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O poder da moda, além da moda

Com as tendências de primavera/verão já apresentadas nas passerelles, quisemos saber de que forma é que a moda contamina, inspira e invade áreas como a política e o cinema, a sociedade e as diferentes artes.
Por Carolina Carvalho, 18.05.2017

O agitado calendário da moda não prevê semanas de desfiles para breve, contudo aproxima-se o Festival de Cannes e ainda se sentem os efeitos da Gala do Metropolitan Museum. Mas cinema e arte são apenas dois dos universos onde a moda brilha fora das passerelles e os próximos meses avizinham-se recheados.

Cruzamentos artísticos

Este é ainda um ano rico em exposições inspiradoras. Depois de muito estudado este assumido "fraquinho" que o público tem por ver moda exposta em museus, as opções este ano são variadas, porém todas além-fronteiras. Oito de março, Dia Internacional da Mulher, foi a data escolhida pelo Museu das Artes Decorativas, em Paris, para abrir a exposição Travaux de Dames (até 17 de setembro), na qual o museu reúne peças de várias das suas coleções para ilustrar, em diferentes estilos, o percurso que as mulheres percorreram desde as atividades às quais estavam limitadas no início do século XX até conquistarem o estatuto de artista. O mesmo museu abre também a 5 de julho a exposição Christian Dior, Designer of Dreams, que celebra os 70 anos do nascimento da marca. Em Nova Iorque, a grande exposição de primavera do Costume Institute do Metropolitan Museum of Art chama-se Rei Kawakubo/Comme des Garçons: Art of the In-Between e é dedicada à criadora japonesa. Abriu a 5 de maio e, como sempre, a passadeira vermelha da festa de inauguração, conhecida como a Met Gala, foi muito concorrida. Também em maio, mais precisamente dia 27, está prevista a abertura da exposição Balenciaga: Shaping Fashion no Victoria and Albert Museum, em Londres. Em cerca de 100 peças, da autoria do próprio e dos seus "herdeiros" na moda, esta mostra explora o que tornou o trabalho do criador espanhol tão relevante no cenário da moda parisiense das décadas de 1950 e 60 e que mantém o legado ainda vivo hoje. Curiosamente, também o Musée Bourdelle, em Paris, tem a exposição Balenciaga, L’Oeuvre au Noir agendada entre 8 de março e 16 de julho, no âmbito da época espanhola do Palais Galiera. 

De regresso a Londres, o vigésimo aniversário da morte da princesa Diana, no verão, inspirará muitas homenagens e uma delas é a exposição Diana: Her Fashion Story. Muito antes da febre das redes sociais, a princesa foi a mulher mais fotografada do mundo e o maior ícone de estilo do seu tempo. A exposição abriu em fevereiro no Palácio de Kensington, onde a princesa morou durante quinze anos e para onde os duques de Cambridge e os príncipes George e Charlotte vão viver esta primavera. Mas este não é o acontecimento mais mediático da família nesta estação. A imprensa cor-de-rosa não deixa esquecer que o casamento de Pippa Middleton com o milionário James Matthews será um dos eventos do ano. A curiosidade sobre o vestido de noiva é, como seria de esperar, grande.

Também alguns destaques de cinema têm como critério o guarda-roupa e, este ano, os mais badalados nesta área têm inspirações de época. Depois de séries como Victoria (que chegou em janeiro à RTP1) e The Crown (na Netflix) se terem revelado verdadeiros sucessos, a inspiração segue agora para o grande ecrã. Em Tulip Fever (de Justin Chadwick), a história passa-se na Amesterdão do século XVII onde Alicia Vikander ostenta os vestidos e joias criados pelo figurinista Michael O’Connor. A Bela e o Monstro trouxe toda a magia do clássico de animação da Disney, mas também uma constelação de estrelas no elenco. O guarda-roupa ficou a cargo de Jacqueline Durran, que tem no currículo quatro nomeações para os Óscares e que, em 2013, conquistou mesmo o prémio com o filme Anna Karenina. Quem sabe, talvez faça do vestido amarelo uma das peças de desejo deste verão? Para propostas alternativas é necessário esperar até ao outono para ver o que reserva o filme Blade Runner 2049, a continuação da referência do cinema de ficção científica de 1982.


Regresso ao início

Os anos 80 chegam em força como inspiração desta primavera/verão 2017 (com brilhos e ombros largos no seu melhor). Prada faz das toucas de praia um acessório da estação em Miu Miu, as capas de telemóvel ganham um estatuto quase semelhante ao das clutches (as criações Louis Vuitton ilustram bem este ponto), o roupão procura um lugar no guarda-roupa de rua, as plataformas arriscam um regresso à moda com a ajuda de Marni e Gucci e as Crocs tentam a sua sorte de principiantes pela mão e imaginação de Christopher Kane, mas não podemos ficar apenas pelas propostas das casas de moda. A nova estação faz florescer novidades e inspirações em variadas áreas. A moda anda por aí…



Por Carolina Carvalho

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