Artes

DOME: a nova loja de produtos éticos que nasceu de uma amizade

DOME é um projeto online de produtos éticos de várias partes do mundo, que seguem critérios sociais, ambientais e culturais. Conversámos com os mentores, também responsáveis pela abertura do restaurante sírio Mezze.
Por Rita Silva Avelar, 03.11.2017

O acrónimo DOME pode significar Design Objects Meet Ethics, mas este projeto ético pensado por quatro amigos quer ir muito além disso isso. Chama-se amor altruísta e é por aí que começamos. "Todos nós, de alguma forma, temos uma vontade enorme de intervenção social e tentamos fazer alguma coisa pelo mundo para torná-lo melhor. Os nossos caminhos cruzaram-se, inicialmente o meu e o do Nuno, na Blindesign, depois tudo o resto veio", começa por explicar à Máxima a designer Rita Melo que se juntou ao economista Nuno Mesquita, à também designer Rita Cortes e à gestora de projetos na área de e-commerce Diana Lourenço para implementar um projeto transversal que refletisse os seus valores de vida. "A verdade é que todos nós estivemos envolvidos em projetos de responsabilidade social, ambiental, de alteração de consciência. Em 2015, eu e a Rita Melo abrimos a Blindesign a pensar em três eixos de desenvolvimento: um era a consultoria, desenvolvimento e implementação de projetos de impacto social - o Mezze é um desses projetos a que ajudamos a dar vida; a segunda área é uma loja que agrega estes produtos de impacto social; e a terceira fase é o desenvolvimento de produto próprio, que é o caso dos que temos na DOME", acrescenta Nuno Mesquita.

A Blindesign, o ateliê de eco-design fundado por Rita Melo e Nuno Mesquita em 2007, dedica-se a iniciativas de responsabilidade social como o Mezze, o restaurante para integração de refugiados do Médio Oriente que abriu em setembro em Lisboa. A DOME nasce, assim, do seguimento desta linha de pensamento para dar valor ao design pensado de forma ética, traduzindo-se numa plataforma online de venda de produtos criados por marcas.

Escolhê-las foi, como afirma Rita Cortes, o primeiro passo. "Garantir que não houve ninguém a ser explorado pelo caminho, que se teve em conta a preservação dos recursos naturais… Tudo isso deveria ser tão óbvio que não seria preciso explicar." Seguindo rigorosas normas de seleção, o quarteto chegou a 200 marcas para depois ficar com dez. A Ethnotek, a Mifuko, a WomenCraft, a Pebble, a SOKO, a Studio Vayehi, a Teresa Gameiro e a Orikomi (as duas últimas, portuguesas) partilham, além dos valores éticos, o poder de contar estórias dentro de estórias, em cada um dos seus produtos, como explica Rita Melo. "Antes de lançarmos a loja tínhamos noção de que o impacto tinha de ser comunicado e que o consumidor tinha de saber o que estava a comprar. Além dos produtos serem incríveis e muito apelativos, temos consciência de que cada um deles conta uma história forte." E, claro, paralelamente a tudo isto, criar uma consciência social no ato de comprar que ainda está a crescer. "A DOME está a pensar nas pessoas que querem ter uma sensação diferente na compra. Quando vamos comprar alguma coisa, olhamos para o preço, aqui gostávamos que as pessoas olhassem para o preço, para a beleza da peça, mas que quisessem saber também o que é que aquilo representa para o mundo", afirma Nuno Mesquita.

A Teresa Gameiro e a Orikomi, as duas marcas portuguesas que fazem parte desta curadoria digital, foram escolhidas entre 200 e representam essa mesma consciência social. Produzidos com a delicadeza e a destreza das mãos de tecedeiras em Fátima, os acessórios de Teresa Gameiro são a fusão entre a tradição e a contemporaneidade. Já a Orikomi é uma marca lisboeta de decoração, que combina iluminação e técnicas de origami para criar peças únicas, como candeeiros.

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