Celebridades

Cindy Crawford em pleno turbilhão da vida

Ícone de beleza, supermodelo incontestada, mãe de família, empresária e embaixadora da Omega. O tempo não passa por esta mulher fantástica na casa dos 50.
Por Isabelle Girard, 16.05.2018

Pensa que desilude os fãs. Chega, mesmo, a desculpar-se perante eles. Mas de quê, meu Deus?! "Por já não me parecer com a imagem que têm de mim", confessa Cindy Crawford, com o tom mais sério do mundo. "Por vezes, consolo-os, explico-lhes que o tempo passou e que já não sou a mesma." Não entre em pânico. Cindy C., aquela a quem se chama a "top do sinal", tem sempre o encanto intocável da modelo lendária que foi quando era um membro eminente do grupo de top models da época, formado, entre outras, por Linda Evangelista, Christy Turlington e Naomi Campbell, na década de 1990. Tem uma postura simultaneamente flexível e reservada, como se a sua derradeira provocação fosse, aos 51 anos, mostrar-nos que podemos continuar a viver em paz connosco mesmo quando fomos uma das raparigas mais bonitas do mundo. Pestanas enormes, ancas modeladas numas calças de ganga elásticas pretas, blusão motard cintado, ela debica uns pedacinhos de abacate da salada, após uma sessão fotográfica louca e assombrosamente sexy. "As roupas eram muito inspiradoras. O vestido de malha de rede da Dior, o casaco com franjas de Balmain… Uau, eram puras maravilhas! Senti-me bem. O fotógrafo Damon Baker foi ‘so cute’. Ele sabia exatamente aquilo que queria. Foi rápido, meticuloso e escolheu as minhas músicas preferidas de Prince e de Madonna. Foram as condições ideais. Está a ver porque continuo a adorar esta profissão?" Foi com 16 anos que um fotógrafo do seu bairro, na zona ocidental de Chicago, lhe pediu que posasse. "Tens pinta, miúda", disse-lhe, simplesmente. Alguns meses mais tarde, uma segunda fotografia sua apareceu no jornal da Faculdade com a legenda "A rapariga da semana". Seguiu-se um casting com 200 modelos para um hair show (foi penteada, em palco, por 200 dólares…), uma passagem relâmpago por uma agência de Chicago e, por fim, o contrato com a Elite, em Nova Iorque. Foi assim que a sua carreira começou. Tinha 17 anos.

Cindy (atualmente representada pela agência Storm Management) é, hoje, uma mulher realizada. O marido, Rande Gerber (ainda o mesmo, passados 15 anos), é um homem de negócios sensato, pai dos seus dois filhos, Presley e Kaia, duas belezas que seguiram com sucesso os passos da mãe nas passerelles. A sua casa, uma mansão em Beverly Hills, tem vista sobre as águas azuis do Pacífico. "Trabalhei arduamente para construir este casulo. Antevi o tempo a passar, os filhos a irem-se embora e a diminuição das solicitações profissionais. Criei as minhas proteções, multiplicando as minhas atividades. Envelhecer não é assim tão fácil. É preciso estar em boa forma física e psíquica para o aceitar da melhor maneira possível. É isso que tento fazer." Fazemos, de seguida, uma antologia da top model mais bem paga do mundo e uma das empresárias embaixadoras da Omega que, segundo a revista People With Money, tem uma fortuna estimada em 215 milhões de euros.

A minha beleza

"Quando era pequena era ‘maria-rapaz’ e não sabia que era bonita. Para pensar nesse tipo de coisa é preciso que alguém nos diga e isso não fazia o género dos meus pais, nem dos meus irmãos – elogiar a única rapariga da família. Naquele tempo, isso não se fazia. Além disso, eu era terrivelmente tímida e complexada. Quando iniciei a minha carreira não sabia como me comportar no mundo, não sabia vestir-me, não sabia qual o garfo ou a faca que deveria usar quando era convidada para jantares importantes. Tinha medo de não agradar às pessoas, durante muito tempo. Lembro-me de, um dia, estar no barco de [Giorgio] Armani com imensa gente importante que eu mal conhecia e de pensar: ‘Um dia, eles vão perceber que eu não pertenço a este mundo.’ Considerei-me uma impostora durante muito tempo."

