Culturas

Harvey Weinstein condenado a 23 anos de prisão por agressão sexual

O antigo produtor de Hollywood foi condenado pelo crime de agressão sexual.
Por Diogo Barreto, 11.03.2020
O antigo-produtor de Hollywood Harvey Weinstein foi condenado pelo crime de agressão sexual a 23 anos de prisão efetiva. A sentença foi lida esta quarta-feira e diz respeito aos crimes de acto sexual criminoso no primeiro grau e violação no terceiro grau, relativo a acusações feitas por duas mulheres. O antigo gigante da indústria cinematográfica arriscava 29 anos de prisão.

Harvey Weinstein, 67 anos, estava acusado de crimes ocorridos entre 2006 e 2013, e o julgamento teve início a 6 de janeiro, sendo considerado um momento histórico do movimento #MeToo de denúncias de abusos sexuais na indústria do entretenimento.

Das cinco acusações de crimes sexuais que recaíam sobre Harvey Weinstein o júri revelou a 24 de fevereiro que o considerava culpado de dois crimes sexuais ocorridos em 2006 e 2013 com duas mulheres: Ato sexual criminoso em primeiro grau e violação em terceiro grau. Weinstein, detido em maio de 2018, insistiu na inocência, alegando que todos os atos foram consentidos.

Seis alegadas vítimas de abuso sexual testemunharam contra o homem de 67 anos.

Sobre as acusações de que era alvo, Weinstein, detido em maio de 2018, sempre negou os alegados abusos e garantiu que todas as relações sexuais que teve com estas duas mulheres foram consensuais

Ao júri do Supremo, Haleyi, agora com 42 anos, contou que tentou fugir. "Disse-lhe que não queria que aquilo acontecesse. ‘Isto não vai acontecer, estou com o período’". Depois disso, segundo diz, Weinstein tirou-lhe o tampão e fez-lhe sexo oral enquanto a agarrava. Questionada pela defesa do ex-produtor de Hollywood, Miriam Haleyi admitiu ter aceitado viagens para Los Angeles e Londres já depois do alegado ataque. Defendeu que precisava de trabalho.

Jessica Mann, que acusou Weinstein de violação, assegurou em tribunal que começou uma relação "degradante" com o antigo produtor que não envolveu relações sexuais até ao dia em que este a terá violado. 

"Eu sei que a minha relação com ele foi complicada. Isso não altera o facto de que ele me violou", disse depois de ser interrogada pela defesa de Weinstein. O seu testemunho foi interrompido quando a mesma não conseguiu continuar a ler um email que escreveu em 2014 onde apelidava Weinstein de ser um "pseudo-pai" para ela. A defesa sugeriu, repetidamente, que a mulher decidiu ter relações sexuais de livre vontade para subir na carreira.

O julgamento ocorre cerca de dois anos após o jornal The New York Times e de a revista The New Yorker terem publicado, em outubro de 2017, reportagens a denunciar o escândalo sexual no meio cinematográfico norte-americano.

Foi a partir dessas reportagens que se gerou o movimento coletivo espontâneo de denúncia e partilha #MeToo.
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