Mundo

Dez mulheres da Música portuguesa

Está inaugurada a época dos festivais de verão e a Máxima foi conhecer quem canta no tom nacional.
Por Cláudia Marques Santos, 22.06.2018

Andreia Criner, comunicadora

O primeiro promotor musical com quem trabalhou, quando tinha 21 anos, foi Ricardo Casimiro, da Tournée. Lembra-se de, após um primeiro dia de trabalho atarefado, quando fazia parte da equipa que produziu o concerto da banda Red Hot Chilli Pepers, no Pavilhão Atlântico, ter ficado a limpar os camarins quando toda a gente tinha saído. Quando Ricardo Casimiro passou no corredor e a viu naquela tarefa, desatou a rir-se dela e informou-a que havia equipas de limpeza para tratar daquilo. Andreia Criner tem hoje uma agência de comunicação estratégica, a Livecom, e esclarece-nos que a assessoria de imprensa é apenas um dos ramos da empresa. O que faz é algo de mais abrangente: trabalha, juntamente com os managers, numa estratégia que seja diferenciadora para os artistas. Antes de ter aquela empresa, trabalhou na Música no Coração, promotora do festival Super Bock Super Rock, onde se lembra de passar a noite num sofá, junto à impressora, a acompanhar a impressão dos press releases, e na Everything is New, do Nos Alive. O seu maior cliente é a Sons em Trânsito, promotora que ficou com a concessão da recém-aberta sala de espetáculos Capitólio, para onde se mudou de armas e bagagens para ajudar a pôr a sala do parque Mayer no mapa da cidade.

Tem um filho. Como é gerir o trabalho e a maternidade?

Digo isto muitas vezes: sou super-fã das pessoas com filhos. Há ali um grau de maturidade… Atenção: também sou fã das pessoas que não têm filhos. Eu sou fã de pessoas – responsáveis, profissionais e capazes. Por exemplo, há duas pessoas na minha equipa com menos de 25 anos e aprendo imenso com elas. Gosto mesmo muito de trabalhar com malta nova.

 

Da Chick, compositora/intérprete

Nos últimos quatro meses esteve a viver em Santa Mónica, em Los Angeles. Estava a precisar de novos ares para se inspirar. Teresa de Sousa, aka Da Chick, não conhecia ninguém em L.A. e partiu à aventura. Diz ter-se encantado e desencantado. Escreveu canções, deu concertos – entre eles, no festival texano South By Southwest –, saiu à noite, conheceu pessoas do mundo da música e distribuiu muitos discos seus. Na carteira, esta rapariga de sonoridades funk, que na escola era conhecida pela miúda que falava "Yo, yo, I’m a bad ass",tem dois álbuns e dois EP, um dos quais é o mais recente disco que editou, Call Me Foxy, em junho de 2017. Antes, Da Chick chegou a tirar fotografias a turistas no palácio da Pena, licenciou-se em Publicidade e Marketing, trabalhou em agências, deu aulas de karaté e à noite ia compor. Sentia-se cansada e com a sensação que estava a deixar a vida para trás. Até que tomou a decisão: "É da música que eu quero fazer a minha vida." O nomeDa Chick retirou-o de À Prova de Morte, de Quentin Tarantino, um dos seus filmes preferidos.

De regresso. E agora?

Vai ser bom estar cá e perceber o que é que vou fazer. Há algo que me vai dizer "Quero fazer disto um álbum" ou "Quero fazer disto outra coisa qualquer". Eu nunca senti pressão. Não sinto aquela coisa do "Este ano tenho de fazer um álbum". Chega com o tempo. E não interessa se são duas músicas ou se são 20, ou se é um álbum ou uma mixtape. Para mim, isso é irrelevante.

