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Algumas plantas medicinais provocam cancro do fígado

Três delas existem em Portugal e chegaram a ser usadas para tratamentos de inflamações e em suplementos dietéticos.
Por Marta Carvalho, 20.10.2017
À semelhança de outros produtos naturais, as ervas medicinais têm químicos que podem ter efeitos tóxicos para a saúde. Uma equipa de cientistas de Singapura e de Taiwan publicou recentemente um artigo científico na revista Science Translational Medicine que indica que o ácido aristolóquico, extraído das plantas trepadeiras aristolóquias, está relacionado com o cancro do fígado.

Este ácido está presente em mais de 100 espécies de plantas em todo o mundo e três delas vivem em Portugal: a Aristolochia baetica, a Aristolochia paucinervis e a Aristolochia pistolochia. São usadas há séculos para curar a artrite reumatoide e outras inflamações, para emagrecer e para tratar picadas de cobras, aranhas ou escorpiões.

No entanto, foi na década de 90 que cerca de 1800 mulheres belgas tomaram comprimidos para emagrecer com este ácido e 100 dessas mulheres foram eventualmente hospitalizadas com falência renal e a precisar de hemodiálise. Nos Balcãs, as aristolóquias que crescem nos campos espontaneamente acabaram por contaminar alimentos à base de trigo e deram assim origem à doença nefropatia endémica dessa zona.

O que este estudo mais recente revela é que o cancro do fígado também está relacionado com o ácido aristolóquico. Este último, quando ingerido pelo sistema, tem tendência a alterar células que podem depois provocar cancro ou ficar incapazes de defender o corpo contra a doença. Os cientistas verificaram que o ácido aristolóquico causou 59% das mutações em genes envolvidos no cancro e que 78% dos casos de cancro do fígado em Taiwan tinham sido causados pela mesma substância.

A Organização Mundial da Saúde considerou o ácido cancerígeno e o seu uso como erva medicinal está, desde 2001, proibido na Europa e nos Estados Unidos. Em países asiáticos esta medida só foi posta em prática dois anos depois, em 2003. No entanto, a equipa que fez o estudo alerta para a venda de produtos com este ácido, que muitas vezes se encontram à disponíveis na Internet e podem estar mal rotulados.

 

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