Culturas

“Inspirou-me estar rodeada de pessoas que tocavam umas para as outras”

A artista americana de indie rock Lucy Dacus esteve no festival Paredes de Coura para apresentar o seu mais recente álbum, Historian.
Por Rita Silva Avelar, 21.08.2018

Queria ser cineasta, mas depois de uma viagem pela Europa com mochila às costas, decidiu dar voz às suas composições e virou artista de indie rock. Já escrevia as suas próprias músicas em adolescente, e cresceu a ouvir discos com amigos em Richmond, Virgínia. Em 2016, depois de o vídeo do single I don’t wanna be funny anymore se tornar viral percebeu que precisava de uma produtora. E assim nasceu a artista de Richmond que nunca tira o batom vermelho, principalmente em palco. Em 2016 lançou o álbum No Burden e, já este ano, o Historian, ambos produzidos pela Matador Records. Radiante por estar no recinto do festival Paredes de Coura, a artista de apenas 22 anos atuou pela primeira em Portugal no palco principal deste festival. Depois de pedir "show me around the place", sentamo-nos com Lucy numas escadas dos bastidores, rodeadas da natureza bonita de Coura.

Lucy, sempre se interessou por cinema, e acabou por ser esta a área que escolheu estudar. Como é que se dá esta mudança para o mundo da música?

Eu estava a estudar cinema num sítio demasiado caro. Decidi tirar um semestre para viajar pela Europa, e todas as pessoas a quem contava que estava a estudar diziam que era excessivamente caro estudar cinema. Ao voltar para casa, pensei melhor sobre isso e depois a música surgiu naturalmente. Sempre gostei de compor música a toda a hora, mas não pensei que isso fosse sustentar-me. Comecei por tocar na minha terra, Richmond, Virgínia. As pessoas acabaram por gostar, e uma produtora local começou a ajudar-me a colocar a minha música online. Tudo aconteceu muito rápido! Hoje, a minha equipa é a melhor que eu poderia ter.

Como foi crescer como artista em Richmond?

Eu tinha muitos amigos em bandas, e era comum sentarmo-nos a ouvir música todos juntos. E eles eram quase todos mais velhos, o que me permitiu sempre ver o passo que estava à frente. E Richmond tem uma cultura musical muito boa, é um sítio muito genuíno. Mas o que sempre me motivou foi o facto de estar rodeada de pessoas que tocavam umas para as outras. Que valorizavam o sentido da partilha. Isso está bem presente no que eu faço ou quero fazer.

O cinema influência a sua performance em palco?

O cinema é uma estrutura para quase tudo. [Ensina-nos] a manter a atenção das pessoas, como contar uma história… ao escrever as minhas músicas é isso que tento fazer. Fazer com que tudo se encadeie e que faça sentido para quem ouve. Mas não sou tão impressionista como outros artistas, gosto que a minha música seja bem entendida, seja cantada de uma forma global. Quero que as pessoas saibam exactamente o que eu estou a pensar.

O que é que é fundamental ter sempre num concerto?

Eu uso sempre o meu batom vermelho quando toco. Aliás, só o uso nessa altura, e é a única maquilhagem que uso, como um uniforme.

I don’t wanna be funny anymore, do álbum No Burden (2016) foi o single que lançou a Lucy Dacus como cantora. E as reacções positivas não se fizeram esperar. Como foi lidar com esse sucesso galopante?

Ainda estou a tentar perceber como é que tudo aconteceu, é muito recente. Recebi imensos e-mails de produtoras, e sabia que todas elas queriam a minha música – mas também fazer dinheiro comigo. É bom lembrar isso, também, para ter os pés na terra.

As mulheres têm mais presença e poder na indústria da música que nunca? Ou sente que isso ainda não está a acontecer de todo?

Eu espero que o próximo passo seja que o mundo permita que as mulheres apresentem ideias, e que essas ideias sejam aceites tal como se fosse um homem a apresentá-las numa sala. E mais, que se entenda que não é preciso ser-se ‘tradicionalmente bonita’ para se ser famosa. O ideal é que o único elemento que conte [ao avaliar um músico] seja o seu talento. Há muitas mulheres fantásticas a fazer música hoje em dia.

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