 

Elisa Rodrigues, compositora e intérprete

Passava a vida a cantar e a mãe decidiu inscrevê-la no coro de música clássica Pequenos Cantores do Estoril, quando Elisa tinha oito anos de idade. Como não pensava fazer disso uma carreira, completou a licenciatura em Design de Moda, na Faculdade de Arquitetura da Universidade de Lisboa, e chegou a fazer styling e a trabalhar para Ana Salazar. Mas apercebeu-se de que era muito mais feliz na música. A ligação ao jazz veio a partir de uns workshops que começou a frequentar nos verões, a partir dos 15 anos, onde passou a conhecer os músicos do meio. Em 2010, Elisa Rodrigues conheceu Júlio Resende e, em 2011, gravou o seu primeiro disco, Heart Mouth Dialogues, com aquele pianista. Conheceu Jack Barnett, dos These New Puritans, e são três os discos em que colabora com a banda de Essex. Correu mundo a acompanhá-los em digressões. Quando regressou contactou que o burburinho que existia em torno do seu trabalho tinha deixado de existir porque esteve muito tempo ausente. Por isso sentiu necessidade de compor um disco. O então namorado ofereceu-lhe um teclado Yamaha e foi assim que começou. O disco acaba de sair, intitula-se As Blue As Red e conta com produção de Luísa Sobral.

Por cantar desde criança, o palco já não a assusta? 

Andei numa escola de padres, os Salesianos, onde era solista e cantava imenso. Mas é diferente porque tens um coro atrás de ti. Sentes-te completamente protegida pelas outras pessoas. No primeiro concerto que dei não conseguia dizer "Obrigada" no final das músicas. Tinha 20 anos. Pensei: "Já estou em palco, eles são todos ótimos músicos e, se me chamaram, é porque devo valer alguma coisa. Não posso fugir, agora." Foi assim. Neste ponto, ainda estou a trabalhar a minha postura em palco. Não me é fácil. Uma pessoa quando canta está tão vulnerável e, quando volta à personagem de falar, parece que tem de vestir uma máscara.

 

Inês Simões, soprano

O canto e a música fazem parte da vida de Inês, desde os quatro anos. E não foi uma escolha pessoal. Foi uma questão de saúde. Como sofria de asma e de alergias, o médico aconselhou que deveria tocar flauta, além de praticar natação. Os pais inscreveram-na numa escola de música, a então Fundação Musical dos Amigos das Crianças, em Lisboa. Inês Simões entrou para o coro e começou a trabalhar a voz para servir a música lírica. Quando lhe perguntam se sabe cantar "música normal", declara não saber como isso se faz. Cantar com o coro, em São Carlos, era uma normalidade. Pisou o palco, pela primeira vez, aos 11 anos e recorda-se de vaguear pelos corredores daquele teatro de ópera a brincar às escondidas. Passou pelo curso de canto da Universidade de Évora e terminou a licenciatura no curso da Orquestra Metropolitana. Mas sentia que faltava muita coisa. Decidiu ir fazer um mestrado na Guildhall School of Music and Drama, em Londres, e um segundo na English National Opera. Hoje, Inês divide o seu tempo entre Lisboa e Londres e refere dois concertos na Fundação Calouste Gulbenkian como momentos marcantes na sua carreira: Solomon, a oratória de Handel, e Play, a ópera de Jamie Man.

Fez sempre teatro também. Fale-nos sobre a encenação da ópera Play que cointerpretou no palco da Gulbenkian, em 2016…

Era uma chamada semiencenação. Não há, propriamente, uma história muito complexa com a ação. Era quase uma pequena história surreal, apenas com dois cantores. A personagem que eu interpretava tinha um nome um pouco abstrato… Chamava-se A Criança. Houve todo um trabalho de cordas japonesas… Só de preparação eram quatro horas, antes de entrar em palco. A meio [do espetáculo], punham-me um gancho e eu subia lá para o alto. E descia outra vez e cantava de imediato. Foi um desafio, sem dúvida.

