Clube de Leitura

Os melhores livros para ler agora

Estas são as leituras imperdíveis para as próximas semanas.
O Edifício de Pedra, de Asli Erdogan (Clube do Autor)
Asli Erdogan tem 49 anos, é escritora e jornalista, vive em Istambul. Em agosto de 2016 foi presa, acusada de, através dos artigos publicados em jornais, ter assumido posições próximas do PKK, o Partido dos Trabalhadores do Curdistão ? opositor do regime liderado pelo Presidente turco Erdogan. Foi castigada. Viveu 132 dias separada do mundo, imersa numa realidade alternativa. Presa n’O Edifício de Pedra que dá título à obra onde conta muito mais do que esse formal e frio confronto com uma possível condenação a prisão perpétua. Simultaneamente político e pessoal, duro mas suave e quase sempre poético, este testemunho corajoso distancia-se do tom jornalístico para mergulhar numa realidade dolorosamente próxima, esmiuçando as mil e uma formas que o abuso de poder do Estado pode assumir. O livro acaba mas a história continua, lá fora, nas ruas. Enquanto isso Asli está em liberdade, a aguardar a decisão do Tribunal de Istambul.
 
O Diabo na Cozinha, de Marco Pierre White
Quem o vê, intenso mas delicado, no papel de chef convidado do Masterchef Austrália, dificilmente suspeitaria do passado que fez dele um dos nomes maiores da gastronomia internacional. Neste livro, cujos direitos já foram reservados para o cinema (por Ridley Scott), conta-se a história do cozinheiro britânico que se transformou numa espécie de estrela rock, o mais jovem do mundo a arrecadar três estrelas Michelin, que viria a dispensar.
 
A Flor Amarela, de Anabela Mota Ribeiro
Brás Cubas morreu. E foi nesse momento que decidiu contar a sua história. Lá desde o mundo dos mortos, abriu espaço para uma reinvenção da ordem que tínhamos como certa, mas também para uma certa estranheza. Terá sido assim que a obra de Machado de Assis foi recebida, em 1881, criando um lastro que ainda hoje fascina. Assim se explica o mergulho que começou como trabalho académico para ganhar contornos de ensaio literário, com a autora a olhar, devagar e de perto, essa flor amarela chamada melancolia.
 
Meia-Noite ou O Princípio do Mundo, de Richard Zimler
Meia-noite é um antigo escravo transformado em curandeiro, trazido de África para o Porto pelo pai de John Zarco Stewart, uma criança cuja passagem da idade da inocência para a vida adulta é marcada por tumultos e abruptas transformações. Aquele homem torna-se o seu maior amigo, mas também um poderoso alicerce para lidar com a mentira e a perda, num Portugal invadido pelas tropas de Napoleão.
 
13 Anos para sempre Marion, de Nora Fraisse
A maior de todas as dores. É assim que todos os pais imaginam o que seja a morte de um filho. Nora Fraisse não só teve de lidar com essa perda mas também com o facto de a filha Marion se ter suicidado, com 13 anos. Neste livro, presta-lhe homenagem ao mesmo tempo que tenta alertar todos os pais para as enormes consequências do bullying e os perigos que as redes sociais escondem.

Nem Tudo Será Esquecido, de Wendy Walker
Se a ideia for aterrar no sofá e por lá ficar o dia inteiro, este livro será uma boa companhia. A desencadear este thriller psicológico está a violação de uma adolescente, a quem é administrado um fármaco, de forma a evitar traumas. Ela acaba por tentar o suicídio e, consequentemente, provocar uma crise no casamento dos pais, que reagem e lidam de forma diferente com o sucedido.
 
A Revolução do Sono, de Arianna Huffington
Sobejamente divulgado, este livro tem agora a sua edição nacional. Nele, a fundadora do The Huffington Post reflete sobre os perigos e consequências que o cansaço extremo e a privação de sono podem ter na saúde. Tomando como base a sua própria experiência, Arianna partilha experiências e evidências científicas, assinando um livro que já mudou muitas vidas.

