Rosto&Corpo

Desmistificando a dermatite atópica

Falámos com a Dr. Rita Travassos, dermatologista do Hospital de Santa Maria sobre esta doença crónica da pele que afeta milhares de pessoas em Portugal.
Por Carolina Silva, 14.09.2019

Quais são os factores de risco que podem estar na origem da dermatite atópica?
A dermite atópica é uma doença da pele que combina uma predisposição genética com fatores ambientais. Ou seja, o principal fator de risco para ter dermatite atópica é ter pais, irmãos ou familiares próximos com dermatite atópica, ou com outras doenças que constituem manifestação da atopia, como a asma ou rinite alérgica. É frequente o doente com dermatite atópica desenvolver também asma e rinite alérgica noutro período da sua vida.

Existem métodos de prevenção desta doença?  
Não existe uma forma de prevenir a doença
se o doente tiver predisposição para a mesma. Contudo, existe a possibilidade de prevenir surtos de agudização da doença e controlar as manifestações da mesma. Os doentes com predisposição para dermatite atópica (referidos muitas vezes como doentes com pele atópica) são doentes com manifestações muito ténues da doença, mas com uma reatividade aumentada e um limiar reduzido para a irritação. Pelo que a lavagem da pele deve ser realizada com produtos suaves, banhos curtos com água tépida e aplicação de creme (emoliente) todos os dias. Estes indivíduos devem usar produtos adequados à sua condição (com a indicação "para pele sensível ou atópica"), cuja composição não deverá ter perfumes e conservantes potencialmente alergizantes.

Numa primeira análise, antes da consulta com um dermatologista, quais são os sinais de alerta que indicam a possibilidade de uma dermatite atópica?
Geralmente a dermatite atópica manifesta-se na infância. São sinais de alerta: pele com tendência a secura, vermelhidão e comichão. As lesões costumam apresentar uma distribuição típica: nas pregas dos braços e pernas e na face e pescoço. O prurido (comichão) surge frequentemente com esforço físico (sudação) ou quando são utilizadas roupas de lã e é um sintoma que pode prejudicar o sono.

Que alterações no estilo de vida e na alimentação podem ser efetuadas de modo a atenuar a Dermatite Atópica?
Em relação à alimentação não há dados consistentes na literatura que nos permitam sugerir uma dieta para dermatite atópica. Em relação aos estilos de vida, além dos cuidados diários já referidos em relação à higiene e hidratação, recomenda-se o uso de roupa (pelo menos a primeira camada em contacto com a pele) em algodão. Outra questão que considero relevante é, tendo em conta o limiar menor de irritação/ sensibilização da pele, a escolha da profissão quando a dermatite atópica é conhecida desde infância. Há certas profissões com maior risco de aquisição de dermites de contacto alérgica e consequente condicionamento do trabalho, como por exemplo: cabeleireiras, esteticistas, enfermagem, medicina dentária, pelo que também é nossa função informar.

Que ingredientes de aplicação tópica devem ser evitados? E quais os que devem ser aplicados?
Em relação aos tópicos, devem evitar-se perfumes (em contacto direto com pele ou na composição de cosméticos, nomeadamente cremes, protetores solares e produtos de higiene); conservantes potencialmente alergénicos, especialmente em produtos de higiene sem água- não se recomenda o uso de toalhitas de limpeza ou toalhetes desmaquilhantes. Nos indivíduos adultos evitar creme anti-envelhecimento com ingredientes potencialmente irritativos, como os retinóides, alfa e beta hidroxiacidos. Em adolescentes/adultos com dermite atópica e acne é importante evitar uso de retinóides tópicos e peróxido de benzoilo sem indicação do dermatologista. Nos produtos a usar: emolientes e cremes para "peles sensíveis/ atópicas/ hipoalergénicos/ sem perfumes/ sem conservantes. E claro pedir aconselhamento a dermatologista para escolha dos produtos (evitando a automedicação).

Quais os tecidos que devem ser escolhidos para minimizar o desconforto?
De preferência sempre algodão e de cores claras. A roupa interior e camisolas interiores, meias e collants devem ser em 100% algodão.

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