 

Joana Gama, pianista

A 14 de janeiro deste ano, Joana esteve 14 horas a tocar o Vexatinos em loop, no lounge do edifício principal da Fundação Calouste Gulbenkian. Tratava-se de uma peça curta, escrita por Erik Satie, cuja partitura foi descoberta após a morte daquele compositor francês. Aquela peça tem uma indicação para se tocar 840 vezes seguidas e é preciso preparar-se de antemão, no maior silêncio, e nas mais sérias imobilidades, diz-nos Joana Gama. Esta pianista já tinha cometido a proeza, em Viseu, no festival Jardins Efémeros e, daquela vez, a preparação física teve o acompanhamento da Federação Portuguesa de Futebol. Joana sentiu muitas dores nas costas e nos ombros, não usou o pedal do piano e teve o fisioterapeuta da Seleção A a fazer-lhe massagens antes e depois da performance. Joana Gama nasceu em Braga e frequentou o Conservatório de Música Calouste Gulbenkian de Braga, uma escola pública de ensino integrado até ao 12.º ano, sediada naquela cidade. Logo no primeiro ano escolheu o piano. Esteve um ano em Londres, na Royal Academy of Music, mas decidiu terminar a licenciatura em Lisboa, na Escola Superior de Música, e fez o mestrado e o doutoramento na Universidade de Évora. O último grande concerto que deu foi no contexto do recente Festival Rescaldo: um solo no Panteão Nacional.

É também bailarina. Como é que a dança entrou na sua vida?

Sempre me interessou muito a relação da música com outras áreas. Em criança, quando comecei as aulas de piano, iniciei também as de ballet. Habituei-me a sentir a música através do corpo. Hoje, trabalho muito com a dança. Tenho uma peça com o coreógrafo Victor Hugo Pontes, chamada Noturno, em que entro como intérprete, a dançar. A [coreógrafa] Tânia Carvalho já fez um solo para mim chamado Danza Ricercata. Vi uma peça dela, Uma Lentidão que Parece uma Velocidade, que é uma frase do [Jean] Cocteau, em que a Tânia tocava piano e dançava, e aquilo foi mesmo um momento de viragem para mim. De repente, percebi que a junção das duas áreas era possível.

 

Júlia Reis e Maria Reis, as Pega Monstro

As referências no discurso de Maria Reis e de Júlia Reis, as irmãs que formam as Pega Monstro, vão desde a Música à Literatura (muito incutida pela mãe) e do Cinema às Artes Plásticas e desempenham um papel importante na forma como veem o mundo e o traduzem em canções. Foi com o álbum homónimo de estreia, lançado em 2012, que as Pega Monstro fizeram furor com uma apresentação realizada no sótão da loja da designer de moda Lidija Kolovrat, ao Príncipe Real, em Lisboa. Frequentavam, na altura, o ensino secundário. A energia eletrizante de reminiscências grunge saídas de uma bateria e de uma guitarra, com letras guturais de quem não pensa muito em abrilhantar o que sente, trouxeram uma frescura ao panorama da música portuguesa contra a qual a técnica ainda incipiente do duo pouco podia. Estava-se perante um diamante em bruto e isso era contagiante.

O B Fachada produziu o vosso primeiro disco, Pega Monstro. Qual a importância do B Fachada no vosso trabalho?

Maria: Fundamental. Não só para nós, mas para a música portuguesa, em geral. Quando começámos a tocar, uma das [nossas] piadas era gozar com ele, em privado. Nós não o conhecíamos. Gozávamos com ele e tínhamos músicas a gozar com ele. E foi assim que ele nos conheceu. Com as músicas a gozar com ele. E achou graça… porque podia não ter achado.

Júlia: Graça e interesse, acho eu…

Maria: Do que ele gostou mais foi dessa partilha de legado. Ele criou uma linguagem que vem muito daquilo que o Zeca [Afonso] fez, que é: aquilo que podes fazer de mais importante é possibilitar o futuro.

