Culturas

As zonas costeiras menos exploradas

Trocámos Amalfi, a Riviera Francesa e a Dalmácia por costas menos conhecidas mas igualmente belas. Paragens para percorrer de lés a lés, sem as habituais hordas turísticas.
Por Mafalda Sequeira Braga, 18.04.2019
COSTA TIRRENA, ITÁLIA
Deve o seu nome ao mar que se estende ao longo de toda a costa oeste italiana, embora se refira apenas à zona entre Palermo e Milazzo, na Sicília, isto é, a ponta da bota. Em muito semelhante à costa amalfitana, com um cenário deslumbrante de praia e montanha, tem a vantagem de não ser tão conhecida e, por isso, menos procurada. Uma das principais atrações é Cefalù, cidade medieval escolhida por Giuseppe Tornatore para filmar partes do seu consagrado Cinema Paraíso. Vale a pena desviar-se um pouco do litoral, aventurando-se nos Parques Naturais de Madonie e Nebrodi, antes de partir do porto de Milazzo – o segundo maior da Sicília – para visitar as ilhas Eólias, repletas de fenómenos vulcânicos e mitologia.
Onde ficar Grand Hotel Villa Igiea, em Palermo. Restaurado nos finais do século XIX por Ernesto Basile, famoso arquiteto de Arte Nova, mantém ainda a decoração, o mobiliário e os frescos originais. A partir de €112,50.
 
CABO DA GATA, ESPANHA
Localizado numa das orlas costeiras de maior riqueza ecológica do Mediterrâneo Ocidental, este promontório é um trecho praticamente intocado da província de Almería que inspirou García Lorca a escrever Bodas de Sangue e Sergio Leone a realizar os seus spaghetti westerns. Não deve o seu nome a nenhum animal, mas sim a pedras preciosas: ágatas. Havia-as em abundância na região, mas, por contração fonética, o termo Gata acabou por ficar. Inserido num parque natural de origem vulcânica e aparência lunar protegido por organizações como a UNESCO, divide-se entre praias de azul cristalino, como a Playa de los Muertos, e vilas de pescadores, como a de San José.
Onde ficar MC San José. Os hóspedes podem escolher entre quartos no piso térreo com jardim ou no andar de cima, com terraço. Como não podia deixar de ser, o hotel adotou fortes medidas de sustentabilidade, como é o caso do sistema de depuração natural da água da piscina. A partir de €58,50.
 
SINALOA, MÉXICO
Esqueça Cancun, Cabo San Lucas e Acapulco. Menos concorrido, mas com lugares igualmente atrativos, este estado mexicano tem, em Mazatlán, a sua joia da coroa. Dotada de uma costa com cerca de 20 quilómetros de praias, lagoas e até algumas ilhas, não é por acaso que se chama A Pérola do Pacífico. A sua fervilhante Zona Dorada, repleta de hotéis, bares, lojas e restaurantes, é ponto de partida para Isla de Pájaros, Isla de Venados e Isla de Lobos, que fazem parte de uma reserva ecológica. De resto, a cidade foi feita para ser percorrida a pé, tanto ao longo da orla marítima como no centro histórico, enriquecido por detalhes e acabamentos neoclássicos.
Onde ficar Pueblo Bonito Emerald Bay Resort & Spa, em Mazatlán. O grupo Pueblo Bonito tem oito resorts, cinco em Cabo San Lucas e três em Sinaloa. Este está situado num terreno de mais de oito hectares com vista para o Pacífico e dispõe de praia privativa, onde é possível fazer aulas de yoga. A partir de €163.
 
COSTA DE LA LUZ, ESPANHA
Os nomes não enganam. Se a Costa del Sol, que é um dos destinos de praia mais procurados da Europa, é o local mais ensolarado de Espanha, a Costa de la Luz pode ser a mais luminosa. Pelo menos, a areia é mais fina e de cor mais dourada que a da vizinha. Encontramo-la na parte ocidental da região da Andaluzia, incluindo as populares cidades de Tarifa, Cádiz e Huelva, até à fronteira com Portugal. Ainda pouco explorada, conta com praias amplas e enseadas escondidas, oferecendo condições muito favoráveis para a prática de desportos aquáticos, uma vez que é mais ventosa. Mesmo junto ao Algarve fica Isla Canela, seguindo-se Isla Cristina, Islantilla e El Portil, estâncias com todo o tipo de apoios para desfrutar de umas férias em família.
Onde ficar Casa La Siesta, em Vejer. É uma casa de campo que se parece com uma villa romana. Tem nove quartos com terraços privativos e duas piscinas comuns, uma delas aquecida. A partir de €165.
 
CÔTE VERMEILLE, FRANÇA
Azuis para um lado, vermelhos para o outro. Não estamos a falar de preferências clubísticas, mas sim de zonas costeiras. Enquanto as massas vão para o lado oriental do sul de França, na Côte d’Azur, experimente ir para o lado ocidental, até à fronteira com Espanha. Não se vai desiludir. Chamam-lhe a Catalunha Francesa, pois a língua e cultura catalãs estenderam-se também aos Pirenéus Orientais. A proximidade entre praias, vinhas, cidades e montanhas no litoral é uma vantagem, atraindo diferentes tipos de público ao longo de todo o ano. Os pontos de paragem obrigatórios incluem a vila histórica de Collioure, com o seu castelo à beira-mar, e a cidade de Perpignan, a que Salvador Dalí chamou de "centro do mundo".
Onde ficar Relais des Trois Mas, em Collioure. É um quatro estrelas encaixado nas rochas por cima de uma pequena praia, com vista para a baía e para a igreja de Notre Dame des Anges. O chef do restaurante do hotel tem uma estrela Michelin no currículo. A partir de €150.
 
