Culturas

Helen Mirren e o poder das mulheres em ‘Catarina, a Grande’

A vencedora de um Óscar de Melhor Atriz é o sinónimo da força feminina ao protagonizar a nova minissérie de quatro episódios que estreia a 3 de outubro, em exclusivo na HBO Portugal.
Por Aline Fernandez, 02.10.2019

Helen Mirren não precisa de apresentações. É vencedora de um Óscar de Melhor Atriz, por A Rainha (2006), e conta com mais de 120 prémios, entre eles Globos de Ouro, Emmy’s e os BAFTA. A nova minissérie Catarina, a Grande marca o seu primeiro retorno significativo à televisão em anos. E dame Helen não faz por menos.

No papel da tumultuosa monarca e política que governou o império russo no século XVIII, Mirren tem pulso firme e ao mesmo tempo leveza e graça. Os quatro episódios que estreiam a 3 de outubro, em exclusivo, na HBO Portugal são um deleite aos olhos. A começar pelas cenas no Palácio de Peterhof, a grande Versailles russa, onde a imperatriz Catarina II realizava festas, espetáculos pirotécnicos, conversas eruditas com pensadores europeus – entre eles os seus amigos iluministas Denis Diderot, Voltaire e Montesquieu –, além da presença não disfarçada dos amantes.

Catarina, a Grande era uma força política e intelectual, possuía um sentido de humor perverso, era inimaginavelmente inovadora – com destaque para o investimento em educação feminina, inédito na época – e, claro, era sexualmente ativa sem remorsos. E o que diziam sobre ela? Que era reacionária, usurpadora e maníaca sexual. A sexualidade da imperatriz foi tão livre que a certa altura, enquanto um de seus amantes subia as escadas para o quarto, outro estava a descê-las. Até a atriz Helen Mirren, que se descreve como uma mulher livre admitiu ter sido atropelada pela "libertação sexual" de Catarina II da Rússia.

"Ainda estamos a sair de um vitorianismo, puritanismo protestante", explicou à imprensa britânica na estreia da minissérie – onde chegou carregada por quatro homens pela passadeira vermelha. "Ainda somos uma sociedade em crescimento em relação a isso, ainda temos certas atitudes que são intrínsecas e eu própria as tenho apesar de me considerar uma mulher livre – eu não conseguia entender a libertação sexual dela. Então pensei: ‘só tenho de pensar como um homem porque os homens não têm nenhum problema com isso’".

Mirren não deixou de enaltecer o lado feminino. "As mulheres, se trabalharem arduamente, podem fazer qualquer coisa – absolutamente qualquer coisa", partilhou ainda com os jornalistas. "Se elas têm a capacidade e a habilidade de trabalhar no duro, porque essa é a qualidade que define Catarina, é a capacidade dela de trabalhar incrivelmente. Sendo assim, podem fazer qualquer coisa, inclusive tornar-se a imperatriz da Rússia".

E neste caso foi isso que aconteceu. Catarina II nasceu na Alemanha, casou-se com o grão-duque Pedro Feodorovich, o Pedro III, a quem a própria derrubou, tomando o poder e tornando-se uma das maiores potências mundiais. E os episódios de quase 60 minutos mostram toda essa grandeza e opulência, seja pelos cenários, que nos fazem querer voar até São Petersburgo imediatamente, como pelo guarda-roupa, a cargo de Maja Meschede.

Além do sucesso político, já que a imperatriz, que lutou contra as ameaças constantes à sua coroa, travou uma guerra com o Império Otomano e expandiu as fronteiras da Rússia até ao Mar Negro e à Crimeia, o drama épico acompanha a fase final do seu reinado e o momento da relação amorosa de Catarina com o líder militar russo Grigory Potemkin, interpretado por Jason Clarke.

Além das brilhantes atuações de Mirren e Clarke, Catarina, a Grande conta ainda com Gina McKee e Richard Roxburgh. A realização é de Philip Martin e o argumento está a cargo do romancista e dramaturgo britânico Nigel Williams.

A carregar o vídeo ...
Catarina, a Grande | Trailer
Partilhar
Ver comentários
Últimas notícias
Vídeos recomendados
0 Comentários
Subscrever newsletter Receba diariamente no seu email as notícias que selecionamos para si!