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O algoritmo português que prevê quais os próximos países a legalizar a cannabis

Para chegar aos cálculos, são considerados dados dos contextos religioso, político e económico de cada país.
Por Sara Nascimento, 02.01.2019

Chama-se LTPLabs e é a consultora portuguesa criada por três professores da Universidade do Porto que elaboraram um algoritmo que prevê quais os próximos países a legalizar a cannabis.

A análise é feita através de milhões de dados de informação com variados contextos presentes em casa sociedade e com técnicas de inteligência artificial. No total, foram consideradas na análise 98 variáveis, que incluem os panoramas religioso,  político e económico dos países e outras condicionantes como a liberdade de imprensa, o índice de desenvolvimento humano e ainda debates na Internet sobre a questão da legalização da cannabis.

"O resultado do nosso algoritmo é a probabilidade de legalização da cannabis, à data, em cada país considerado. Chegámos ao resultado ao comparar os indicadores desse país com os indicadores de outros países onde a cannabis já está disponível para fins medicinais ou recreativos", disse Paulo Sousa, gestor da LTPlabs ao jornal Público.

Este algoritmo, criado no espaço de um mês, pode vir a ser utilizado, no futuro, para avaliar a probabilidade de outras decisões. "Os algoritmos e técnicas de inteligência artificial permitem ‘mastigar’ grandes quantidades de dados para ajudar empresas a chegar a conclusões pertinentes", explicou ainda Pedro Amorim, um dos professores.

Até agora, os resultados estão a bater certo. O Governo do Luxemburgo – país que estava no topo da lista do algoritmo, a seguir à Austrália e ao Reino Unido – tem planos para se tornar no primeiro país da União Europeia a legalizar o uso da substância.

Portugal encontra-se em 13º lugar na lista.

Algumas das variantes visíveis a olho nu são por exemplo países que apresentam liberdade legislativa e pluralismo político elevados e um grande número de publicações na Internet sobre a legalização da planta. É importante referir que já há mais de 30 países onde a canábis já é utilizada para fins medicinais (em Portugal, o uso terapêutico da cannabis foi aprovado pelo Parlamento no verão do ano passado) e a investigação científica sobre a utilização e efeitos da mesma já decorre desde o século XIX.

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