Viagens

Um refúgio de luxo no meio dos gorilas

O Ruanda é um dos poucos lugares do mundo onde ainda é possível observar gorilas no seu habitat natural. Mas no recém-inaugurado Bisate Lodge eleva-se a experiência a outro nível, fazendo do ecoturismo sustentável uma forma de estar na vida.
Por Mafalda Sequeira Braga, 27.10.2017
Uma experiência como nenhuma outra. É o que diz quem já teve o privilégio de ficar cara a cara com um gorila das montanhas. Como o naturalista e apresentador de programas de televisão sobre a vida selvagem David Attenborough (Isleworth, Reino Unido, 1926) que, na série Life on Earth (1979), afirmou: "Há mais significado e entendimento mútuo na troca de olhares com um gorila do que com qualquer outro animal que eu conheça." Não é para menos. O mais conhecido e celebrado dos mamíferos endémicos partilha cerca de 98 por cento do nosso ADN. Mas, infelizmente, a subespécie encontra-se ameaçada, restringindo-se a apenas duas populações isoladas. Uma delas fica nas Montanhas Virunga, uma cordilheira de vulcões localizada ao longo da fronteira entre três nações africanas: Ruanda, Uganda e República Democrática do Congo. No lado do Ruanda, nas florestas do Parque Nacional dos Vulcões, habitam 12 grupos de gorilas que podem ser avistados em excursões organizadas com um máximo de oito pessoas e apenas durante uma hora por dia.
O rastreamento destes primatas não é algo inédito, bem sabemos. Aliás, essa tem sido a principal razão por que muitos turistas visitam o Ruanda. Aqui, a novidade é o facto de o país ter, pela primeira vez, um alojamento verdadeiramente luxuoso associado a este tipo de atividade. Ainda por cima, com um propósito significativo e diferenciador. Falamos do mais recente projeto da Wilderness Safaris, conhecida pelos seus sumptuosos acampamentos em sete outros países africanos, incluindo o Botswana e o Zimbabué.
O Bisate Lodge acabou de abrir na encosta de uma pequena colina, que mais não é do que aquilo que resta de uma área vulcânica erodida pelo tempo. Fica convenientemente perto do local de onde saem as excursões de gorilas, mas isolado o suficiente para que os hóspedes se sintam integrados na comunidade local. As seis espaçosas villas, todas com vistas panorâmicas para os vulcões Karisimbi, Bisoke e Mikeno, foram construídas segundo a tradição ruandesa, resultando em estruturas esféricas de palhinha que lembram as colinas arredondadas da região e a arquitetura do palácio real. Para os interiores, ricamente detalhados, usaram-se materiais locais, como o bambu e a rocha vulcânica.
O ponto alto da experiência é, decerto, o encontro com os gorilas. Mas não só. Baseando-se no princípio de que ‘o propósito é o novo luxo’, o projeto tenta produzir um impacto positivo sobre mais do que uma espécie ameaçada, implementando uma ética de sustentabilidade alicerçada em torno de 4 Cês: Comércio, Comunidade, Cultura e Conservação. As terras onde o Lodge está inserido foram compradas aos agricultores e a Wilderness Safaris iniciou ali um processo de reflorestação, que já conta com cerca de 15 mil árvores plantadas. Verifica-se ainda um grande envolvimento da população circundante, quer a trabalhar no local, quer na promoção cultural junto dos visitantes.
Bons motivos para aguçar a curiosidade quanto às outras atividades oferecidas pelo Bisate – há mais animais para observar, trilhos naturais para percorrer e o túmulo de Dian Fossey (a defensora de primatas que Sigourney Weaver interpretou em Gorilas na Bruma) para visitar. E, claro, a vibrante Kigali, capital de um país com tanto para oferecer.
 
Check-in
A Brussels Airlines viaja de Lisboa para Kigali e vice-versa a partir de €813, com escalas. A tarifa para o Bisate Lodge começa nos €920 por noite com tudo incluído.
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