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Lisboa recebe Los Carpinteros para uma exposição

Valdés e Sánchez, reconhecida dupla cubana, vão expor nas Carpintarias de São Lázaro, em Lisboa. Falámos com as curadoras, Verónica De Mello e Alda Galsterer, para conhecer melhor todo o conceito.
Por Máxima, 17.02.2017

Los Carpinteros, como são conhecidos os artistas cubanos Marco Valdés e Dagoberto Sánchez (ambos formados pelo Instituto Superior de Arte em Havana) chegam a Lisboa para uma exposição em nome próprio. A viver entre Madrid e Havana, dupla expõe por todo o mundo e, agora, é a vez de Lisboa. A curadoria da exposição, que estará patente nas Carpintarias de São Lázaro, na zona do Martim Moniz, ficou a cargo de Verónica De Mello e Alda Galsterer.

"Numa lógica de redundância, na persistência da ideia da madeira como elemento fundamental e o carpinteiro como criador, num ato quase simbólico, pareceu-nos necessário e importante trazer a Lisboa esta instalação da dupla de artistas cubanos. A obra de Los Carpinteros tem o poder da poesia e muitas vezes da monumentalidade e, no seu percurso de crescimento artístico, a madeira desempenhou um papel significativo e potencializador, pelo que esta oportunidade de ver uma obra de Los Carpinteros numa antiga carpintaria era algo que nos interessou desde o primeiro momento" revelam à Máxima.

Com um conceito muito específico, ligado à profissão de carpinteiro e à matéria-prima utilizada como base e à explosão de objetos, o "conceito curatorial da exposição Los Carpinteros desenvolve-se a partir da ideia de génese e criação. A instalação apresentada é uma cristalização do tempo, naquele que é o segundo primeiro a seguir a uma explosão. A profissão de carpinteiro como elemento simbólico, o criador em termos históricos e alegóricos, as várias questões que suscitam pensamento crítico sobre a criação e a madeira como objeto de transformação são várias peças de um conjunto de ideias que queríamos utilizar como base para refletir sobre o lugar deste novo espaço cultural na cidade" explicam.

A incontornável ligação à figura de São Lázaro "o ressuscitado" na linguagem cristã, está patente na curadoria, não fosse este o santo que dá nome ao espaço. "A figura histórica de São Lázaro, homem que ressuscita, dá o nome à rua das Carpintarias e neste percurso que nos levou até à inauguração desta exposição foram vários os aspetos que reforçaram a ideia central de reabertura, de início, de génese e até de ressuscitação" revelam.

 O desafio que mais entusiasmou as curadoras foi, como não poderia deixar de ser, o cauteloso posicionamento de todas as peças, de forma a deixar pequenas pistas com diferentes leituras aos que visitarem o espaço. "O trabalho desta dupla cubana pode ser sujeito de muitas leituras, a sua crítica mordaz aliada ao humor cria vários planos de profundidade nas possíveis interpretações. É esta possibilidade que a arte tem de mostrar a cada um de nós realidades diferentes, provoca leituras que estão intrinsecamente ligadas com a bagagem pessoal. A descoberta que cada visitante fará ao experienciar a obra é única e no nosso ponto de vista estes são os melhores "segredos" das obras de arte."

A exposição está patente nas Carpintarias de São Lázaro de 18 de fevereiro a 1 de maio de 2017, na rua de são Lázaro, 82.

Por Rita Silva Avelar

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