As minhas raízes

"Venho da zona ocidental de Chicago. O meu pai era eletricista, a minha mãe fazia vários trabalhos. Não tínhamos muito dinheiro, mas havia muito amor. Ser modelo foi a minha Universidade. Conheci pessoas que nunca imaginei existirem: artistas, costureiros, fotógrafos. A minha primeira viagem foi ao Egito, num trabalho para uma publicação italiana. Acho que nem sabia onde ficava aquele país. Nunca tinha saído dos EUA. Foi um grande choque. Fui confrontada, pela primeira vez, com a pobreza extrema. Ainda nem tinha 20 anos. Isso abriu-me os olhos."

A minha idade

"Estou a envelhecer, mas ainda não estou assim tão mal, pois não? Sempre fui muito disciplinada. Sempre pratiquei desporto, yoga, alimento-me o mais saudavelmente possível, trato da minha pele e nunca a expus ao Sol. Deito-me sempre a horas decentes e levanto-me cedo. Tudo isto faz parte do meu trabalho. Faço-o de bom grado porque adoro o meu trabalho, os desfiles e as sessões fotográficas. Quando envelhecemos já não nos deixamos enganar. Sabemos que uma boa fotografia é o resultado de um bom trabalho, de uma boa iluminação, de uma boa maquilhagem, de um bom cabeleireiro e de roupas bonitas que nos transmitam confiança. Mas, lá no fundo, sabemos que esta criatura não é completamente ‘nós’. Por detrás desta modelo perfeita existe uma mulher como todas as outras e que, seja top ou não, conserva a sua parte de fragilidade e de insegurança. No fim de um dia de sessão, regresso a casa, lavo o rosto, vejo-me ao espelho e digo a mesma coisa que toda a gente: ‘Oh, tenho uma ruga… Olha, um cabelo branco!’"

Os meus filhos

"O meu filho Presley, de 19 anos, e a minha filha Kaia, de 17 anos, são modelos. Seguiram um percurso idêntico ao meu. Fazem desfiles e sessões fotográficas, em cadeia. Mas não fizeram a mesma vida que eu. Ela será menos despreocupada. Hoje em dia, tudo acontece mais depressa. Antigamente, para fazer uma sessão numa revista, chegávamos a passar uma semana com uma equipa inteira – fotógrafos, assistentes, stylists. Com o passar do tempo, tornávamo-nos mesmo amigos e ainda hoje o somos. Hoje, as sessões são mais rápidas e o poder das redes sociais exerce uma enorme pressão sobre a vida de todas as celebridades. Tudo o que os meus filhos dizem e fazem, as pessoas com que convivem, a maneira como se vestem, tudo é examinado à lupa. E uma insignificância pode ter consequências importantes sobre a sua vida privada ou os seus contratos."

As minhas melhores amigas

"Eu, a Naomi, a Christy e a Linda éramos uma verdadeira equipa. Não tínhamos medo de nada. Trabalhámos com os melhores fotógrafos com que poderíamos ter trabalhado para sermos nós próprias: Peter Lindbergh, Helmut Newton, Patrick Demarchelier, Irving Penn, Richard Avedon e Steven Meisel. O Peter adorava-nos sem maquilhagem. O Helmut, pelo contrário, punha-nos batons super-provocantes. Não havia tabus. Nós detínhamos o poder, uma vez que ganhávamos mais do que os homens. Não havia nenhuma guerra de sexos. Quando desfilámos, este ano, na Semana da Moda de Milão, numa cerimónia para assinalar os 20 anos da morte de Gianni Versace, lembrámo-nos dos bons velhos tempos que já nos parecem pré-históricos."

As minhas causas

"Hoje, eu sou empresária. Desenvolvo uma gama de produtos de cuidado dermatológico, cursos de ginástica online, as minhas coleções de mobiliário, nas quais trabalho há mais de dez anos, e estou envolvida no financiamento da luta contra a leucemia. O meu irmão mais novo morreu com esta doença, quando tinha quatro anos, e eu lembro-me sempre de a minha mãe fazer bolos para vendermos na rua e de levarmos os nossos modestos ganhos ao hospital. Quero seguir o seu exemplo. É isso que me permite ter a cabeça no lugar."

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