Cinema

Joana Metrass: “Não se está a fazer as cenas a pensar ‘ah, é o Van Damme!’”

A portuguesa que contracena com Jean-Claude Van Damme no novo filme ‘Guerra Sem Quartel’, já nos cinemas nacionais, conta à ‘Máxima’ o que está por vir.
Por Aline Fernandez, 15.05.2019

A atriz portuguesa Joana Metrass viajou de Los Angeles para Lisboa para a promoção do seu último trabalho, Guerra Sem Quartel, filme no qual contracena com o ator belga Jean-Claude Van Damme. Aos 31 anos, Joana tem a carreira internacional em ascensão. Já integrou alguns internacionais, a destacar a série da BBC Era Uma Vez e o filme O Agente da U.N.C.L.E., no qual contracenou com Henry Cavill e Hugh Grant.

Este novo filme, com argumento e realização de Lior Geller, aborda o problema de um submundo da cidade de Washington, nos Estados Unidos da América, governado por gangues violentos e traficantes de droga. E acrescenta outro problema real, este vivido pela personagem de Van Damme, dos veteranos de guerra traumatizados e dependentes de drogas para fugir à sua realidade. Joana falou com a Máxima para falar sobre o seu papel, declarar a sua paixão por Lisboa e adiantar-nos quais são os seus próximos projetos.

Como se preparou para o filme Guerra Sem Quartel?

É engraçado porque quando soube que ia entrar no filme, estava nesse momento a começar a fazer voluntariado numa organização que ajuda antigo prisioneiros a reintegrarem-se na sociedade, a arranjarem trabalhos , etc. Por isso, na verdade, tinha bastantes pessoas com quem podia falar mesmo antes de saber que ia fazer este filme.

Como foi contracenar com o Jean-Claude Van Damme?

No filme há uma cena emocionalmente forte entre nós os dois, dramática, difícil. Demoramos muitas horas a filmar, eu passei muitas horas a chorar e a seguir estava desfeita. Fui para a maquilhagem para retocar tudo porque a seguir tinha uma cena feliz e contente e as maquilhadoras estavam assim muito caladas, meio a sussurar, e eu não estava a perceber o que se estava a passar. Às tantas elas lá se descaíram e começaram a rir-se e a dizer ‘aí, conta-nos como é que foi abraçar o Van Damme, estar agarrada ao Van Damme!’ e eu ‘hã? O Van Damme? Ah, pois, exato, era o Van Damme…’ porque não era, era o Daniel, não era o Van Damme. Nem sei, não é que na altura não se está a fazer as cenas e a passar por aquilo tudo e a pensar ‘ah, é o Van Damme!’ Não. É aquela pessoa no filme, por quem temos aqueles sentimentos. Tudo desaparece.

© Lionsgate
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Joana Metrass no filme 'Guerra Sem Quartel'

O que destaca na sua trajetória antes da carreira internacional?

Os anos de conservatória de teatro foram anos muito importantes na minha vida. Eu fiz a escolha de primeiro querer apostar na educação e estudar o máximo que conseguia antes de entrar no mercado de trabalho. E foram três anos muito intensos, ainda por cima como era a escola de Teatro, eu sentia que me faltava a parte do trabalho de aprender sobre câmara e cinema e, portanto, eu fazia o conservatório, no segundo ano eu fazia o curso de teatro da Comuna com o João Mota, que eu amo, portanto ia para as aulas todos os dias e nos fins de semana fazia curtas-metragens. Cada vez que alguém precisava de uma atriz eu dizia ‘eu faço, eu faço, eu faço!’, porque, para mim, isso era aprender. E, pelo meio, trabalhava para juntar dinheiro para nas férias conseguir estudar fora, ir para Nova Iorque, para as boas escolas de cinema. Foram três anos em que eu não respirava mais nada a não ser aprender. E comecei a trabalhar, fiz os meus primeiros filmes, as minhas primeiras longas-metragens, mas estes foram três anos estruturais na minha vida.

