Culturas

A miúda da banda noise

O disco do mês pertence a Kim Gordon, que aos 66 anos apresenta o seu primeiro projeto a solo: No Music Record. Leia mais sobre a artista e o disco.
Por Rita Silva Avelar, 01.10.2019

Segundo reza a história, numa Londres dos anos 80 marcada por um cenário musical caótico e maravilhosamente diverso, e algures no decorrer do ano de 1984, os Sonic Youth deram um concerto estrondoso. Considerado brilhantemente artístico para uns e desastrosamente pretensioso para outros, esse momento musical é evocado por Kim Gordon (Rochester, Nova Iorque, 1953), num artigo que escreveu para o The Guardian, em 2015. Rotulá-la baixista, guitarrista e vocalista dos Sonic Youth será no mínimo redutor. Filha de pai sociólogo e de mãe costureira, Kim Gordon fundou os Sonic Youth em 1981 com Thurston Mooree e Lee Ranaldo, tendo fundado também, mais tarde, bandas como Free Kitten ou Body/Head. Formada pelo Otis Art Institute em Los Angeles, tornou-se também artista visual e curadora de várias exposições, como as recentes She Bites Her Tender Mind, no Museu Irlandês de Arte Moderna de Dublin, ou a Lo-Fi Glamour, no The Andy Warhol Museum, em Pittsburgh. Em 1993, lançou uma marca de roupa, a X-Girl. Mais recentemente, a sua presença no cinema fez-se notar em filmes como Não Estou Aí (2007, de Todd Haynes), sobre Bob Dylan, em As Vantagens de ser Invisível (2012, de Stephen Chbosky) ou em Não Te Preocupes, Não Irá Longe a Pé (2018, de Gus Van Sant). Em 2015, lançou o livro de memórias Girl in a Band, um bestseller do The New York Times, que o classificou como "um livro sobre sobrevivência, tanto da pessoa como da artista". Uma artista completa, ela própria produtora, Kim Gordon anuncia agora um disco de estreia a solo, aos 66 anos, depois de uma carreira de quase 40. Em No Home Record, nome que é uma alusão ao documentário No Home Movie do diretor belga Chantal Akerman (2015), há ecos de Sonic Youth, sim, mas uma sonoridade a que poderíamos mesmo chamar de Kim Gordon, de tão particular que é. Em Sketch Artist, uma das nove músicas, transparece uma certa inquietação de espírito, que Kim Gordon, através das suas múltiplas metamorfoses sonoras, sempre incorporou. Há, aliás, uma sensação de procura e insatisfação constantes. Afinal, e como a Pitchfork escreve, "sempre houve uma desolação visceral bruta no trabalho de Kim Gordon". O disco No Home Record é, por fim, a compilação dessa essência simultaneamente inquieta e sublime.

Quando A 11 de outubro, via Matador Records

Preço Vinil LP, €20,80; CD, €13

Concerto A 28 de fevereiro de 2020, no Key West Theater, Florida, EUA

Nostalgias

Ainda que pudessem parecer algo esquecidos, os singles Broken (2017) e Melody Noir (2018), de Patrick Watson, surgem agora no novíssimo projeto do artista: Wave. Dono de uma voz doce e melancólica, da qual sobressai o inconfundível falsete, Watson nunca deixa de soar a indie e a folk, com influências da música clássica. É editado a 18 de outubro.

A estrela

Eleita Rising Star de 2019 pela revista americana Downbeat, Sara Serpa é um dos maiores talentos femininos no panorama do jazz mundial. No dia 19, às 21h00, acompanhada por Ingrid Laubrock no saxofone e por Erik Friedlander no violoncelo, Serpa sobe ao palco do Pequeno Auditório do CCB para apresentar o disco Close Up, num exercício de experimentação inspirador.

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