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Os 12 momentos que marcaram o ano

De discursos políticos a mudanças constitucionais, das marchas pela igualdade às conquistas no desporto, estes são os momentos a lembrar quando se falar em 2017.
Por Rita Silva Avelar, 19.12.2017
1. A Women’s March (a 21 de janeiro)

A Marcha das Mulheres aconteceu em Washington (e o seu efeito replicou-se também em Los Angeles, Chicago, Nova Iorque, Boston, Seattle e cidades europeias como Londres, Paris e Lisboa) precisamente um dia depois da tomada de posse de Donald Trump como Presidente dos Estados Unidos. Juntou mais de 4 milhões de pessoas, que se uniram contra a campanha sexista e xenófoba do Presidente americano, incluindo celebridades como Madonna, Jessica Chastain, Scarlett Johansson, Charlize Theron, Jane Fonda, Emma Watson, Jessica Biel, Kerry Washington, Miley Cyrus. Ashley Judd, uma das muitas personalidades que discursaram, começou assim: "O meu nome é Ashley Judd e sou feminista." A ideia da marcha partiu de Teresa Shook, uma reformada do Havai sem qualquer ligação ao ativismo, que criou um evento no Facebook para desafiar as mulheres a juntar-se em Washington. Quando acordou, no dia seguinte, já tinha mais de 10 mil subscrições.

2. A tripla vitória de Viola Davis no cinema (a 26 de fevereiro)

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Os prémios de cinema da Academia entregaram a distinção de Melhor Atriz Secundária à atriz Viola Davis pela prestação no filme Vedações (2016), que também ganhou nos Emmys e nos Tonys tornando-se assim a primeira atriz negra a ganhar três prémios no cinema na categoria de representação. O seu discurso inspirador e poderoso provocou uma resposta positiva na indústria do cinema, de colegas atores a realizadores. "Obrigada, Academia. Sabem, existe um lugar onde estão reunidas todas as pessoas de grande potencial. Existe um lugar, e é o cemitério. As pessoas perguntam-me a toda a hora: ‘Que tipo de estórias queres contar, Viola?’ E eu digo: exumem esses corpos. Exumem essas histórias. As histórias das pessoas que sonharam alto e nunca chegaram a ver os seus sonhos realizados. Pessoas que se apaixonaram e perderam. Eu tornei-me artista – e graças a Deus que o fiz – porque somos a única profissão que celebra o que significa viver uma vida", disse.

3. Wikileaks revela maior fuga de informação da CIA (a 5 de março)

A Wikileaks publicou a compilação de documentos Vault 7, onde constavam importantes informações referentes à CIA. Os documentos revelados detalhavam as técnicas de espionagem e vigilância da agência E punham a descoberto milhares de informações cruciais. A fuga de informações levantou questões relacionadas com a atual incapacidade da CIA de se proteger na era digital. Exilado na Rússia, Edward Joseph Snowden, o ex-administrador de sistemas da CIA (e o ex-contratado da Agência de Segurança Nacional que tornou públicos detalhes de vários programas que constituem o sistema de vigilância global da NSA americana). publicou vários tweets sobre o assunto.

4. A libertação de 82 mulheres presas pelo Boko Haram (a 6 de maio)

Há três anos, o grupo fundamentalista islâmico Boko Haram chocava o mundo ao sequestrar 276 crianças no nordeste da Nigéria, como parte de um intercâmbio de prisioneiros com o Governo. Em outubro de 2016 foram libertadas 21, apenas dois anos após o sequestro, e em maio passado conseguiu-se a libertação de mais 82 mulheres. A história deu a volta ao mundo com o lema #BringBackOurGirls, com a então primeira-dama norte-americana Michelle Obama na linha da frente da campanha para a libertação, à qual se juntaram várias personalidades. Há pelo menos ainda 113 jovens cujo paradeiro se mantém desconhecido.

5. O escândalo de Charlottesville (a 12 de agosto)

Em agosto de 2017 o estado de Virgínia via as suas ruas inundadas de ódio e violência com a marcha Charlottesville, que consistiu numa série de protestos de supremacistas brancos de extrema-direita, que fomentou ideias de racismo e nazismo (associados à política xenófoba do Presidente americano Donald Trump). Depois de um silêncio muito criticado pela imprensa nacional e internacional, Trump condenou finalmente as manifestações. Entretanto, vários ativistas foram identificados, condenados à prisão e a sentença de morte pode ser uma realidade para alguns como James A. Fields. António Guterres, o secretário-geral das Nações Unidas, fez um apelo no Twitter à não-violência destes protestos.

6. Inês Henriques conquista ouro nos 50 km de marcha (a 13 de agosto)

O ano de 2017 foi de glória para os atletas portugueses. Depois do bronze de Nelson Évora na final do triplo salto, a 13 de agosto a atleta portuguesa Inês Henriques conquistou o ouro nos 50 km marcha nos Campeonatos do Mundo, registando um recorde mundial (medalha de ouro e melhor marca de sempre 4h 05m 56s). No início do mês de dezembro, também a portuguesa Doroteia Peixoto venceu, pelo segundo ano consecutivo, a meia-maratona feminina de Macau com o tempo de 1 hora e 16 minutos (21,09 km).

