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100 mulheres escrevem contra o movimento #MeToo

Várias personalidades femininas francesas assinam carta aberta contra algumas campanhas ligadas ao combate ao assédio sexual.
Por Andreia Rodrigues, 10.01.2018
100 mulheres assinaram uma carta aberta publicada no jornal francês Le Monde. Entre elas, incluem-se académicas, escritoras e artistas, como a atriz francesa Catherine Deneuve, a atriz alemã Ingrid Caven e a escritora, fundadora e editora da revista Art Press, Catherine Millet.

Com o título Defendemos a Liberdade de Importunar, Indispensável à Liberdade Sexual, é uma reação a movimentos como o #MeToo e Time’s Up, que denunciaram casos de assédio e violência sexual em Hollywood e no meio laboral. A carta acusa o movimento #MeToo, e o equivalente francês #BalanceTonPorc, de ser "uma onda puritana de purificação". Afirmam ainda que, "como mulheres, não nos revemos neste feminismo que, além de denunciar o abuso de poder, transforma-se num ódio aos homens e à sexualidade".

As autoras da carta consideram que estas campanhas têm ido longe demais, pois os "homens foram castigados e forçados a abandonar os seus empregos quando tudo o que fizeram foi tocar no joelho de alguém ou tentar roubar um beijo, falar sobre coisas ‘íntimas’ num jantar de negócios ou enviar mensagens sexualmente explícitas para uma mulher cuja atração era recíproca" e lamentam que os homens denunciados por abusos sexuais não tenham tido "oportunidade de responder ou se defenderem".

Ainda assim, admitem que a denúncia do caso Harvey Weinstein originou um movimento de "consciência legítima da violência sexual contra as mulheres, particularmente no local de trabalho, onde alguns homens abusam do poder".

As autoras da carta defendem a liberdade sexual, assegurando que estão com os "olhos abertos o suficiente para não confundir uma tentativa incómoda de escolher alguém com um ataque sexual".

A carta reflete os sentimentos contraditórios que se verificam em França em relação às acusações sistemáticas a homens poderosos por assédio sexual, em vários países, nos últimos meses. E volta a sublinhar que o significado da palavra assédio ainda não é claro para o mundo numa altura de consciencialização e mudança. 
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