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Morreu uma das últimas escravas sexuais do exército japonês durante a II Guerra Mundial

Kim Bok-dong foi uma das mais activas defensoras das escravas sexuais raptadas durante a II Grande Guerra e conhecidas como "mulheres de conforto” dos soldados japoneses.
Por Diogo Barreto, 30.01.2019
Morreu Kim Bok-dong, a antiga escrava sexual do exército japonês durante a Segunda Guerra Mundial, aos 92 anos, vítima de cancro. 

Kim foi um ativista pela defesa das cerca de 200 mil mulheres, grande parte delas sul-coreanas, que foram levadas para bordéis que serviam como escravas sexuais para o exército japonês, sendo apelidadas de "damas de conforto".

Até ao fim a sul-coreana continuou a batalhar para que o Japão oferecesse reparações às centenas de milhares de mulheres que foram utilizadas como escravas sexuais. "A última palavra audível que proferiu antes de morrer foi, na verdade, um palavrão expressando a sua forte raiva contra o Governo japonês", referiu a presidente de um grupo sul-coreano de defesa dos direitos das mulheres exploradas.

Já o presidente da Coreia do SulMoon Jae-in, que se deslocou ao hospital onde Kim morreu para prestar a sua homenagem lembrou que a mulher "ajudou-nos a ter a coragem de enfrentar a verdade". Já no hospital, Kim tinha acusado o governo de Shinzo Abe de cobardia por não se redimir de forma adequada.

No obituário publicado pelo jornal norte-americano The New York Times lembra-se que quando a ativista fez 14 anos, o Japão estava a meio de uma guerra com a China e que Kim foi recrutada para trabalhar numa fábrica de roupas por oficiais japoneses e que os soldados japoneses ameaçaram a sua família caso se recusasse. Mas em vez de ir para a fábrica foi obrigada a fazer sexo com soldados em bordeis militares na China e, mais tarde, em Hong Kong, Malásia, Indonésia e Singapura até ao fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945.

"Nos dias de semana, tinha de receber 15 soldados por dia. Aos sábados e domingos, eram mais de 50. Fomos tratadas pior do que animais", disse uma vez.

Depois do fim da II Guerra, em 1945, Kim voltou a casa e em 1991, começou a falar da sua experiência e a lutar pelos direitos das mulheres escravas. Até ao momento, 239 mulheres assumiram ter sido escravas sexuais – apenas 23 estão vivas, a maioria na casa dos 90 anos.

Em 1965, o Japão pagou 300 milhões de dólares à Coreia do Sul como parte de um acordo que estabelecia laços diplomáticos entre os dois países. Mas em 2005, os coreanos afirmaram que aquele acordo não cobria os "atos ilegais contra a humanidade", como o caso das escravas sexuais.

Já em 2015, Shinzo Abe assinou um acordo com Park Geun-hye, tendo o Japão pedido desculpa a todas as mulheres usadas e pagando menos de nove milhões de dólares a uma fundação destinada a cuidar das sobreviventes nos seus últimos anos de vida.
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