no Tempo do Mundo. Da Arménia à Turquia, do Curdistão à Síria, é revelada a complexidade desta área devastada por múltiplas guerras nas últimas décadas. Da programação, destacamos Westwood: Punk, Icon, Activist sobre a vida da criadora britânica Vivienne Westwood, hoje com 77 anos. No documentário, Lorna Tucker realiza sobre a mulher, a ativista e a designer numa só, a par da luta que Vivienne sempre levou a cabo para manter a identidade e os princípios da sua marca, bem como o seu legado. Para além deste, também vale a pena ver o documentário Yours in Sisterhood, de Irene Lusztig, inspirado nas cartas que foram enviadas durante os anos 70 para a Ms., a primeira revista feminista norte-americana fundada por Gloria Steinem e Dorothy Pitman Hughes. Mais da programação em doclisboa.org/2018.

SÉRIE Mulheres língua de fogo
Embora tão distintas umas das outras, Snu Abecassis, Maria Armanda Falcão (Vera Lagoa) e Natália Correia foram três mulheres à frente do seu tempo, unidas pela coragem e pela ousadia, pelo dom da palavra e pela vontade comum de uma revolução cultural nos anos da ditadura em Portugal. O realizador português Fernando Vendrell retratou-as na nova série 3 Mulheres (que estreia na RTP, em meados de outubro) convidando Victoria Guerra (Snu), Maria João Bastos (Maria Armanda) e Soraia Chaves (Natália) para protagonistas. "A persona que ela [Maria Armanda Falcão] criou de Vera Lagoa era construída muito sabiamente e tinha muitas diferenças da Maria Armanda. Essa construção foi exigente, mas tive muito o apoio da sua família que tanto conversou comigo e tantas fotografias me mostrou" revela à Máxima Maria João Bastos. "Foi difícil encontrar material sobre ela, além dos seus livros (que li todos), mas muito da história conheci-a através da família que me proporcionou momentos especiais e me emprestou jóias verdadeiras da Vera Lagoa. Ela tinha uma grande predilecção por jóias e usava muitos anéis ao mesmo tempo. Uma cena no Teatro de São Carlos em que uso um vestido que ela usou, exactamente naquele sítio, emocionou-me muito". Fascinada pela sua personagem, a escritora e poetisa Natália Correia, Soraia Chaves fala-nos sobre a mesma. "Ela era uma mulher nada terrena, quase planetária e, portanto, conhecê-la e conhecer as suas diferentes facetas foi uma enorme descoberta que me levou algum tempo" revela. "Das suas contemporâneas, a Vera e a Snu, ela era a mais extravagante, digamos. Tinha uma visão muito romântica da vida e essa visão, em que ela acreditava muito, é que todos somos seres livres. Ela acreditava no amor, na boémia, na liberdade de expressão e mesmo na expressão da sua própria sexualidade que numa altura de ditadura, de um Portugal muito cinzento, não era bem visto. E ela não queria saber. Era de uma coragem fabulosa". A série biográfica, de 13 episódios, conta, entre outros, com Ana Padrão, Jorge Vaz Gomes, Filipa Areosa e Afonso Lagarto.
Magia eterna

O livro de E. T. A. Hoffmann, O Quebra-Nozes e o Rei dos Ratos, inspirou o terceiro e último ballet do russo Pyotr Tchaikovsky, O Quebra-Nozes. A magia deste conto permanece, por mais de dois séculos, eterna, e continua a inspirar novas criações. É o caso novo filme da Disney, O Quebra-Nozes e os Quatro Reinos, com um elenco de luxo composto por Helen Mirren, Misty Copeland, Morgan Freeman, Keira Knightley e Mackenzie Foy. A história é a da pequena Clara que, em busca de uma chave que abre uma caixa com um presente inestimável, se vê num mundo paralelo mágico onde há amigos, como o soldado Phillip, mas também inimigos, como a tirana Mãe Ginger. O filme, realizado por Lasse Hallström, chega às salas de cinema portuguesas a 31 de outubro.
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