Culturas

Dia Internacional da Mulher: “Ainda há um longo caminho a percorrer”

No mês em que se celebra o Dia Internacional da Mulher, conversámos com Anália Torres, a socióloga que, em Portugal, é referência no que se refere à igualdade de género, e perguntamos-lhe que mensagem importa passar às crianças, a propósito desta data.
Por Rita Lúcio Martins, 08.03.2019

Ao longo de quase 40 anos, a professora Anália Torres tem-se dedicado, entre outros, à investigação de temas relacionados com o género e a família. Professora catedrática no Instituto de Ciências Sociais e Políticas de Lisboa (ISCSP), onde coordena a Unidade de Sociologia, é fundadora e coordenadora do Centro Interdisciplinar de Estudos de Género (CIEG), autora de 18 livros e de vários artigos publicados em revistas nacionais e internacionais. Na edição de Março da Máxima, conversámos com ela sobre as conclusões do estudo igualdade de género ao longo da vida – Portugal no contexto europeu, publicado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos, que coordenou e apresentou, em maio de 2018, mas também sobre os desafios que as mulheres em geral e as portuguesas em particular, enfrentam, em 2019. "O Dia Internacional da Mulher tem esse valor simbólico de lembrar que, comparativamente a eras passadas, já há mais igualdade, mas que ainda há um longo caminho a percorrer. É uma ocasião para evidenciar esse contraste entre o muito que se andou e o muito que se tem para andar. Estas datas são importantes para uma nova consciência. Importa dizer às crianças que este [o Dia Internacional da Mulher] é um dia que assinala a data em que as mulheres passaram a ter direitos iguais aos dos homens. A Olympe de Gouges [dramaturga, ativista e feminista francesa, 1748-1793] fez uma carta dos direitos da mulher e da cidadã porque a Revolução Francesa trata apenas dos direitos do homem. Ela fez uma carta sobre os direitos das mulheres e, mais tarde, foi guilhotinada. No século XVIII, no pós-Revolução Francesa, houve uma mulher que foi condenada só por dizer que temos os mesmos direitos. Quando celebramos o 8 de Março estamos a celebrar o percurso de mulheres como ela, que morreram pela causa da igualdade. Mulheres cujos nomes conhecemos, mas também das muitas mulheres anónimas que cuidam dos seus filhos, às vezes sozinhas, e tentam sempre fazer o melhor, porventura em condições muito difíceis. É importante que se continue a falar nisso".

Leia a entrevista completa na Máxima de Março, nas bancas.

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