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Alunos portugueses do 4.º ano mostram nível mais baixo de literacia

Entre 2011 e 2016, o nível de literacia de Portugal desceu 13 pontos numa lista de 50 países. A única descida mais acentuada é do Irão.
Por Marta Carvalho, 05.12.2017

Segundo um estudo conduzido no ano passado a 50 países do mundo, a média da literacia dos alunos portugueses do 4.º ano desceu em média 13 pontos em comparação aos resultados de 2011. A nova lista PIRLS (Progress in International Reading Literacy Study), que se realiza de cinco em cinco anos, mostra que o país teve a segunda maior queda em pontuação, estando o Irão em primeiro lugar. As três pontuações mais altas vão para a Federação Russa (581 pontos), Singapura (576) e Hong Kong (569).

Entre os 50 países que participaram no estudo, Portugal está em 30.º lugar com 528 pontos; há cinco anos ocupava o 19.º, com 541. Sendo que a pontuação média do PIRLS é de 500 pontos, Portugal continua a manter-se acima dessa linha, embora tenha sofrido a segunda maior descida de pontuação. A análise foi feita a 4642 alunos do 4.º ano numa "etapa de transição considerada fundamental" pela IEA (International Association for the Evaluation of Educational Achievement) e avalia não só as capacidades de leitura mas também o que se lê e a sua utilização na vida em sociedade.

Entre as razões que podem estar por detrás desta descida estão o fim dos exames nacionais do 4.º ano (em 2015) e a preocupação que os professores têm em dar toda a matéria em vez de se focarem no processo e na compreensão do que está a ser ensinado. Os alunos são muitas vezes submersos em conceitos, deixando-se de lado "o que é realmente importante: ler, compreender, escrever", explica a presidente da Associação Nacional de Professores de Português, Rosário Andorinha, ao jornal Público. "Tem de haver uma mudança na formação de professores e nas didácticas e metodologias utilizadas."

Já Manuel Pereira, presidente da Associação Nacional de Dirigentes Escolares, defende que os resultados deste estudo não correspondem à realidade. "Os alunos portugueses têm vindo a melhorar de ano para ano, só que muitas vezes não dão importância a este tipo de provas e por isso estas nem sempre reflectem o que de facto sabem."

No entanto, 48 destes 50 países têm em comum o facto do desempenho das raparigas ser melhor do que o dos rapazes. Desde 2001 que o PIRLS confirma esta diferença, que entretanto quase se dissipou em Portugal, uma vez que em 2016 as meninas estão apenas a dois pontos de diferença dos rapazes. Isto confirma uma descida de 19 pontos das raparigas (de 548 para 529) que foi inferior no desempenho dos rapazes, que desceram 7 pontos (de 534 para 527).

 

 

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