Desfiles

O que vimos (e o que ficou por ver) na apresentação de Carlos Gil em Milão

Vestidos fluidos de mil cores deixaram-nos espreitar o imaginário do criador: para o próximo verão Carlos Gil veste uma mulher clássica com peças delicadas – que gostávamos que fossem mais imprevisíveis.
Por Carlota Morais Pires, 25.09.2017

A arquitetura sempre andou de mãos dadas com a moda, mas Carlos Gil quis aproximar (ainda mais) as duas esferas artísticas. Quando começou por desenhar os traços que viriam a definir o seu imaginário para o próximo verão, o criador português inspirou-se nas formas arquitetónicas do futuro e nos arranha-céus metálicos que constroem as paisagens urbanas de agora.

Cidade da cultura, da imagem e das artes, Milão é o ponto de partida certo para apresentar esta coleção, que tem como principais referências os dois emblemáticos edifícios (ou serão jardins suspensos?) assinados pelo arquiteto Stefano Boeri. "Os estampados gráficos representam as duas torres. São referências às linhas contemporâneas, mas ainda assim evocam um ambiente tropical", avança o designer. Foi algures entre os dois contextos que conseguiu encontrar as suas influências e criar uma coleção onde explora a geometria nos estampados e a feminilidade em cores de algodão-doce. 

Depois, também se divertiu a criar jogos de texturas: vimos peças em rede e outras revestidas em lantejoulas ou com aplicações brilhantes, a espelhar a luz dos enormes candeeiros; mas também o neoprene perfurado, vestidos compridos e fluídos em seda e bomber jackets em cetim.

As silhuetas de Carlos Gil são ultrafemininas e apetecíveis, fazem lembrar doces coloridos. Os vestidos são leves como um sopro (e bonitos) e as carteiras usadas à cintura dão-lhes mais modernidade enquanto atenuam a imagem demasiado alinhada e bem-comportada – mas mais do que uma coleção forte do ponto de vista conceptual, o criador procurou trazer as tendências desta primavera para a passerelle. Talvez fosse ainda mais interessante correr outros riscos, sair da caixa e da zona de conforto; mesmo quando o lado comercial tem um peso tão grande na indústria, pode facilmente tornar-se aborrecido – a moda acaba sempre por se deixar levar pela novidade, pela criatividade e curiosidade.  

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