 

Marta Pereira da Costa, guitarrista

Durante um concerto do cabo-verdiano Bau, no lisboeta B’Leza, Marta descobriu que a guitarra portuguesa encaixa que nem uma luva na morna. Por isso, este ano, está na calha uma experiência com música cabo-verdiana para a qual convidou os músicos Tito Paris, Rui Veloso e Edu Miranda. Marta Pereira da Costa é a figura mais visível da guitarra portuguesa tocada no feminino e interessa-lhe explorar o instrumento com sonoridades que vão para além do fado. Foi o pai, um apaixonado pela guitarra portuguesa, que lhe sugeriu ir estudar o instrumento. O seu primeiro professor foi Carlos Gonçalves, o guitarrista de Amália Rodrigues. E Marta apaixonou-se pela guitarra, começando a frequentar casas de fado e a conhecer as pessoas desse meio artístico. A guitarra portuguesa tem uma afinação diferente da guitarra clássica. As cordas estão muito esticadas e é um instrumento muito duro de tocar. É preciso ter calos nas mãos, nos sítios certos, e é a adaptação das duas unhas, no polegar e no indicador, que caracteriza a sonoridade do guitarrista. Tanto nas casas de fado como em palco, Marta habituou-se a sentir o espanto das pessoas ao verem uma mulher a tocar num mundo de homens e reconhece que se trata de uma questão de tradição. Mas pode ser que isso mude.

Acaba de editar um disco, de nome homónimo. A composição de temas foi uma naturalidade ou surgiu de uma necessidade, de uma urgência?

Foi muito natural. Toco piano desde os quatro anos e até toco melhor piano do que guitarra portuguesa. Nunca consegui compor no piano. E na guitarra portuguesa consegui exprimir-me e comecei a ter ideias e a passá-las para a guitarra. E as coisas foram surgindo, naturalmente. Fui mostrando sempre muita insegurança porque nunca tinha feito aquilo, mas foram-me dizendo que o que fazia era bonito e que soava bem. Eu ganhei coragem para continuar e gosto muito de compor. Tenho sempre muita música na minha cabeça.

 

Rita Carmo, fotógrafa

Costuma vestir preto integral e não dispensa o eyeliner da mesma cor. Mas Rita esclarece que não é gótica e que tem, até, um gosto musical bastante eclético. A roupa preta tem a ver com o facto de todos os profissionais que trabalham junto à boca de palco usarem roupa escura para não desviarem as atenções dos espectadores dos concertos. Rita Carmo é a figura em quem se pensa primeiro quando se pensa em fotografia na área da música – fotografa há 26 anos – e muita dessa experiência advém da colaboração longa que mantém com a Blitz e que se estendeu, entretanto, ao Expresso e ao formato em vídeo. Preenche a época musical baixa a dar formação em instituições como a Restart, a World Academy, o Instituto Português de Fotografia ou o Cenjor. A experiência de conhecer bem as bandas e de saber que, por exemplo, Mikka ou Ricky Wilson, o vocalista dos Kaiser Chiefs, dão muitos saltos em palco, acaba por lhe facilitar bastante o trabalho e não a apanhar de surpresa. Inclusive na escolha das objetivas e na velocidade a que deve fotografar o concerto.

Já fotografou muitas bandas, várias vezes… Onde consegue ir buscar um olhar novo?

Os espaços e os concertos são sempre diferentes. Se forem em nome próprio, muitas vezes há mais restrições para fotografar. O público também é sempre diferente. Por acaso, há uns anos, fotografei o Nitin Sawhney, na Aula Magna, no início de uma tour. Ele voltou cá, um ou dois anos depois, no fim dessa mesma tour. Isso foi bizarro porque eu fui ao meu arquivo e apercebi-me de que a roupa era a mesma, as músicas tinham sido as mesmas e que era tudo igual. É estranho perceber que há ali uma coreografia e que tudo se repete para eles.

