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Quem é Élisabeth Borne, primeira mulher a chefiar o Governo francês em 30 anos?

Tem 61 anos, nasceu em Paris e sucede a Jean Castex. Assuntos ligados ao "planeta verde", às reformas sociais e a outras medidas que dividem os franceses, são a sua especialidade.

Foto: Getty Images
16 de maio de 2022 Rita Silva Avelar
Élisabeth Borne é o nome que vai suceder a Jean Castex no cargo de ministra do Trabalho, do Emprego e da Integração. É a segunda mulher a liderar o Governo francês, depois de Édith Cresson ter governado de maio de 1991 a abril de 1992, sob a presidência de François Mitterrand, o que lhe dá 30 anos de distância da sua antecessora feminina ("era mais do que tempo", afirmou a primeira, sobre a novidade).

No Twitter, Macron deu as boas vindas a Borne. "Senhora primeira-ministra. Ecologia, saúde, educação, pleno emprego, renascimento democrático, Europa e segurança: juntos, com o novo governo, continuaremos a agir incansavelmente pelo povo francês", depois de a presidência francesa ter anunciado a decisão. "O senhor Jean Castex apresentou hoje a demissão do governo ao Presidente da República, que a aceitou", lê-se

Élisabeth Borne, natural de Paris e com 61 anos, vem do lado socialista, é uma fiel apoiante de Macron que ocupou três cargos fundamentais durante o seu primeiro mandato: transportes, ambiente e trabalho. Foi ela uma das grandes impulsionadoras da introdução das ciclovias e bicicletas em França, por exemplo, e quem levou o desemprego aos números mínimos, sobretudo nos mais jovens.

Ganhou a reputação de assumir políticas difíceis e de as impulsionar, incluindo as reformas radicais de Macron ao sistema ferroviário estatal, que viu as maiores greves em décadas, o que também divide a sua consensualidade entre os franceses. O aliado de Macron, Christophe Castaner, chegou a apelidá-la de "ministra das reformas impossíveis tornadas possíveis", lembra o The Guardian.

Sabe-se que, entre outras coisas, Borne receberá um novo mandato para supervisionar o que Macron prometeu ser uma nova forma radical de "planeamento verde" para limitar as emissões de carbono e impulsionar a política ambiental em França.

"Para mim, fazer política não é fazer com que as pessoas falem de mim a qualquer preço, é dedicar-me a entregar projetos ao serviço do meu país", disse à rádio France Inter no ano passado, lembra a mesma publicação. "A política não tem a ver com empurrar-me para a frente do palco".
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