Artes

Roteiro: pistas culturais para (re)descobrir a cidade

Artes, fotografia, música, cinema. Lisboa está cada vez mais curiosa e com vontade de abrir os seus horizontes ao mundo. Descobrimos o que de mais interessante está a acontecer agora.
Por Carlota Morais Pires, 29.09.2017

Amor queer aos olhos de quatro artistas

Christophe dos Santos, João Gabriel, Rui Palma e Thomas Mendonça são crianças dos anos 90, mas mostram um olhar muito próprio, um imaginário surpreendente e criativo onde fluem referências estéticas e ideias de liberdade e futuro. É este turbilhão de estímulos visuais que vamos poder espreitar na exposição Pau Duro, Coração Mole, que reúne interessantes perspetivas sobre o amor em obras que exploram diferentes questões queer, de sexualidade e género. "Esta exposição fala sobre sexo, amor, amor sem sexo e sexo sem amor. Fala de sensibilidade e de beleza. Fala de brutalidade, de força, de resistência, de militância", diz o resumo que antecipa a mostra. A curadoria é de Thomas Mendonça e a exposição vai estar patente de 4 a 28 de outubro na Foco, no número 34 da Rua da Alegria, em Lisboa.

 

Forever Young?

Nos primeiros dias de setembro a Culturgest deu início ao ciclo de conferências Discursos do Cérebro ? Revelações das Neurociências, que tem "como ponto de partida a investigação de excelência que se faz em Portugal na área das neurociências, para uma conversa aberta, pensada para o público curioso". Depois de se debruçar sobre temas tão relevantes agora como as doenças neurodegenerativas e os distúrbios alimentares, a próxima conferência convida Cláudia Cavadas, investigadora principal do Centro de Neurociências e Biologia Celular de Coimbra, a falar sobre a obsessão da nossa sociedade pela juventude. A conversa À Procura do Elixir da Juventude acontece no próximo dia 2 de outubro às 18h30, no Pequeno Auditório da Culturgest. A entrada é livre. Leia as entrevistas com alguns dos oradores em breve no site da Máxima.   

‘Hypersex’

O MAAT assinala o seu primeiro ano no dia 4 de outubro – por isso, convidou o português Moullinex para apresentar o seu novo e terceiro álbum, Hypersex, numa noite de música que se prolonga até de manhã, durante dez horas. Mais do que o lançamento do terceiro álbum, esta será uma declaração de amor coletiva à club culturenuma maratona de DJsets. "Um choque controlado entre o fim derave e o público do dia aberto do MAAT", escreve a Universal, editora do DJ. "Esta ideia de promiscuidade criada na pista de dança materializa-se também numa fanzine, tão colaborativa e diversificada como o álbum e que contará com pesos-pesados da ilustração e do design gráfico como Gonçalo Duarte, Lord Mantraste, Sonja, Germes Gang, Oscar Rana, Sollidha, Simão Simões, Rita Matos, Francisco Ferreira e Rudolfo, que exploram graficamente a sua relação com o tema e ainda com os vídeos de Bruno Ferreira, em casting dançante realizado em NYC, João Pedro Vale e Nuno Alexandre Ferreira, entre muitos outros." O cartaz para o dia 4 é secreto, mas acreditamos que vai (mesmo) valer a pena. Os bilhetes estão à venda por 10 euros, aqui.

 

Cinema espanhol em Lisboa

De 29 de setembro a 2 de outubro o El Corte Inglés recebe o Cine Fiesta 2017, a mostra de cinema espanhol que traz a Lisboa antestreias inéditas em Portugal e uma programação que inclui alguns dos filmes mais relevantes do panorama audiovisual deste ano. A iniciativa é do Instituto de la Cinematografía y de las Artes Audiovisuales (ICAA) em colaboração com a Cinemundo e reúne filmes como a última comédia dramática A Rainha de Espanha, de Fernando Trueba (e que será aqui apresentada pelo realizador), com Penélope Cruz, Cary Elwes e Mandy Patinkin, El Hombre de las Mil Caras, um filme de ação de Alberto Rodríguez, e Villaviciosa de al Lado, uma comédia de Nacho G. Velilla, com Carmen Machi, Carlos Santos e Leo Harlem. Os bilhetes já estão disponíveis por 4 euros nas bilheteiras dos cinemas do El Corte Inglés.

 

Barulho (bom) no Festival Silêncio

O jornal Expresso diz que Lo-Fi Moda, o novo disco dos bracarenses Ermo, é "a mais refrescante aventura discográfica que a música portuguesa ouviu em 2017". Este novo álbum merece ser ouvido: é inesperado, cruza influências da eletrónica pop com o hip-hop e "adota o modelo da canção enquanto ponto de partida para um discurso inventivo, refrescante e surpreendente". Agora querem retratar o comportamento humano, engolido pelo mundo digital, numa metáfora que não nos faz só dançar mas também nos leva a questionar e a pensar sobre o agora, a vaidade, a autovalidação e o narcisismo. No próximo dia 29 de setembro, sexta-feira, os Ermo apresentam Lo-Fi Moda no Musicbox, a propósito do Festival Silêncio, a acontecer em Lisboa. Um dia depois, sábado, sobem até ao Porto para tocar nos Maus Hábitos.

 

Surrealismo em português

Acaba de inaugurar na Galeria Millennium, em Lisboa, uma interessante mostra coletiva que reúne algumas das mais relevantes obras de oito artistas portugueses do nosso tempo. A mostra A Partir do Surrealismo é uma oportunidade inédita para descobrir a coleção de objetos artísticos do Millennium BCP e espreitar o imaginário de Cruzeiro Seixas, Mário Cesariny, António Dacosta, Carlos Calvet, Marcelino Vespeira, Eduardo Luiz, Paula Rego e Graça Morais. Todos estes artistas "têm em comum o gosto pela pintura figurativa contadora de histórias, sugeridas pelos títulos e pelo modo imaginoso como as formas (nem sempre identificáveis) usam a cor e a composição para perturbar o entendimento comum das coisas". A exposição tem curadoria de Raquel Henriques da Silva, está patente até 6 de janeiro e a entrada é livre.



‘Kreatur’ é poesia visual

Depois de se estrear em Berlim, em junho deste ano, a nova coreografia de Sasha Waltz sobe ao palco do Grande Auditório do Centro Cultural de Belém nos próximos dias 4 e 5 de outubro. Kreatur assinala um regresso de Sasha Waltz às origens do seu trabalho, que sempre procurou explorar e estimular o diálogo entre várias disciplinas artísticas. Agora, e com 14 bailarinos em palco, traz-nos um discurso dançado sobre a realidade social e questões disruptivas como o poder e a sua ausência, a liberdade e a vigilância, a comunidade e o isolamento. A coreógrafa "não deixa de pesquisar novos territórios, onde são muito marcadas a relação com o espaço, a sexualidade e a violência social e em que o corpo surge como instância política e dispositivo narrativo das morais opressivas; o seu envolvimento com a ópera e com a música leva-a a trabalhar alguns dos grandes mitos fundadores da cultura ocidental, como Orfeu, Dido e Eneias ou Romeu e Julieta", lê-se em comunicado. Os figurinos foram criados por Iris van Herpen (mais uma razão a tornar o espetáculo imperdível) e a música está nas mãos da banda nova-iorquina Soundwalk Collective.

 

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