 

Vanessa Careta, booker

As primeiras memórias musicais que guarda são as do pai a dar-lhe a conhecer Chico Buarque, Gilberto Gil, Maria Bethânia, Pink Floyd, Genesis ou Yes. Programadora de música, assistente de Álvaro Covões na Everything is New e promotora de festivais como o Nos Alive, Vanessa Careta fez, há pouco tempo, uma surpresa ao pai. Durante o processo de booking, as contratações têm de ser mantidas no segredo dos deuses e, para dizer ao pai que iria levá-lo a um dos concertos de Chico Buarque, que aconteceram de 7 a 10 de junho, no Coliseu de Lisboa, sugeriu-lhe ver o jornal televisivo da noite, que abriu precisamente com essa notícia. Foi a forma de o homenagear e agradecer-lhe a formação musical que lhe deu. Antes, passou por outra promotora, a Música no Coração, com a qual viu nascer o hoje intitulado Vodafone Mexefest, o festival que apostou no ecletismo da programação e numa forma diferente de fruição: a circulação por diversos espaços de média dimensão existentes junto à Avenida da Liberdade, em Lisboa. O primeiro disco que Vanessa recebeu do pai quando tinha dois ou três anos de idade foi o EP em vinil Rupert and the Frog Song, de Paul McCartney.

São muitas as coisas novas a acontecer. O público está preparado?

Isso é muito relativo. Acho que se encontrares um pontozinho de familiaridade podes apresentar coisas novas a toda a gente. E acho que temos um público que é também muito disponível. O público português gosta muito de música, estamos sempre a dizer que somos o melhor público e eu acho que sim, pois há muita emoção nas pessoas que vão aos concertos e isso, bem ou mal, traduz-se numa abertura maior. Se ouves música pelos sentimentos que ela te provoca, não vais ficar bloqueada por géneros ou por aquele artista que descobriste quando tinhas 16 anos. A Internet também traz muita música nova e, sobretudo, o público mais novo, dos 25 anos para baixo, tem mesmo muita disponibilidade para ouvir coisas diferentes.

 

Yen Sung, DJ

É invariavelmente referida como uma das primeiras mulheres DJ do país, mas falta dizer que é, igualmente, uma das primeiras mulheres rappers. Integrou a formação dos primeiros tempos dos Da Weasel. Podemos ouvir a sua voz em God Bless Johnny, uma das canções seminais da banda de hip-hop portuguesa. Yen Sung começou a passar música no Frágil, no Bairro Alto, numa época em que ia regularmente a Londres para comprar vinis. Hoje, é DJ residente da discoteca Lux Frágil. Integra a equipa que faz o programa Lux Frágil FM, na rádio SBSR, e considera que o seu perfil enquanto DJ é feito da bagagem de toda a música que pesquisou, conheceu e passou nos pratos. Se antes andava com quilos de discos às costas, hoje tira partido da tecnologia e nela integra toda a sua história feita de música, aquela que chama de conquistas. Yen acredita que a idade torna os DJ mais seguros, ainda que o nervoso miudinho esteja sempre presente. Mas, quando passa a primeira música, tudo flui. E tudo se torna leveza.

O que ouve em casa?

Quase nada. Preciso muito de silêncio. Isto é algo que a maior parte dos DJ acha estranho. Tenho tanta música e não ouço muita porque preciso de silêncio. Até porque em casa tenho de procurar música. Oiço música quando estou a pesquisar. Quando acabo de trabalhar eu não vou pôr um disco… Não me apetece. Quero silêncio.

 

Styling: Susana Marques Pinto e Xana Guerra
Assistente de styling: Beatriz Clemente
Maquilhagem: Miguel Stapleton, assistido por Beatriz Silva e Rita Fialho
Cabelos: Helena Vaz Pereira e Sofia Cardoso para Griffe Hairstyle (com produtos L’Oréal Profissionel) e Rita Fialho
Assistentes de fotografia: Ana Viegas e João Taínha
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