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Qual é o glamour de fumar?

A ciência diz que o tabaco mata, mas a moda insiste em manter o cigarro entre os dedos. Imagem e estética ou pura rebeldia? Fomos saber porque é que a indústria não consegue deixar de fumar.
Por Carlota Morais Pires, 04.08.2017

Em maio deste ano, na última gala anual do Metropolitan Museum of Art, Bella Hadid, Kendall Jenner, Dakota Johnson e Marc Jacobs (entre outros nomes da moda e do cinema) publicaram fotografias no Instagram que mostrava o grupo de cigarro na mão em plena casa de banho. Este terá sido o início da controvérsia que voltou a lançar uma velha questão: porquê (re)criar este allure à volta de fumar e transmitir essa imagem (e mensagem) numa rede social? A poeira ainda não assentou. Kendall Jenner e Bella Hadid continuam a publicar fotografias de cigarro entre os dedos e a fazer com que as vozes mais críticas subam de tom.

"Tem tudo a ver com a provocação", resume Paulo Macedo, stylist e ex-diretor criativo da Vogue Portugal. "Todos temos consciência de que o tabaco faz mal à saúde, mas a verdade é que está ligado a uma enorme dose de sexualidade, à ideia de uma mulher forte e independente, que só faz o que quer", explica.

Há um imaginário e uma estética que liga o cigarro ao sex appeal, à figura da femme fatale. E se esta imagem foi alimentada pela moda nos últimos anos (dos editoriais de Carine Roitfeld para a Vogue Paris à fotografia de Helmut Newton e Guy Bordin e à figura de Kate Moss e do que chamámos de heroin chic nos anos 90), o cinema também tem um peso enorme na criação deste universo visual onde o tabaco é glamorizado. "Basta lembrar as fotografias de Marlene Dietrich a fumar nos anos 30 e 40. São imagens com power que mostram mulheres independentes, que de alguma forma estão um passo à frente das outras, que querem ser diferentes", lembra Paulo Macedo.

Se esta estética já é alimentada desde o início do século, porque é que agora a sociedade está mais repreensiva? "Vivemos numa sociedade muito conservadora, mas as imagens de moda sempre foram controversas, sempre serviram para agitar as águas. Se não fossem assim, bastava ver catálogos em vez de editoriais. Fumar ou estar a fumar numa fotografia é quase um statement, é dizer que não se quer cumprir regras, não se quer ser politicamente correto. A moda tem de ter esse rock and roll", diz ainda Paulo Macedo. "Porque no dia em que deixar de ser polémica, vai deixar de ser interessante." 

 

 

 

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