Celebridades

Camille Gottlieb, neta de Grace Kelly reina no Instagram

Para além dos que lhe criticam as poses sensuais e hábitos como o tabaco, no verão passado houve também quem não hesitasse em chamar-lhe ociosa.

Foto: Instagram de @camillerosegottlieb
14 de outubro de 2020 | Maria João Martins

O estilo está nos genes, a rebeldia também. Camille Gottlieb, filha mais nova da princesa Stephanie do Mónaco, ao contrário dos seus dois irmãos, não tem direito a qualquer título nobiliárquico, já que, para as virtudes públicas e vícios privados dos Grimaldi, uma criança nascida fora do casamento está automaticamente excluída de qualquer pretensão dinástica. Nascida a 15 de julho de 1998, da breve relação da enfant terrible da família com o seu guarda-costas, Jean Pierre Gottlieb, a jovem reina, no entanto, nas redes sociais, já que o seu instagram oficial (#camilloush) tem já perto de 70 mil seguidores muito ativos. 

Como a maior parte das jovens da sua idade, Camille partilha as suas escolhas em matéria de moda, maquilhagem e viagens, sem problemas com o peso a mais ou sequer em aparecer a fumar, numa clara provocação aos cânones do política e esteticamente correto. Mas ao contrário do que acontecia com a sua muito rebelde mãe nos anos 80, as redes sociais expõem a filha às reações directas e nem sempre respeitosas dos seguidores.

Camille Gottlieb
Camille Gottlieb Foto: Instagram de @camillerosegottlieb




Para além dos que lhe criticam as poses sensuais e hábitos como o tabaco, no verão passado houve também quem não hesitasse em chamar-lhe ociosa (e por extensão pouco preocupada com os problemas do mundo) na sequência de um conjunto de selfies em colaboração com a marca de jóias APM Mónaco. Aconteceu a 1 de junho último, quando uma seguidora de nome Mia Bedon escreveu: "Diga-me o que faz dos seus dias. Acho-a muito simpática mas os seus posts são muito fúteis. O seu estatuto pode ajudar muita gente. A sua mãe fá-lo e gosto muito dela. Poder-se-ia tornar-se um modelo para os jovens da sua idade, já que os ociosos e os meninos mimados nada acrescentam à nossa sociedade." Camille poderia não ter respondido, mas, ciente da importância das relações públicas no seu "ofício", Camille (ou alguém por ela) justificou-se: "Sim, eu tenho um trabalho, ocupo-me da comunicação, marketing e da agenda de uma discoteca e, como tal, supervisiono uma equipa de várias pessoas. Para além disso, se tem acompanhado um pouco as minhas atividades, saberá que sou, desde há três anos, a presidente da associação Be Safe Monaco, colaboro com a minha mãe na sua associação Fight Aids Monaco e também no seu combate em prol do bem-estar dos animais (...) Espero que estas palavras a esclareçam um pouco sobre a pessoa que sou!"

Camille Gottlieb
Camille Gottlieb Foto: Instagram de @camillerosegottlieb

 



Tivesse respondido assim porque foi devidamente aconselhada por um profissional de comunicação pessoal, consciente de que as famílias reais têm hoje o dever de se explicar perante os outros, ou porque ela própria o sabe, a verdade é que Camille nunca foi, desde o seu nascimento, uma criança como manda o "figurino das princesas".

Nascida fora do casamento, como já vimos, a sua certidão de nascimento omite deliberadamente o nome do pai, o que levou muitos a pensar que Jean Pierre Gottlieb negava a paternidade (hoje têm uma relação próxima e afetuosa). Graças à personalidade da sua própria mãe, Camille gozou sempre de uma liberdade invejada por muitas jovens dos mais diversos meios sociais. Em entrevistas e atos públicos não se cansa de recordar, por exemplo, os anos de contacto com o mundo do circo, em plena infância.

Camille é, por outro lado, objeto de um tipo particular de escrutínio que tem vindo a acompanhar as raparigas da família Grimaldi que já se habituaram a serem comparadas com a icónica beleza de Grace Kelly, mãe de Stephanie, Carolina e Alberto II, falecida em 1982 num acidente de automóvel, aos 52 anos. Camille, uma das netas, não foi excepção. Tal como já acontecera com Charlotte, a primogénita de Carolina, as revistas procuram qualquer traço de semelhança com a avó. A revista britânica Tatler não hesitou mesmo em chamar-lhe sósia de Grace, quando a semelhança mais óbvia é toda com Stephanie com a mesma idade, nesses turbulentos anos 80 em que a princesa gravou discos, desenhou fatos de banho e namorou pilotos de Formula 1.

Camille Gottlieb
Camille Gottlieb Foto: Instagram de @camillerosegottlieb




Não admira, pois, que a moda faça parte muito integrante do quotidiano destas mulheres. Tal como Camille colabora com empresas (quase sempre monegascas) e procura lançar tendências no seu instagram, a sua prima Charlotte é, desde 2012, um dos rostos da Gucci e a sua irmã, Pauline Ducruet (que estudou Design de Moda), tem uma marca própria, a Alter (muito urban chic), que a mãe e a irmã não hesitaram em adotar em público como forma de apoio. Se as semelhanças com a mítica avó não são tão evidentes como as revistas gostariam, o seu sentido de estilo (desde os tempos de Hollywood que era vestida pelos próprios Christian Dior e Cristóbal Balenciaga) foi, pelo menos, preservado pelas gerações seguintes. 

As preocupações de Camille Gottlieb não se limitam, porém, ao guarda-roupa, como a própria polidamente frisava em junho. Com Stephanie, a jovem partilha a atenção aos animais em perigo, tendo visitado no ano passado um orfanato de elefantes no Sri Lanka. Mas, como também acontece frequentemente na sua família, Camille foi surpreendida ainda jovem pela constatação de que a tragédia convive com o glamour. Há três anos um amigo seu sucumbiu muito jovem a um acidente de moto ao conduzir sob o efeito de álcool. Sabendo que esse é um comportamento frequente nas pessoas da sua faixa etária, Camille tomou a iniciativa de criar uma associação destinada a combater tais comportamentos de risco. Juntou alguns amigos e criou a Be Safe Monaco que desenvolve ações pedagógicas nas escolas e providencia testes de alcoolemia (e táxis, se o caso for esse) gratuitos a jovens que tenham bebido demais durante uma saída noturna. Durante o verão e em acontecimentos sazonais como o Grande Prémio de Formula 1 do Mónaco, a atenção dos associados redobra.

A sensibilidade a este tema é também uma marca própria de uma família assombrada por grandes tragédias. Recorde-se que, a 13 de setembro de 1982, Grace Kelly e a sua filha mais nova, Stephanie, sofreram um acidente de automóvel em circunstâncias que nunca foram totalmente esclarecidas. Grace morreu horas depois e a filha esteve várias semanas hospitalizada, muito mal tratada. Como se não bastasse, a jovem, então com 17 anos, foi confrontada com o boato persistente de que seria ela quem estava ao volante do Rover acidentado no momento da tragédia. "Era como se dissessem que eu tinha morto a minha própria mãe", diria ela muitos anos mais tarde num programa de televisão. Anos mais tarde (em outubro de 1990), um novo acidente fatal enlutaria os Grimaldi, quando o segundo marido da princesa Carolina (pai dos seus três filhos mais velhos) foi vitimado por um acidente no seu barco de competição. Tinha 30 anos e jurara abandonar as corridas algumas semanas antes, quando escapara por um triz à explosão de um outro barco.

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