Culturas

12 Livros para ler agora

Estes são os 12 livros que deve começar a ler desde já.
Por Rita Lúcio Martins, 22.05.2019

Moda Ilustrada
Olhar a história da fotografia de moda implica folhear algumas das mais conceituadas revistas da especialidade. Mais do que montras privilegiadas do trabalho de alguns dos mais talentosos criativos e fotógrafos, elas funcionam como tubos de ensaio que depressa podem romper com as convenções, ajudando a traçar novos códigos de estilo. Issues – A History of Photography in Fashion Magazines (Phaidon), do nova-iorquino Vince Aletti, um conceituado crítico de fotografia, apresenta-se como sendo o primeiro livro a expor – de forma crítica – a história da fotografia de moda nas revistas de especialidade, ao longo do último século. O autor mergulhou no seu vasto arquivo pessoal e selecionou cem editoriais de moda que, por diferentes motivos, ajudaram a revelar esta vertente menos explorada (mas sempre surpreendente) da história da fotografia.

O poder da palavra
Inspiradores, impulsionadores, transformadores. Poderosas armas políticas e sociais, os discursos, quando eficazes, são capazes de uma mobilização sem tempo nem fronteiras. E a História – da Grécia Antiga à atualidade – está bem recheada de exemplos destes. 100 Speeches That Changed the World (Rizzoli) é o livro que compila cem destes momentos históricos. Nas suas páginas podemos encontrar as palavras de Isabel I, na preparação da receção à Armada Invencível (1588), mas também os discursos de Franklin D. Roosevelt (Only thing we have to fear is fear itself, 1933), de Winston Churchill (Blood, Sweat and Tears, 1940), de Martin Luther King (I Have a Dream, 1963), de Margaret Tatcher (The Lady’s not for Turning, 1980) ou as inspiradoras palavras proferidas por Nelson Mandela, aquando da sua libertação, em 1990. Colin Salter, o autor, não se limitou a identificar os mais célebres oradores e os momentos que os eternizam, como também desmontou as suas palavras, analisando com detalhe todo o seu poder catalisador.

Viagens, de Olga Tokarczuk (Cavalo de Ferro)
Foi a grande vencedora do Prémio Man Booker Internacional de 2018 e finalista do prestigiado prémio Femina estrangeiro, no mesmo ano. O reconhecimento do talento desta polaca formada em Psicologia já vinha de trás, tendo recebido várias distinções no seu país de origem, mas o aplauso internacional chegou com esta obra onde junta várias histórias em torno do conceito de viagem, do corpo em movimento, seja no tempo ou no espaço. Com uma escrita intrigante e pouco convencional, a autora faz a sua reflexão em torno do significado da própria humanidade.

As Regras da Cortesia, de Amor Towles (D. Quixote)
Neste que foi o primeiro romance do autor de Um Gentleman em Moscovo ficou desde logo evidente todo o seu talento para a recriação de ambientes de época, descritos de uma forma rendilhada e envolvente, capaz de transportar o leitor. No caso, a viagem faz-se até à Nova Iorque dos anos 30, uma cidade que sai da Grande Depressão com festas e champanhe, e onde conhecemos Katey, a protagonista e narradora, uma humilde filha de emigrantes russos cuja vida muda na noite em que conhece um poderoso banqueiro.

O Fim da Solidão, de Benedict Wells (Asa)
Distinguido com o Prémio de Literatura da União Europeia, este é o quarto e mais aclamado livro do autor alemão que assume ter-se inspirado em factos biográficos. "Este foi o livro que eu tive de escrever. Os próximos são os livros que eu quero escrever. Agora sinto-me totalmente livre." Nesta obra, já traduzida em mais de trinta línguas, conta a história de três irmãos que, depois de perderem os pais, crescem em colégios internos. Também ele um aluno destas instituições (frequentou três), o autor escreve sobre solidão e memória, mas também sobre esperança e amizade.

A Piscina, de Libby Page (Bertrand Editora)
Há qualquer coisa de profundamente delicado e belo na forma como esta jovem autora inglesa (cuja grande paixão, depois da escrita, é a natação) conta a história de um casamento. A piscina que inspira o título é o cenário da reportagem de uma jovem jornalista, destacada para cobrir a notícia do encerramento de um complexo desportivo. É lá que conhece uma viúva octogenária que ali viveu o seu grande amor. Entre a entrevista e a memória nasce uma grande amizade.