Ainda Estou Viva, de Han Eun-Mi (Asa)

Nascida na Coreia do Norte, a jovem Han Eun-Mi viu os seus pais morrerem à fome e, numa tentativa de escapar ao mesmo fim, teve de suportar trabalhos violentos e pedir na rua enquanto era criança. Sempre na iminência de ser presa, torturada ou assassinada, sabia que o silêncio e a obediência cega eram a sua única hipótese de sobrevivência. Decidiu fugir, arriscando a vida e partindo rumo ao desconhecido. Em 2009, atravessou a fronteira com a China, mas tornou-se vítima de tráfico humano e foi obrigada a viver com um homem que a violou diversas vezes, acabando por a engravidar. Só em 2015, com 25 anos e um filho nos braços, é que conseguiu chegar à Coreia do Sul, onde vive finalmente em liberdade. Esta é a história dramática de uma ‘desertora’ que expõe aqui uma versão vivida e sofrida da cruel realidade do seu país, acompanhada por ilustrações de um artista, também ele desertor. Relatos e desenhos são, de resto, a única prova verdadeira da vida norte-coreana, já que lá as fotografias são proibidas.

O Jogo das Contas de Vidro, de Hermann Hesse

Considerada um clássico da literatura contemporânea, a obra que valeu ao escritor alemão o Prémio Nobel da Literatura é agora reeditada. Nela, conhecemos uma comunidade imaginária do século XXIII, em que uma elite intelectual cultiva o estudo de todas as ciências e artes através de um jogo. Josef Knecht, chefe supremo desta ordem espiritual, acaba por revelar uma sede insaciável de sabedoria que o leva a partir.

Cevdet Bei e os seus filhos, de Orhan Pamuk

É o romance de estreia deste Prémio Nobel da Literatura, que se inspirou no avô para desenhar a personagem que dá nome ao livro. Cevdet Bei é um comerciante muçulmano que se instala com a mulher no bairro ocidental de Nisantasi, onde constrói a fortuna da família entre a queda do Império Otomano e a fundação da Turquia moderna. A história segue depois os passos dos seus descendentes, acompanhando a evolução da sociedade.

Os Imperfeitos, de Cecilia Ahern

Celestine é o exemplo da perfeição. Filha, irmã e aluna excecional, vê-se confrontada um dia com uma situação à qual reage por instinto, quebrando as regras de uma sociedade distópica que rejeita a imperfeição. Quem o faz é excluído e marcado para sempre. Inspirada no mundo escrutinador em que vivemos, a obra é o primeiro volume da série Flawed (que já tem um segundo livro a caminho) e espera-se uma adaptação para o cinema.

O Jardineiro e o Carpinteiro, de Alison Gopnik

Com base no estudo da evolução humana e na sua própria investigação científica, uma das maiores especialistas mundiais em psicologia infantil mostra como está errada a ideia de um modelo único para uma boa ‘parentalidade’. Descrevendo uma grande variedade de experiências, a autora defende que se deve ajudar as crianças a encontrar o seu próprio caminho, deixando-as aprender enquanto criam e exploram.

A Casa das Belas Adormecidas, de Yasunari Kawabata

Escrito em 1961 por um Prémio Nobel da Literatura, este pequeno romance conta a história de um homem de 67 anos que, em busca de uma consolação para a juventude perdida, frequenta uma casa onde mulheres virgens se encontram adormecidas para que o seu corpo seja contemplado. Através de um erotismo expressivo mas subtil, o autor faz uma reflexão sobre a sexualidade, a morte e a perversão.

Lágrimas de Sal, de Pietro Bartolo e Lidia Tilotta

Médico na ilha de Lampedusa há cerca de três décadas, Bartolo tem resgatado, acolhido e prestado assistência aos migrantes e refugiados que fazem a travessia rumo à Europa, ouvindo também as suas histórias. Umas com final feliz, outras nem tanto. Neste livro, dá-nos um impressionante testemunho humanista desta tragédia sem precedentes, ao mesmo tempo que nos apresenta o seu próprio percurso de vida.


*Textos originalmente publicados nas edições 342 (março 2017) e 343 (abril 2017) da Máxima.
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