7. Hillary Clinton publica livro What Happened sobre o pós-eleições americanas (a 12 de setembro)

A 8 de novembro de 2016, os Estados Unidos da América – e o mundo – mudaram para sempre. Hillary Clinton perdeu as eleições para o atual (e controverso) Presidente Donald Trump. É prática habitual um candidato escrever um livro pós-campanha eleitoral a relatar o processo, mas estamos a falar de uma mulher em particular: Hillary Clinton. What Happened chegou em setembro às livrarias americanas e foi desde logo motivo de debate pelo registo poderoso com que foi escrito. Nele, Clinton faz um retrato muito pessoal daquela que foi a política eleitoral por si liderada, escrevendo de uma forma crua, emocional e ao mesmo tempo pensada e ponderada.

8. A primeira mulher a formar-se no mais difícil curso dos Marines (a 25 de setembro)

Em março de 2016, meses antes do fim do seu mandato, o Presidente Barack Obama abriu todos os postos militares a mulheres. Pouco mais de um ano depois, e pela primeira vez na história da infantaria da Marinha americana, uma mulher concluiu o curso de 13 semanas de Oficial de Infantaria, um dos mais duros da academia, tornando-se o primeiro elemento feminino do corpo de fuzileiros navais da Marinha dos Estados Unidos. "Estou orgulhoso desta oficial e de todos da sua turma", disse o comandante-geral da infantaria da Marinha, Robert Neller, num comunicado oficial. "Os infantes da Marinha esperam e merecem líderes competentes e capazes, e estes graduados cumpriram cada um dos requerimentos do treino ao prepararem-se para o seu próximo desafio: dirigir os infantes da Marinha, finalmente, em combate", acrescentou Neller.

9. O caso Weinstein e o movimento #MeToo (a 5 de outubro)

Em outubro, o The New York Times chocava o mundo (e ainda bem) ao revelar que o maior produtor de Hollywood, Harvey Weinstein, assediou sexualmente, e durante décadas, dezenas de mulheres ligadas à indústria do Cinema e não só, como Angelina Jolie, Gwyneth Paltrow e Rose McGowan. As vozes continuam a insurgir-se até hoje, seja como vítimas do próprio Weinstein (ainda recentemente Salma Hayek e Uma Thurman contaram as suas histórias), como de outros homens, testemunhas ou apoiantes através do movimento #MeToo. O destapar do caso levou também a outra avalanche de denúncias que envolveram mais nomes sonantes do cinema, da música ou da moda como Kevin Spacey, Terry Richardson, James Toback ou Bill O’Reilly.

10. Aung San Suu Kyi discursa sobre imigração ilegal como causa do terrorismo (a 20 de novembro)

Atual líder do governo civil de Myanmar, Aung Kyi discursou no âmbito do Fórum de Cooperação Ásia-Europa (ASEM) sobre a imigração ilegal, apontando-a como a principal causa do terrorismo e da instabilidade no mundo. Além de alertar para a necessidade de a comunidade internacional se unir para conter esta ameaça, a líder birmanesa apontou ainda também as catástrofes naturais, resultantes das alterações climáticas, como outra das principais ameaças para o mundo. Em setembro, e face ao silêncio da líder birmanesa perante a contínua e dura perseguição à comunidade rohingya (o governo e a as autoridades birmanesas não reconhecem a cidadania aos rohingya e impõem-lhes várias restrições, incluindo a de se deslocarem), milhares de pessoas de todo o mundo reclamam a retirada do Prémio Nobel atribuído a Aung Suu Kyi através de uma petição.

11. O afastamento de Robert Mugabe do Governo do Zimbabué (a 21 de novembro)

Houve um tempo em que Robert Mugabe e Nelson Mandela eram ambos nomes que constavam na mesma lista de líderes africanos na linha da frente da causa anticolonialista. Quando Robert Mugabe subiu ao poder a outubro de 1980 para se tornar primeiro-ministro do Zimbabué, dava-se também início a um regime autocrático que durou 37 anos, até que a 15 de novembro de 2017, dia em que um golpe de Estado o sentenciou à prisão domiciliária, Mugabe foi afastado do poder. Durante este período Mugabe deixou o país economicamente arruinado e a sua liderança ficou associada à ligação com o coreano Kim Il-Sung (e ao Juche, a variante do marxismo-leninismo que é a ideologia de Estado da Coreia do Norte). Esteve ainda ligado ao genocídio conhecido por Gukuranhundi, que aconteceu em 1983, que terá vitimado 20 mil pessoas das populações civis de Matabeleland, da etnia Ndebele, sob a acusação de serem dissidentes ou de colaborarem com fações políticas opostas ao governo de Mugabe. Anos mais tarde, documentos oficiais e o livro Mugabe: Power, Plunder, and the Struggle for Zimbabwe’s Future, do jornalista britânico Martin Meredith, provaram que esteve ligado à orquestração do massacre. Além disso, e ao longo dos anos, deixou que a expropriação de terras fosse a razão da pobreza generalizada do Zimbabué.

12. Os avanços na cura da doença de Huntington (12 de dezembro)

Alguns chamam-lhe o intermédio entre as doenças Parkinson e Alzheimer, o certo é que a doença neurodegenerativa Huntington, cuja origem foi descoberta em 1993, partilha sintomas de ambos. Quase 25 anos depois, há uma esperança, com um novo medicamento a ser testado para a travar, segundo avançam as descobertas de uma  equipa de investigadores da University College de Londres. Causada pelo defeito num único gene que provoca danos irreversíveis no cérebro, a doença é incurável, mas é possível retardar os seus efeitos e aumentar o nível de autonomia do doente com este novo medicamento, que foi desenvolvido pela empresa farmacêutica Ionis e que baixa os níveis de proteínas tóxicas no cérebro.

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