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Web Summit 2017: o que podemos esperar da moda no futuro?

Como se vai desenhar a moda? Será que a indústria está mais consciente? Nesta edição do Web Summit, em Lisboa, falou-se de sustentabilidade, tecnologia, diversidade e de todas as possibilidades que os meios digitais nos abrem a cada segundo.
Por Carlota Morais Pires, 09.11.2017

Hoje em Lisboa discutiu-se o futuro da moda, mas também os temas que marcam a atualidade, a começar pelo assédio sexual. Sara Sampaio foi a primeira a abordar a questão na conferência The Modern Day Model: "Há bullying na indústria, mas não devia ser assim ? as fotografias que mostram corpos nus exploram o lado artístico, é o que é suposto, mas tem de existir um acordo mútuo e, acima de tudo, repeito." A modelo portuguesa avançou ainda que as modelos mais novas, que estão a começar agora, são os alvos mais fáceis de predadores e que o comportamento abusivo só pode ser travado a partir do momento em que deixar de ser silenciado. "Temos de falar e de denunciar estes casos", apela.

Também se falou da importância da sustentabilidade e de como a indústria está cada vez mais consciente. Marie-Claire Daveu, responsável pela estratégia de sustentabilidade da Kering, um dos mais importantes grupos de luxo do mundo, que detém marcas como a Saint Laurent, a super ecológica Stella McCartney e a Gucci (que já prometeu deixar de usar pele animal a partir de 2018), defendeu uma revolução que vai redesenhar o futuro da moda na conferência Rethinking luxury: Setting a Trend for sustentability. As marcas estão a mudar as suas estruturas, preocupam-se com o impacto da produção têxtil no ambiente, com a reutilização de materiais, com a utilização de produtos de origem animal. Algumas marcas mais pequenas, como a Reformation, por exemplo, construíram todo o seu conceito a partir destas premissas; outras, maiores e mais antigas, casas de luxo como a Bottega Veneta ou a Gucci, estão a repensar as suas estratégias comerciais e a considerar a utilização de outros recursos, mais sustentáveis. "A sustentabilidade é o futuro", garante Daveu.

Uma outra questão central para a moda agora é a diversidade. Caroline Rush, do British Fashion Council, Andreja Pejic, modelo transgénero, e Mattie Kahn, jornalista da Elle.com, discutiram a importância de explorar diferentes raças e géneros, mostrar diferentes tipos de corpo e rostos com traços exóticos, de os trazer para as capas das revistas de moda. Defendem que é fundamental alargar os padrões de beleza, chegar ao mundo inteiro. "A indústria está a mudar. Vemos agora uma modelo como a Adwoa Aboah na capa da Vogue UK, a primeira editada pelo novo diretor, Edward Enninful, que é uma lufada de ar fresco. É uma das modelos que mais tem falado sobre a importância da diversidade, sobre a importância da igualdade de género, que mais tem incentivado a falar-se abertamente sobre questões tabu, como a depressão e a saúde mental. É uma mensagem muito forte e um sinal de que o paradigma está a mudar. As raparigas mais novas, e os rapazes também, podem ter a revista nas mãos e identificar-se com estes problemas, podem agora sentir que não estão sozinhos." A moda está a deixar de vender uma ideia superficial e artificial de perfeição para abraçar as imperfeições humanas ? é cada vez mais inclusiva, interessa-se cada vez mais pela diferença e esta é uma das mudanças mais relevantes dos novos tempos. Se as redes sociais forçaram uma globalização, esta é uma das melhores transformações.

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