Culturas

Anne Frank faria hoje 90 anos

A Fundação Anne Frank homenageia o aniversário de Anne Frank, que se celebraria hoje, 12 de junho, com uma exposição online de cinco fotografias que mostram a casa da sua família em Amesterdão, na Holanda. Saiba mais sobre a história da autora do Diário de Anne Frank.
Por Ana Rita Paiva, 12.06.2019

A exibição online que a Fundação Anne Frank preparou para assinalar aquele que seria o 90º aniversário de Anne Frank mostra documentos inéditos, bem como o único vídeo conhecido de Anne, filmado num casamento, e ainda a única fotografia da escritora ao lado dos pais e da irmã.

A exposição online, disponibilizada na plataforma Google Arts & Culture, permite visitar a casa através da tecnologia de street view de 360 graus, incluindo o quarto que Anne dividia com a irmã, Margot. Atualmente, a antiga casa da família Frank está alugada para a Fundação Holandesa de Literatura desde 2005, e funciona como proteção para autores estrangeiros que não têm liberdade para escrever nos seus próprios países.

Quem foi Anne Frank?
Anne Frank nasceu em Frankfurt, no dia 12 de junho de 1929 (hoje completaria 90 anos) no seio de uma família judia que em 1934 se viu obrigada a fugir para a Holanda por causa da comunidade nazi sob a soberania de Hitler. Para mal desta família e de muitas outras, em 1940, os nazis invadiram a Holanda e dois anos depois reforçaram a perseguição à população judaica, o que obrigou os Frank a esconderem-se numa casa com todos os outros perseguidos, lá permanecendo, escondidos, durante dois anos. Foi nesta altura que a autora começou a escrever o seu diário, no ano em que completava 13 anos. Registou todos os momentos pelos quais passou nos dois anos seguintes, sendo que a sua última anotação foi registada no dia 1 de agosto de 1944. Três dias depois os nazis descobriram-lhes o esconderijo. Anne foi levada para o campo de concentração de Bergen-Belsen, onde morreu no início de 1945, com 15 anos. O seu diário foi deixado em Amesterdão e foi conservado por dois funcionários de Otto Frank, pai da autora.


Quantas versões de "O Diário de Anne Frank" existem?
Quatro. A primeira, chamada de a versão "A", é o manuscrito original, sem cortes. A segunda é a versão verificada pela própria Anne. Quando ouviu na rádio, em 29 de março de 1944, que Gerrit Bolkestein, um membro do governo holandês no exílio, pretendia transformar cartas e diários em documentos históricos assim que a Segunda Guerra acabasse, a jovem decidiu reescrever o seu diário, usando nomes falsos. A terceira é a versão editada pelo seu pai, Otto Frank, em 1947. Nesta versão, estão omitidas as reflexões de Anne sobre sexualidade ou as suas explosões de raiva contra a mãe, Edith. A quarta (e última) versão é a versão revista, ampliada e organizada pela escritora alemã Mirjam Pressler. Foi lançada em 1995, como sendo a "edição definitiva", de mais de 700 páginas.

A que horas Anne Frank escrevia no seu diário?
Normalmente era à tarde, quando a maioria dos residentes no "anexo secreto" fazia uma sesta. O esconderijo era dividido entre a família Frank (Otto, Edith, Margot e Anne) e a família Van Pels (o sócio de Otto, Hermann, a sua mulher Auguste, e seu filho Peter). Escritora compulsiva, Anne usou um diário, dois cadernos e 324 folhas para escrever e reescrever as suas memórias. Anne passava as manhãs a ler e a estudar. Por volta das 12h30 almoçava e, a seguir ligava o rádio na BBC para ouvir as notícias. Como nenhum dos moradores podia abandonar o esconderijo, quem levava roupas e alimentos para eles eram quatro empregados da confiança de Otto: Miep Gies, Johannes Kleiman, Victor Kugler e Bep Voskuijl. Só tomavam banho aos sábados ou domingos, num balde com água aquecida.

O esconderijo foi denunciado ou descoberto por acaso?
Até dezembro de 2016, a hipótese mais provável e discutida foi a de que este esconderijo havia sido denunciado de forma anónima. No entanto, um estudo da Casa de Anne Frank indica que o esconderijo pode ter sido encontrado por acaso. Os nazis que descobriram o seu paradeiro no dia 4 de agosto de 1944 estavam a investigar uma possível fraude na distribuição de alimentos.

Como foram os últimos dias de Anne Frank no campo de concentração de Bergen-Belsen?
Nanette Blitz Konig, colega de Anne Frank no liceu judaico, foi uma das últimas pessoas a ver a escritora com vida. Já na escola, Anne mostrava a sua paixão pela escrita. Quando questionada pelas colegas sobre o que tanto escrevia no seu diário, respondia: "Não é da tua conta!". O seu sonho, quando crescesse, era ser jornalista ou escritora. Por infelicidade, Anne e Nanette voltaram a encontrar-se, através de uma cerca de arame farpado, no campo de concentração em Bergen-Belsen. Nanette Koni vive no Brasil desde 1953, na companhia do marido. As irmãs Anne e Margot morreram em fevereiro de 1945, aos 15 e 18 anos, respetivamente.


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