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Os melhores livros de janeiro

Comece 2019 com a seleção literária da Máxima.
Por Rita Lúcio Martins, 14.01.2019

New York 360º

Para uns, será a beleza suspensa da High Line. Para outros, a diversidade da oferta cultural, com paragens obrigatórias como o Whitney Museum. Para outros ainda, o charme de moradas clássicas, como o bistro Balthazar. Traçar um roteiro afetivo de Nova Iorque será tão subjetivo como o olhar de cada visitante, mas é seguro que todos encontrarão encantos nesta cidade-centro do mundo, palco de inesgotáveis surpresas e talentos. New York by New York, o novo livro de Martine Assouline, é uma tentativa feliz de eternizar o lugar onde até o momento mais efémero vibra intensamente. "É um pequeno tributo à Nova Iorque que amo", admite a autora. De Manhattan a Brooklyn, passando pelo Bronx ou Staten Island, o livro não se limita a percorrer os bairros, mas também atravessa a História: da imigração do início do século XX à revolução dos anos 60, passando pelos excessos das décadas de 70 e 80. Através das fotografias de mestres como Peter Lindbergh e das palavras de génios como Tom Wolfe traça-se assim o perfil da cidade e das suas ilustres personagens, num pequeno tesouro em formato de livro, para regressar sempre que as saudades apertam…

New York by New York (Assouline), de Jay Mclnerney e Wendell Jamieson, foi lançado em novembro e conta com mais de 300 ilustrações. O New York Times não teve dúvidas em classificá-lo como "o presente perfeito".


Olhar apurado

Como é que se trabalha o talento? Como é que se desenha o sucesso? Como é que se apura o olhar? Questões com respostas nas palavras de alguns dos mais brilhantes criativos contemporâneos, tantas vezes escondidos atrás de marcas e de projetos. The Eye, o novo livro de Nathan Williams (Artisan Books), o fundador e diretor criativo da revista Kinfolk, apresenta mais de 90 diretores criativos de diferentes áreas. Williams conversou com talentos como Claire Waight Keller (diretora artística da Givenchy), Marie-Amélie Sauvé (uma das mais respeitadas consultoras e estrategas no mundo da moda) ou Grace Coddington (antiga modelo e diretora criativa na Vogue norte-americana). Perguntou-lhes que livros leram, que mentores tiveram, que lições aprenderam e de que forma usaram toda essa bagagem para dar forma às ideias e aos conceitos que materializam hoje as suas visões. Visões que inspiram as nossas vidas.

José Saramago: Rota de Vida ? Uma Biografia, de Joaquim Vieira (Livros Horizonte)

Originário de uma família de trabalhadores rurais, José Saramago teve um percurso pouco convencional: estudou para ser serralheiro mecânico, trabalhou como funcionário de escritório, foi responsável por uma editora e diretor-adjunto do Diário de Notícias. Um trajeto improvável, marcado pela polémica, que culminou com a atribuição do Nobel da Literatura. Esta biografia assinada por Joaquim Vieira recupera os dados mais conhecidos da vida do escritor, mas também levanta o véu sobre a sua dimensão mais privada e sombria.

Anoitecer no Paraíso, de Lucia Berlin (Alfaguara)

Mulher de desassossegos, Lucia Berlin só foi verdadeiramente reconhecida após a sua morte, com o lançamento do livro Manual para Mulheres de Limpeza, amplamente aplaudido pela crítica, que não hesitou em compará-la a autores como Antón Tchékhov ou Charles Bukowski. Cinco anos depois, o seu filho preparou esta nova obra em que se reúnem histórias contadas com uma honestidade desarmante e marcadas pela capacidade de ver beleza nos lugares mais sombrios.

O Fim do Fim da Terra, de Jonathan Franzen (D. Quixote)

Aquele que a revista Time considerou como O Grande Romancista Americano está de volta com um livro de ensaios e discursos escritos ao longo dos últimos cinco anos. Seguindo a linha de realismo cru dos romances Purity, Liberdade ou Correções, o autor debruça-se sobre uma diversidade de temas – dos mais biográficos aos mais atuais, como a reflexão política e as alterações climáticas –, confirmando o seu olhar lúcido, acutilante e sempre pertinente.

Contos Eróticos do Velho Testamento, de Deana Barroqueiro (Planeta)

Lê-se na contracapa: Leitura obrigatória para quem sempre quis perceber a raiz da discriminação sexual. Quinze anos após a sua publicação original, este livro regressa numa versão revista, numa altura particularmente pertinente. Nele, a autora recupera as vidas das mulheres da Antiguidade, reféns dos caprichos masculinos e consideradas como pura mercadoria, com menos valor do que os animais. Uma viagem histórica dramática mas importante para perceber e desmontar a realidade feminina ontem e hoje.

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