Tem saudades de Lisboa?

Quanto mais viajo, quanto mais vivo fora, mais acho que Lisboa é a cidade mais incrível do mundo. Não conheço nenhuma cidade que tenha tudo como Lisboa tem. Tem uma cultura incrível, mesmo a nível arquitetónico quando andámos na rua, mas a nível cultural, os nossos artistas são incríveis. Eu venho cá e vou ao teatro, ao teatro, ao teatro… Tenho tantas saudades de tantas coisas boas. É culturalmente incrível, tem um clima incrível. É uma capital europeia, mas logo ali ao lado está a praia. A comida é incrível, a vida humana, isso faz muita diferença, realmente em todos os sítios não se vive como se vive aqui. E eu tenho muitas saudades.

Falou da comida. Do que sente mais falta?

É engraçado porque as coisas que eu acabo por sentir falta são aquelas que cá eu nem comia assim tanto, porque, pronto, estavam sempre aqui. Mas agora eu chego e vou logo comer um pastel de nata. Eu chego cá e tenho saudades de tudo. Das coisas mais simples, dos patéis de bacalhau, dos rissóis de camarão, do pão com chouriço, dos patés e depois os pratos também, do nosso marisco, do nosso peixe. Em LA não se consegue comer bom peixe grelhado em lado nenhum - E não dá para a minha mãe enviar (risos).

E como é a vida de Los Angeles?

Eu cada vez me apaixono mais pela vida da cidade. Aquilo que nós chamamos de Los Angeles na verdade são sete cidades diferentes com leis diferentes, com ordenados mínimos diferentes, são mesmo sete cidades. E é tudo muito longe. E quando eu cheguei lá eu vivia em West Hollywood, que é a zona artística e é tudo que se vê normalmente nos filmes. E eu vivia aí, mas é muito caótico e é só artistas. Ao mesmo tempo que isso é muito bom, às vezes também é preciso descansar um bocadinho. E a parte melhor de LA para mim, porque vinha de cidades como Londres e Nova Iorque – se eu tento comparar Los Angeles a Londres e Nova Iorque, fico desiludida com Los Angeles, porque não tem a cultura de Nova Iorque ou de Londres, nem o movimento. É diferente, mas tem a praia, que nenhum dos outros tem. E a praia é tão importante para mim. Então agora eu estou a viver mais perto da praia porque foi importante para mim criar essas rotinas. Se calhar estou mais longe e vou a menos festas, mas estou a cultivar mais o meu interior para estar bem comigo. Continuo a fazer sempre aulas de representação, há professores incríveis naquela cidade, faço exercício, meditação, trabalho o meu sotaque, que é uma coisa muito importante lá, a questão de se ter ou não se ter sotaque americano.

Pode exemplificar?

Eu acho que as pessoas têm ideia que a vida do ator, o trabalho do ator é quando se ouve ‘ação!’ E 90% do trabalho do ator é o que é preciso fazer até chegar ao ‘ação!’ Todo este treino connosco  – eu e os meus amigos juntamo-nos e criamos exercícios e filmámos coisas – não é para ninguém ver. Damos uma cenas uns aos outros e temos que conseguir fazer aquela mesma cena de três maneiras diferentes. Tudo isso são coisas que é preciso treinar. A memória, a capacidade de direção, de receber direções, tudo. Por isso eu tento ao máximo construir o meu dia a dia em trabalho para ser atriz, para chegar ao momento do ‘ação!’.

Quais são os próximos projetos nos quais poderemos ver a Joana?

Tenho um filme por estrear, que se chama Spoiler, feito em Inglaterra pela The British Filmmakers Alliance, do qual sou protagonista. Nós vivemos todos juntos na casa onde o filme se passa durante o tempo de filmagem. Era um projeto imersivo, com improviso e criação. E tenho um filme, que em princípio vai ser revelado no fim do ano, que é uma co-produção entre o Brasil, a Inglaterra e, possivelmente, Portugal, mas sobre o qual ainda não posso dizer mais.

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