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Portugueses vencem concurso internacional com um videojogo para crianças com cancro

O novo jogo para tablets e smartphones acaba de ser desenvolvido na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto para combater o sedentarismo e a ansiedade em crianças com doenças oncológicas.
Por Carlota Morais Pires, 17.11.2017

O videojogo, desenvolvido no Porto para promover a atividade física em crianças com cancro, acaba de ser distinguido com um prémio de 42 mil euros num concurso internacional para tecnologias que vêm melhorar a qualidade de vida de doentes oncológicos.

"O Hope pretende responder de forma eficaz a dois problemas existentes em crianças internadas com uma doença oncológica: a ansiedade e o elevado sedentarismo associados à hospitalização", explica em entrevista à Lusa o investigador responsável pelo projeto, Hernâni Zão Oliveira, estudante de doutoramento da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto.

Criado para tablets e smartphones, o novo jogo reúne dados importantes sobre a doença, a que podemos aceder através de ferramentas normalmente associadas ao entretenimento. Desta forma, promove o conhecimento sobre o cancro e a atividade física para crianças entre os seis e os dez anos.

"Toda a narrativa e o design deste jogo foram pensados para cruzar a perspetiva realista da doença oncológica, com base em fotorreportagens dos espaços hospitalares, com o mundo fantástico, onde os principais medos da criança se transformam em superpoderes da sua personagem", acrescenta Hernâni Zão Oliveira. O investigador diz ainda que os desafios propostos durante o jogo são ultrapassados através de uma tecnologia que possibilita o que chama exergaming, isto é, a prática de exercício físico durante um jogo virtual, recorrendo à câmara frontal do smartphone.

Por outro lado, e tendo em conta as constantes dúvidas e preocupações dos pais das crianças com doenças oncológicas, a equipa desenvolveu uma aplicação móvel para apoiar os cuidadores durante o tratamento da criança, além de lhes dar a informação necessária para tornar mais clara a complexidade científica associada aos procedimentos médicos.

A nova tecnologia integra o projeto Hope, distinguido no Astellas Oncology C3 Prize, um concurso internacional promovido pela multinacional Astellas Pharma, em parceria com o investidor Robert Herjavec. Por sua vez, este projeto português nasce de uma parceria entre a Universidade do Porto (UP), o Instituto Português de Oncologia Francisco Gentil, do Porto, e a start-up de comunicação em saúde Bright. O projeto Hope, finalista dos concursos The Next Big Idea e do Prémio Nacional Indústrias Criativas, deu origem ao desenvolvimento do primeiro laboratório português focado na Literacia em Saúde, o LACLIS - Laboratório de Criação em Saúde, sediado no Media Innovation Labs, o centro de competências da UP para os media.

Hernâni Zão Oliveira espera ter as aplicações disponíveis para utilização no final de 2018.

 

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