Culturas

6 livros para ler nas férias

As sugestões de leitura do mês, ideais para ler na esplanada do bar da cidade, ou no sossego do areal da praia.
Por Rita Lúcio Martins, 09.08.2019

As histórias primeiro

É com esta frase ("stories first") que o fotógrafo holandês se apresenta no Instagram, rede social onde conta com mais de 120 mil seguidores. É aí que apresenta boa parte do seu trabalho, agora devidamente curado e editado em forma de livro. Tales From The Roads Less Traveled (teNeues) é um apurado exercício de story telling, onde se reúnem imagens de lugares remotos, seja uma pequena vila perdida nos Himalaias, as planícies da Bolívia ou a paisagem acidentada e arrebatadora dos Andes, tudo complementado com factos curiosos sobre cada um destes lugares extraordinários. Por tudo isso, o livro funciona como um passaporte para a mais improvável viagem guiada pelo olhar do fotógrafo que, nestas incursões, se faz acompanhar de Jessica Wintz, a namorada (que, não raras vezes, também é sua modelo). Mais do que um livro de fotografia, é insight sensível e sensorial sobre o planeta, dando margem para reflexões em torno de conceitos como pertença ou comunidade.

Casas com vida

Figura incontornável da história do século XX, Winston Churchill tem sido protagonista de vários livros e filmes (dois deles são, aliás, bem recentes: Churchill e a Hora Mais Negra, ambos de 2017). A singularidade desta nova biografia assinada pelas jornalistas Sarah Gristwood e Margaret Gaskin e editada pela Rizzoli é precisamente a de centrar o olhar na casa onde o estadista viveu durante mais de 40 anos e onde se refugiou quando abandonou a política ativa. Palco de importantes momentos quer da vida pessoal como da diplomacia internacional, Chartwell, além de refúgio, era uma pequena obsessão de Churchill, que nela investiu boa parte da sua fortuna: "Um dia longe de Chartwell é um dia desperdiçado", terá proferido. Escrito de forma biográfica, o livro apresenta ainda inúmeras fotografias do local, algumas delas nunca antes publicadas.

Tu Sabes Que Queres, de Kristen Roupenian (Relógio D’Água)

O jornal britânico The Economist classificou este livro como "um objeto de estudo para homens e mulheres", o que não deixa de ser algo surpreendente e bastante promissor, tendo em conta que o livro em causa é um conjunto de 12 contos. Entre eles, um brilha mais alto: Amante de Gatos, um texto que reflete de uma forma desassombrada os sentimentos de uma geração mais jovem de mulheres, socialmente pressionadas a uma simpatia desmedida e a qualquer custo. Género, sexo e poder são alguns dos temas transversais e estruturantes.

The Need, de Helen Phillips (Simon & Schuster)

Recém-publicado internacionalmente, é o quinto livro da premiada escritora norte-americana, que aqui apresenta um thriller psicológico centrado na personagem de uma mãe. Molly é uma cientista a viver um pico de stress que se transforma em algo de mais intenso e assustador no dia em que um estranho lhe invade a casa, ameaçando a segurança dos seus filhos. Arrebatadora e quase asfixiante, a história cruza amor, medo, sanidade e humor (tal como a própria maternidade).

Last Witnesses: An Oral History of the Children of World War II, de Svetalana Alexievich (Random House)

A autora do aclamado Vozes de Chernobyl está de volta com um livro onde reúne as dezenas de entrevistas que fez aos sobreviventes da II Guerra Mundial. Historiadora reputada, distinguida com o Prémio Nobel da Literatura em 2015, Svetlana acrescenta assim uma importante adenda à história do século XX, ao mesmo tempo que volta a evidenciar uma sensibilidade particular e uma especial eloquência enquanto narradora de uma era. O livro acaba de ser editado nos Estados Unidos, não dispondo ainda de tradução nacional.

Feminismo para os 99%, Um Manifesto, de Cinzia Arruza, Tithi Bhattacharya e Nancy Fraser (Objectiva)

Assinado por três professoras que foram também importantes dinamizadoras da Marcha Internacional das Mulheres nos Estados Unidos, este livro apresenta diferentes teses que expõem a urgência em resgatar as lutas feministas no seu mais amplo propósito: uma reorganização da sociedade de forma a que se beneficie, de facto, a maioria da população e não apenas 1% dos habitualmente privilegiados. Mais do que a importância da representatividade feminina nas estruturas de topo das grandes empresas, este livro reclama essa emancipação em todas as áreas sociais.

Tags: artes cultura literatura; o que ler nas férias ler livros sugestões de leitura leituras de verão
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