Mulheres viajantes

Teresa Tavares e as cenas de filmes que reproduz em viagem

A atriz partilhou com a ‘Máxima’ as suas memórias, a primeira coisa que põe na mala e até o que gosta de encontrar no minibar.
Por Aline Fernandez, 22.07.2019

Onde nasceu?

No Ribatejo, Azambuja.

Em que lugar do mundo se sentiu mais feliz?

Em Lisboa, onde escolhi viver já há 20 anos, sem dúvida.

Nomeie um lugar que correspondeu à sua expectativa de viagem.

A Ilha do Príncipe, em São Tomé e Príncipe e a Fajã de Santo Cristo, na Ilha de São Jorge, nos Açores.

Qual a cidade que adora e por quê?

Londres, onde já vivi, e que por muito que seja um caos, esteja sempre cinzenta e possa ser muito cansativa em alguns momentos, é daqueles sítios onde se pode fazer tudo porque, eventualmente, está tudo a acontecer lá. É incontornável. Cosmopolita, artsy, ousada e cheia de charme.

Uma viagem que sonha fazer…

Aqui vão três do top da minha lista: Índia, Sul da América de mochila e Japão.

Descreva a sua vista de quarto preferida.

O mar, o mais perto possível (adoro adormecer e acordar com o som das ondas).

O que põe primeiro na mala?

Líquido para as lentes de contacto para não me esquecer!

Conte-nos sobre uma pequena cidade que tenha conhecido e adorado.

Fiz recentemente uma road trip pela Provence, em pleno julho, com os campos de alfazema em flor. Fiquei encantada com uma cidadezinha chamada Moustiers-Sainte-Marie. Parece um sítio encantado. Por falar nisso, a vista do quarto de hotel onde fiquei foi das mais incríveis de sempre: o quarto tinha janelas por todos os lados e ficava no meio das montanhas (é na zona dos Alpes) pelo que dava a sensação de se estar a dormir numa casa na árvore muito alta. Conseguia ver as montanhas, os verdes e lá ao fundo o [desfiladeiro fluvial] Gorges du Verdon de um azul esverdeado. Incrível.

Nunca voltaria a...

Não me lembro de lugar nenhum.

Qual foi o hotel mais luxuoso onde já dormiu?

Nos últimos tempos, terá sido o Sundy Praia, na Ilha do Príncipe, sendo que me agrada tanto porque o conceito de luxo ali se baseia numa ideia de profunda simplicidade (já dizia o Da Vinci, 'A simplicidade é o último grau da sofisticação' ) e comunhão com a natureza. É uma experiência incrível.

O que gosta de encontrar no minibar?

Um bom vinho branco, o que é raro.

Qual é o seu guilty pleasure quando viaja?

Não é guilty, mas é um grande prazer e às vezes dá algum trabalho de produção mas eu adoro: reproduzir cenas de filmes que me marcaram nos lugares onde vou. Aliás, já cheguei a escolher destinos também em função disso. Como fazer o sul de França e não reinventar alguns momentos do Pierrot de Fou [Pedro, o Louco (1965)] do Godard?? (Sim, tenho um vestido igualzinho ao que a Anna Karina usa no filme, que levei comigo para andar a fotografar e a filmar por lá). Adoro!

Visitar os pontos turísticos ou ficar na espreguiçadeira?

Descobrir os sítios onde vou, sempre. Não sou nada pessoa de ficar na espreguiçadeira, até porque espreguiçadeiras há em todo o lado, o que eu quero é explorar o que tenho à minha volta. Sim, sou daquelas que tem uma coleção de guias da Lonely Planet dos sítios todos onde já fui com anotações e fotografias e bilhetes e tudo.

Qual a sua viagem de infância mais memorável?

Infância nem tanto, mas tenho uma da adolescência. Quando tinha 15 anos viajei pela primeira vez sozinha : fui para Nova Iorque (onde nunca tinha ido) ter com o meu padrinho, que na altura vivia lá. Passei um mês na cidade, que fui descobrindo todos os dias de mapa na mão e com a curiosidade toda do mundo. Acho que mudou a minha vida, nunca me esquecerei!

Quais foram as suas primeiras férias sem os seus pais?

A primeira grande viagem sem os meus pais foi esta, a Nova Iorque. Mas antes disso sempre fui muito para campos de férias, com miúdos da minha idade que eu adorava.

Quem é a pessoa mais interessante que conheceu nas suas viagens?

Um homem incrível que conheci na Fajã de Santo Cristo, onde fiquei durante um mês, há uns 10 anos. A sua vida era de total comunhão com a natureza e consigo próprio. Tinha um sorriso daqueles francos que não deixava adivinhar a história atribulada por que tinha passado. Lembro-me de lhe perguntar porque é que tinha decidido ficar a viver ali e como é que lidava com a solidão, ele disse-me qualquer coisa como: "quando aqui cheguei percebi que tinha encontrado o meu lugar no mundo."

Qual a frase ou palavra estrangeira que mais utiliza?

Fuck!

Para si, qual é a oitava maravilha do mundo?

A Ilha do Príncipe, em São Tomé e Príncipe.

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