Culturas

Joaquin Phoenix impressiona em ‘Joker’

O filme vencedor do Leão de Ouro no Festival Internacional de Cinema de Veneza chega a 3 de outubro às salas de cinema nacionais.
Por Aline Fernandez, 26.09.2019

Se vai ao cinema à espera de ver mais um filme de Batman e do seu eterno arqui-inimigo, o lunático Joker, este não é o filme para si. E isso está longe de ser uma crítica negativa. Joaquin Phoenix dar-lhe-á infinitas razões para correr até às salas de cinema já no dia 3 de outubro, quando o filme de 122 minutos chegar às salas nacionais. 

A nova longa-metragem realizada por Todd Phillips conta-nos uma história para lá de realista de Arthur Fleck, um tipo aparentemente vulgar que ambiciona ser um comediante enquanto trabalha como palhaço de rua. Arthur sofre de uma doença mental que o acomete de ataques de riso. Tudo se passa em 1981, mas um sentimento inquietante parece mostrar que a fictícia cidade Gotham poderia ser qualquer centro urbano dos dias de hoje. Vemos o lado triste do palhaço, as suas fraquezas e consequentes acessos de raiva que crescem até ao ponto de o vilão aparecer. Phoenix atua de maneira tão brilhante que é sufocante. O ator compôs um retrato humano de uma figura já tão interpretada e surpreende – de Jared Leto em Esquadrão Suicida (2016) ao irónico Jack Nicholson no Batman (1989) de Tim Burton, sem esquecer a performance de Heath Ledger em O Cavaleiro das Trevas (2008), que lhe garantiu o Óscar póstumo de Melhor Ator Secundário. Prepare-se para sair do filme com os sentimentos baralhados, o que torna compreensível a classificação etária para maiores de 16 anos – pouco usual em filmes de super-heróis, mas é mesmo isso: não há super-heróis. Joker é frágil, humilhado, solitário e ao mesmo tempo ameaçador e brutal.

A confusão também surge porque Joker é uma obra-prima. Um filme com um lado humano quase palpável, que aborda assuntos sérios com atuações brilhantes, a destacar ainda a participação de Robert de Niro e Zazie Beetz. Para completar, a fotografia, que torna tudo mais sedutor e a banda sonora, perfeitamente selecionada, com grande impacto na história – como não adorar Smile de Jimmy Durante? Não é de surpreender que a obra tenha levado o Leão de Ouro, prémio máximo do Festival Internacional de Cinema de Veneza – a antestreia recebeu oito minutos de ovação dos presentes. Resta-nos aguardar os próximos prémios e ver quantas nomeações (e galardões) o filme leva até à cerimónia dos Óscares. Vamos torcer por isso.

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Joker | Trailer
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