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Mario Testino e Bruce Weber acusados de assédio sexual

Os dois fotógrafos já foram suspensos pela Condé Nast de trabalhar com as publicações do grupo.
Por Andreia Rodrigues, 15.01.2018
O fotógrafo peruano Mario Testino e o fotógrafo norte-americano Bruce Weber foram acusados de assédio e má conduta sexual. Modelos, ex-modelos e assistentes relataram as suas experiências ao jornal The New York Times, vividas pelos próprios ou testemunhadas em diferentes situações.

Mario Testino foi acusado por 13 pessoas, entre os quais o modelo Ryan Locke, com quem trabalhou em campanhas da Gucci, e que descreve vários episódios agressivos durante as sessões fotográficas. "Ele era um predador sexual", afirma. Hugo Tillman, um assistente de fotografia, disse que, uma vez, Mario Testino o agarrou na rua e tentou beijá-lo e, semanas mais tarde, o prendeu numa cama. Outro assistente a denunciar a situação foi Roman Barret, que afirmou que Testino se masturbou à sua frente e acrescentou que "o assédio sexual era uma realidade constante". As situações descritas aconteceram ao longo dos anos 90.

Segundo o jornal norte-americano, o escritório de advogados que representa Mario Testino "contestou o caráter e a credibilidade dos queixosos" e referiu que falou com vários "ex-funcionários que se mostraram chocados com as acusações e que não as confirmam".

No mesmo artigo do The New York Times, Bruce Weber é acusado por 15 modelos e ex-modelos de os sujeitar a nudez desnecessária e a vários comportamentos sexuais coercivos. O modelo Josh Ardolf disse que, durante uma sessão fotográfica em 2011, Weber lhe agarrou nos genitais. Outro modelo, Bobby Roache, contou que Weber, durante um casting em 2007, lhe tentou pôr as mãos dentro das calças.

Citado num comunicado do seu advogado, Bruce Weber afirma: "Estou completamente chocado e triste com as acusações indignas feitas contra mim, que nego em absoluto." No início de dezembro, o fotógrafo já tinha sido processado por agressão sexual pelo modelo Jason Boyce.

Os fotógrafos foram ambos suspensos de trabalhar com várias revistas, como a Vogue ou a Vanity Fair, ambas da Condé Nast.

Anna Wintour, diretora criativa da Condé Nast e diretora da Vogue norte-americana, afirmou, em comunicado: "Acredito fortemente no valor do arrependimento e do perdão, mas eu levo as acusações de forma muito séria, e nós na Condé Nast decidimos suspender a nossa relação profissional com ambos os fotógrafos." Referiu ainda que as alegações feitas contra "os seus amigos pessoais" foram "duras de ouvir e dolorosas de confortar". No mesmo texto foi divulgado o novo código de conduta da Condé Nast, que proíbe o consumo de álcool e drogas nos sets da empresa e impõe que os modelos que colaborem com os títulos do grupo tenham no mínimo 18 anos. É ainda especificado que "qualquer sessão que envolva nudez, roupa reveladora, lingerie, vestuário de banho, simulações de uso de álcool ou drogas ou poses sexualmente sugestivas têm de ser previamente aprovadas".

A rainha de Inglaterra suspendeu também a colaboração com Mario Testino. O fotógrafo estava entre os favoritos da família real britânica, com quem trabalhou durante décadas. Fotografou os príncipes William e Harry desde o seu nascimento e é autor dos últimos retratos da princesa Diana, antes da sua morte, em 1997. Fotografou também o anúncio do noivado do príncipe William com Kate Middleton, em 2010, e o batizado da princesa Charlotte, em 2015. Era o indicado para fotografar o casamento do príncipe Harry com Meghan Markle, em maio, mas devido às acusações de que foi alvo não o vai fazer.

 

 

 

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