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Volta ao mundo pelo empreendedorismo feminino também veio a Portugal

De mala às costas, as mentoras do projeto Girls On the Road decidiram visitar 15 países para falar e incentivar o empreendedorismo no feminino. E partilhar o testemunho de quem faz a diferença.
Por Carla Mendes, 03.10.2017

Fernanda Moura e Taciana Mello são mulheres, brasileiras e, juntas, decidiram falar com outras mulheres, de diferentes países e culturas, com diferentes atividades e papéis na sociedade. De mala às costas, as mentoras do Girls On the Road visitaram 15 países, um projeto que teve início em julho do ano passado e termina no fim de outubro. Portugal fez parte da jornada e é aqui que pretendem voltar por altura da Web Summit, para falar sobre as dezenas de entrevistas feitas e o desejo de ajudar a capacitar as mulheres, incentivar o empreendedorismo no feminino e partilhar o testemunho de mulheres que fizeram a diferença.

Em conversa com a Máxima, via Skype e a partir da Rússia, contam o que as tem surpreendido, pela negativa e pela positiva, e o que as marcou nesta volta ao mundo do empreendedorismo feminino. Começam pela paragem por terras portuguesas, onde confirmaram que a igualdade de género ainda não passou totalmente da teoria à prática. "Através do discurso das mulheres, percebemos que Portugal passa por um momento muito bom a nível económico. Mas apesar de toda essa abertura, através da qual as mulheres podem avançar com os seus negócios, elas falam que é difícil conseguir investimento. Escutamos de duas empreendedoras que tentaram pedir um empréstimo ao banco que só o conseguiram quando levaram um homem", recorda Fernanda Moura. A colega de viagem acrescenta a presença de um machismo que a mudança social ainda não conseguiu eliminar. "Relataram-nos que quando os clientes são homens, elas são mais questionadas, mais alvo de dúvidas. Ou seja, cria-se um paradoxo interessante: parece que o momento positivo para as mulheres portuguesas é como se fosse o grito do Ipiranga, mas, ao mesmo tempo, elas continuam a enfrentar situações que temos visto em todos os países. O que os diferencia é a intensidade com que as questões acontecem e as atitudes das mulheres perante eles."

Nesta viagem, surpresas não faltaram. Como aquela que encontraram no Japão. "Foi muito positivo porque fomos para lá a saber que existe uma cultura supermachista, onde a mulher está totalmente em segundo plano, ainda que seja um país desenvolvido e onde não faltam recursos financeiros. Mas o que vimos foram mulheres com uma atitude muito positiva, que pensam: eu sei que a sociedade é assim e que não vai mudar nesta geração, mas não posso esperar que mude, quero ser esse agente de mudança. Imaginamos mulheres com um discurso submisso, mas encontrámos mulheres que querem ser agentes de mudança", conta Taciana Mello. "Quando a japonesa se torna mãe, é como se tivesse escolhido fazer isso profissionalmente. E muitas encontram no empreendedorismo uma forma de se tornarem ativas, de ajudarem outras mulheres e criar um círculo virtuoso", conclui Fernanda Moura.

De Cuba veio outra surpresa. As informações de dificuldade de acesso à Internet ou restrições por parte do governo local confirmaram-se. Mas o que não esperavam foi a capacidade de resistência feminina. "Em nenhum momento elas adotaram um discurso negativo. E elas podiam adotar esse discurso, de vítima, de tudo ser muito difícil. Pelo contrário, reconhecem as dificuldades, mas independente destas, estão a fazer acontecer, estão a criar", acrescenta Taciana Mello, que recorda outro país, a Alemanha, à frente na lista do desenvolvimento, onde a surpresa foi outra. "Olhamos para a Alemanha, um país desenvolvido, e pensamos que é fácil encontrar empreendedoras. E o que a gente notou, quando chegámos lá, é que basicamente as empresas são lideradas por homens. Falámos com muitas mulheres que dizem que na sociedade alemã a mulher tem de ficar em casa a cuidar dos filhos, senão é mal vista."

A viagem destas duas ‘girls’ vai continuar, com paragens por países asiáticos e africanos. Depois, segue-se a realização de um documentário e a publicação de um livro, que vai relatar as experiências vividas, sempre com o mesmo enfoque, explica Taciana Mello. "Queremos mostrar as conquistas, a capacidade que as mulheres têm de fazer os negócios acontecerem, independentemente das dificuldades. Queremos estimular, impactar outras mulheres, para que acreditem no seu potencial. Porque precisamos de mostrar mais os casos de sucesso. É que ainda se fala pouco nos casos de empreendedorismo feminino."

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