Música

Raquel Tavares: “Eu quero ser mais, muito mais”

Prestes a apresentar o novo álbum Raquel nos Coliseus, a cantora portuguesa fala à Máxima sobre a musicalidade que descobriu nas novas canções.
Por Rita Silva Avelar, 07.04.2017
Entramos no Coliseu dos Recreios, em Lisboa, e Raquel Tavares suspende toda a equipa à entrada. É que o arrepio que lhe percorre o corpo é tão forte quanto a vontade que tem de pisar o palco – será seu a 21 de abril – nesta que é uma casa onde sempre quis cantar. É este o maior sonho da fadista portuguesa. Mas já lá vamos.

Recuamos aos seus seis anos, quando cantou pela primeira vez para uma plateia. "Lembro-me que a minha primeira vez (em palco) foi numa coletividade, não foi num palco, e receios não tinha nenhuns, porque tinha feito seis anos há pouco tempo e não há receios nessa altura. Há descoberta", conta-nos Raquel Tavares. Nessa altura ainda não sabia que ia ser um dos nomes do fado de hoje, mas, confessou-nos, gosta de acreditar que "naquele dia o destino ficou traçado". Com uma carreira no fado assinalável, Raquel Tavares parou oito anos, um período que passou entre viagens, em busca de inspiração e crescimento pessoal e profissional, o que a levou a lançar o álbum Raquel, a prova musical de que a artista não é só fadista.

Na verdade, o seu sonho de menina era ser bailarina, mas em pequena queria ser jornalista (a mãe era-o, na altura, na RTP), explica: "Cresci na televisão e no meio do jornalismo (…) e queria ser repórter de guerra. Eu queria estar de microfone em punho a revelar as verdades cruéis no mundo – então optei por uma profissão semelhante. (Ser cantora) é relatar as verdades da vida com música e o jornalismo e a música têm muitas coisas semelhantes, nunca são iguais e o público é diferente todos os dias, há sempre uma novidade. Tens sempre de o fazer de uma forma deontológica, com verdade, e de forma que quem te esta a ouvir compreenda, essa é que é a tua função."

Em concerto, não há exigências excêntricas. O que nunca pode faltar num concerto é "a minha equipa, sem ela não há concerto, e refiro-me a guitarra portuguesa, baixo, bateria, técnico de som de palco, técnico de som de frente, de luzes e o meu road manager". Ouve música desde que se lembra. "Ouvia-se música em casa. Eu fazia grandes performances em frente ao espelho, por exemplo, Whitney Houston cantava naquele inglês perfeito". Não consegue escolher uma música que a tenha marcado, como a desafiámos. "Eu tenho músicas que marcam fases da minha vida." E ícones musicais? "Roberto Carlos, Rui Veloso e Erasmo Carlos foram os primeiros da minha vida. Mais tarde, Rolling Stones, U2, Pearl Jam, AC/DC, e quando chego ao fado Lucília do Carmo, Hermínia Silva e Ada de Castro, e já a crescer foram Beatriz da Conceição, Maria José da Guia, Berta Cardoso", recorda.

Perguntámos-lhe, por fim, como descreveria a sua voz. Na resposta, hesita, mas explica. "Peculiar. Não porque seja uma grande voz, nem que seja pequenina, mas porque timbricamente (…) tenho muito grave na voz, tenho o rouco na voz, um quentinho que a torna… peculiar." E a personalidade? A resposta é imediata: "Forte. É forte e difícil."

O sonho do Coliseu não era recente. Foi sempre o maior, conta. "Cantar nos Coliseus, Lisboa e Porto. Não posso negar que tenho um carinho especial por esta sala (Coliseu dos Recreios), um respeito, um medo. Entro aqui e tenho sempre imensa vontade de chorar. Eu vi aqui tanta gente cantar, já pisei este palco com tantas pessoas, já fui tão feliz aqui (…) esta é a minha sala." E é dela que será a 21 de abril, para depois partir à conquista do Coliseu do Porto, no dia seguinte, a 22 de abril.

Veja o vídeo com a entrevista, abaixo.


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