PENÍNSULA DELIMARA, MALTA
É certo que este pequeno país no meio do Mar Mediterrâneo já deixou de ser um segredo para muitos, mas Delimara ainda não está ao nível de outras atrações turísticas superlotadas, compreendendo uma das poucas áreas costeiras intactas de Malta. E ainda bem. Neste cabo a sul da ilha, encontramos bons locais para nadar, incluindo enseadas rochosas como a de St. Peter’s Pool. A água é clara e bastante profunda para mergulhos. Mais acima, é possível caminhar ao longo da baía de Hofra Iz-Zghira e espreitar as salinas. A vila onde a península se insere, Marsaxlokk, tem um dos principais portos do país e os seus barcos de pesca coloridos fazem as delícias de fotógrafos amadores. Além de um bom mercado de peixe, há nas redondezas restaurantes de marisco que valem a visita.
Onde ficar Port View Guest House, em Marsaxlokk.Este bed and breakfast foi fundado por uma família em 2013 e oferece quartos duplos e quádruplos. A partir de €97.
 
KAMENJAK, CROÁCIA
Tem uma beleza acidentada e uma mística de fim do mundo que atrai cada vez mais pessoas, mas é sempre possível relaxar em enseadas menos concorridas. Há muitas por onde escolher no cabo mais meridional da península recortada de Ístria – este espaço protegido de natureza virgem e mar transparente estende-se por cerca de 30 quilómetros de costa, incluindo onze ilhas inabitadas. Para entrar na reserva, que abriga algumas das últimas espécies animais e vegetais do planeta e até pegadas de dinossauros, paga-se uma taxa de €5 e não é permitido ficar depois das 22 horas. A visita faz-se rapidamente, mas se subirmos, encontramos um litoral não menos deslumbrante, no percurso que liga a cidade de Pula à de Rovinj, passando pelas ilhas Brijuni.
Onde ficar Villa Sunrise, em Premantura. Os dois apartamentos desta moderna propriedade têm de ser arrendados juntos. O dono encontra-se no último piso do edifício, estando sempre à disposição dos hóspedes. A partir de €1680 por semana.
 
PENÍNSULA LUŠTICA, MONTENEGRO
Com cerca de 35 quilómetros de costa, o que representa 12% do litoral do país, separa as águas limpas e mornas do Mar Adriático do fiorde de Boka Kotorska, dando origem à baía de Kotor. É nesta península, relativamente intocada, que encontramos a verdadeira essência montenegrina, enraizada num estilo de vida tradicional e simples que pouco mudou em séculos de história. Por ter uma comunidade isolada, há pequenos produtores a fazer o seu próprio azeite, queijo e vinho. Muitas excursões partem de barco da cidade de Herceg Novi, do lado oposto, para visitar praias e resorts como Dobrec, Žanjice ou Pržno, este último já na base da península. Uma das principais atrações é a Gruta Azul, com nove metros de altura e acessível apenas de kayak – uma vez lá dentro, é possível nadar e mergulhar.
Onde ficar Forte Rose Resort, em Rose. Instalado num forte, o hotel disponibiliza serviço de aluguer de barcos e bicicletas. A partir de €77.
 
COSTA DE SUFFOLK, INGLATERRA
Bem sabemos que esta não é uma das escolhas mais óbvias no que diz respeito a férias com praia, mas dentro do território britânico, Suffolk é a melhor opção. Isto porque, quando está bom tempo em Inglaterra, locais como Brighton enchem rapidamente. Já aqui, as filas intermináveis de trânsito desaparecem, até porque não há uma estrada costeira pois a natureza não o permitiu. É preciso seguir por dentro, através de florestas e vastos campos de urze, ao longo de uma região classificada pelo governo como Área de Destacada Beleza Natural, que se estende do estuário de Stour a Kessingland, mais a norte. Para alcançar as vilas à beira-mar e as praias (de cascalho) praticamente desertas, há trilhos para percorrer a pé ou de bicicleta.
Onde ficar Brudenell Hotel, em Aldeburgh. É um quatro estrelas simples que tem a vantagem de estar virado para o mar. O restaurante serve pratos originais feitos com peixe apanhado no local. A partir de €170.
 
COSTA CORAL, AUSTRÁLIA
É difícil escolher entre a costa este ou oeste do país: são as duas incríveis e há muito para ver e fazer em ambas. Mas a este, onde fica a famosa Costa Dourada, as infraestruturas são melhores e há mais sítios para dormir e comer. É por isso que sugerimos o lado oposto, entre Perth e Exmouth. São quase três mil quilómetros, que teria de percorrer em, pelo menos, dez dias de viagem de carro, a maior parte pela Indian Ocean Drive. Depois, as paragens podem incluir conhecer as formações naturais do deserto dos Pináculos, em Cervantes, saltar de paraquedas sobre as paradisíacas praias de Jurien Bay, provar as lagostas da cidade de Geraldton, fazer uma caminhada através dos desfiladeiros do Parque Nacional de Kalbarri e alimentar à mão os golfinhos de Monkey Mia.
Onde ficar Ningaloo Reef Resort, em Coral Bay. Fica num parque marinho considerado Património Mundial da UNESCO, com uma barreira de corais que se estende por cerca de 260 quilómetros. A maior atração é nadar com os tubarões-baleia. A partir de €148.
Tags: costas zonas costeiras viagens destinos itália espanha frança méxico malta montenegro croácia inglaterra austrália
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