Proud Mary
Quando Mary Quant recebeu a distinção real Order of the British Empire (OBE) no Palácio de Buckingham, em 1966, usou, claro, minissaia. Afinal, a designer de moda que, em 2015, viria a receber também o título de Dama, ficou famosa não só por popularizar esta peça, mas também por outras revoluções da moda que marcaram a história da década de 1960. A partir de abril, o Museu Victoria & Albert, em Londres, reúne mais de 200 peças de vestuário e acessórios, entre elas algumas do arquivo pessoal da criadora agora com 89 anos, na exposição retrospetiva Mary Quant. Assinado por Jenny Lister (curadora de Moda e Têxteis no referido museu) e pela prestigiada jornalista Suzy Menkes, o livro que acompanha a exposição – e que foi escrito beneficiando de um acesso direto aos arquivos da designer – mostra de que forma Quant democratizou a moda, ao mesmo tempo que recupera a sua história mais pessoal, da passagem pela escola de artes à criação de uma marca icónica.

Decifrar a elegância
Quando Diana Vreeland, a mítica diretora da Vogue americana, viu Tonne Goodman pela primeira vez, num elevador da Condé Nast, não deixou que passasse despercebida. Logo a descreveu às suas editoras como não sendo particularmente bonita, mas tendo uma constituição óssea proporcional e perfeita, de certa forma aristocrática. Tantos anos depois, essa continua a ser uma boa forma de descrever a mulher que, ao longo das duas últimas décadas, tanto fez pela elegância no feminino em geral, como pelo estilo das norte-americanas em particular. Point of Vue: Four Decades of Defining Style (Abrams Books), a sua biografia visual, revela de que forma foi o seu sentido estético ganhando forma, desde o berço (os seus pais chegaram a ser considerados como o casal mais bem-parecido de Nova Iorque) à formação, passando pela breve carreira de modelo e, mais tarde, de jornalista e editora em publicações como a The New York Times Magazine, a Harper’s Bazaar ou a Vogue, cuja colaboração começou em 1999.

Milkman, de Anna Burns (Porto Editora)
Depois de No Bones e Little Constructions, a irlandesa Anna Burns escreveu este Milkman que, após ter arrecadado o Man Booker Prize de 2018, tem finalmente uma tradução nacional. Um livro sobre assédio e violência mas também sobre o risco dos boatos, mais perigosos ainda em cenários de turbulência social. Aquando da distinção, o júri enalteceu as qualidades literárias da autora, sobretudo na construção de uma protagonista cheia de graça e de camadas que, através da sua história, nos deixa entrever o panorama social da Irlanda do Norte dos anos 70.

A Filha Devolvida, de Donatella di Pietrantonio (Asa)
O título do livro desvenda parte da intriga: a história de uma menina de 13 anos que descobre que o homem e a mulher que a criaram não são os seus pais biológicos. É então obrigada a trocar uma existência de sossegos e confortos pela árida vida de aldeia, numa casa pobre cheia de irmãos, uns menos carinhosos que outros. Um livro sobre afetos e identidade, que valeu à já distinguida escritora italiana (que também é dentista) mais um aplauso literário, desta feita o Prémio Campiello.

Eu sou a minha poesia, de Maria Teresa Horta (Dom Quixote)
Todos os dias, Maria Teresa Horta abre a sua página de Facebook e publica um novo poema. Um exercício constante e generoso que é apenas uma pequena miragem do espólio imenso desta poeta sempre praticante. O novo Eu Sou a Minha Poesia reúne uma seleção dos poemas que Maria Teresa Horta considera serem os essenciais do seu percurso, iniciado nos anos 1960. Reflexos de uma personalidade assumidamente feminista, livre e inquieta que, tal como a sua poesia, são referências incontornáveis da literatura nacional.

Devoção, de Patti Smith (Quetzal Editores)
O caderno de notas é um dos essenciais da artista que, onde para, contempla. Desses momentos nascem não só álbuns que inspiram gerações (doze, no total, sendo Horses, o álbum de estreia, um dos mais icónicos), desenhos que já foram agrupados em exposições, mas também livros como Apenas Miúdos (de 2011), M Train (de 2016) ou este novo Devoção, onde a artista reúne um punhado de histórias em torno de um tema, a obsessão.

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