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Consumo de antidepressivos em Portugal duplicou nos últimos quatro anos

Recurso excessivo a psicofármacos é uma das principais razões do aumento drástico.
Por Marta Carvalho, 10.10.2017
Cerca de 30 milhões de embalagens de medicamentos para a depressão, ansiedade e outros problemas de saúde mental foram consumidos pelos portugueses só no ano passado. Entre 2013 e 2016 o consumo dessas embalagens duplicou em Portugal, e os médicos diagnosticaram perturbações depressivas em 9,3% dos utentes em 2016.

Apesar de uma ténue redução, o consumo cada vez maior de antidepressivos e antipsicóticos junta-se à compra frequente de tranquilizantes e de medicamentos que controlam a hiperatividade em crianças e jovens. O consumo dos últimos tem alertado os especialistas e recebe de novo destaque no relatório do Programa Nacional para a Saúde Mental de 2017, que é hoje apresentado em Lisboa.

Ao contrário do que acontece com os antidepressivos, os tranquilizantes podem criar dependência e, por isso, são potenciais drogas de abuso. Quando Álvaro Carvalho, diretor do Programa Nacional para a Saúde Mental, apresentou o relatório de 2016, explicou que o consumo de tranquilizantes em Portugal chegara a "níveis de risco para a saúde pública" e defendeu a diminuição da compartição estatal deste tipo de medicamentos. "Tendo em conta os riscos associados ao consumo de substâncias psicotrópicas, medicamentos ou não, sobretudo durante a infância e a adolescência, mantém-se a recomendação internacional quanto às limitações ao seu uso comum, quer em menores de idade quer em grávidas e mulheres a amamentar", lê-se no relatório.
António Leuschner, presidente do Conselho Nacional de Saúde Mental, sublinha que "a saúde mental não pode estar refém da psiquiatria" porque existem outras opções que não envolvem, numa primeira fase, medicação. Nesse sentido, hoje vai ser também assinado um protocolo com a Ordem dos Psicólogos para se potenciar o recurso a consultas de psicologia e evitar o consumo excessivo de psicofármacos. "Em grande parte das situações não é necessário recorrer de imediato a medicamentos", diz António Leuschner, que explica que a ideia de que um médico que não receite fármacos não está a prestar um bom serviço tem de ser combatida.

Os dados do relatório permitem concluir que os médicos de família, agora mais sensibilizados para o diagnóstico de problemas de saúde mental, registam cada vez mais perturbações depressivas, de ansiedade e demências. No ano passado mais de 9,3% dos utentes apresentavam perturbações depressivas, percentagem que não passava dos 5,3% cinco anos antes.
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