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Max Mara: Capsule Collection

A Max Mara fez as malas com a sua coleção pre-fall 2017 e montou em Xangai um evento onde moda e arte se encontraram num só desfile. Ficámos também a conhecer uma coleção cápsula see now, buy now em colaboração com o artista Liu Wei e as instalações que este criou especialmente para o cenário do evento.
Por Máxima, 16.12.2016
Enquanto as temperaturas caem em Milão, nos ateliês Max Mara já só se pensa no que se vai usar no próximo outono. A coleção pre-fall 2017, que chegará às lojas no final do próximo verão, rumou até Xangai para um desfile recheado de surpresas que, ainda antes de acontecer, a 15 de dezembro, já tinha uma história para contar.

A Max Mara decidiu apresentar ao mundo a coleção Monopolis na maior cidade da China. O Shanghai Exhibition Center foi o local escolhido para receber um desfile com tom de celebração para uma restrita audiência de 1200 convidados, no dia 15 de dezembro. Mais do que um tradicional desfile de moda, este evento assumiu contornos artísticos, com a aposta no artista contemporâneo Liu Wei para criar uma instalação especialmente para a ocasião, a servir de cenário. Segundo o diretor criativo da marca, Ian Griffiths, "a moda faz parte da cultura contemporânea, por isso naturalmente um criador de moda tem de estar atento a tudo o que está a acontecer. Arte, música, teatro, arquitetura – até a política nos dá indicações para onde o zeitgeist está a ir". Tanto a marca como o artista partilham a cidade como fonte de inspiração e Griffiths diz que imaginaram "a derradeira cidade, Metropolis, criada por Liu Wei como cenário do desfile. O mood é quase Film Noir, esse género fascinante que descreve o glamour negro da vida urbana".

Esta parceria foi bem mais longe e a obra do artista inspirou a equipa criativa da Max Mara na elaboração de uma coleção cápsula cuja apresentação está integrada neste desfile e que foi criada segundo o modelo see now, buy now. Ou seja, as 11 peças que compõem esta coleção estarão à venda em todo o mundo e no site da Max Mara no dia a seguir ao desfile. Quanto ao lado criativo desta coleção cápsula, Ian Griffiths explica que o destaque "são os tecidos inspirados pelo trabalho de Liu Wei – e desenvolvidos em conjunto com o próprio artista. O trabalho dele tem a ver com a cidade, por isso começámos por transferir os mapas de cidades reais ou imaginárias para camadas de tecidos cortados a laser. Os têxteis têm um aspeto excitante cru e inacabado, como o trabalho de Liu Wei. Desenvolvemos os estampados definindo os contornos de um plano arquitetural com uma máquina de costura, deixando linhas soltas – uma nova forma de tromp l’oeil". E quanto ao conceito que tem ganho protagonismo no universo da moda no último ano, o diretor criativo diz que "a lógica por trás da coleção cápsula see now, buy now era produzir um número limitado de peças colecionáveis, daí a colaboração com um artista de topo. Por isso, neste caso, see now, buy now abriu possibilidades criativas, não as limitou". E acrescenta ainda que este conceito é como um estímulo para pensar de forma diferente. 

PALAVRA DE ARTISTA

Liu Wei nasceu em 1972 em Pequim, cidade onde vive atualmente. Estudou pintura na China Academy of Art, em Hangzhou, e tem como fonte de inspiração o ambiente de instabilidade e oscilação que tem envolvido o seu país neste século, refletidos na paisagem física e intelectual.

Quando e como começou esta colaboração?

Fui abordado pelo curador de arte Francesco Bonami e por Mr. Guidotti. Apresentado pelo Sr. Bonami, o Sr. Guidotti visitou o meu estúdio em Pequim e convidou-me para colaborar com a Max Mara.

Como vê esta colaboração com a Max Mara? Mais como uma peça, uma performance ou uma escultura?

É uma mistura de todos, escultural, performativo e teatral, em diferentes momentos. Também é moda, claro, em todos os sentidos da palavra, porque eu presto atenção ao campo especial no qual me estou a aventurar nesta ocasião.

Qual a relação entre a sua arte e a figura humana?

As pessoas descrevem frequentemente o meu trabalho como abstrato, não-representacional. Acho que se pode dizer que o meu trabalho oferece espaço aos espectadores, no qual entram em negociações com eles próprios.

O que pensa da moda? Como lida com isso?

A exigência da moda, por rapidez e tensão, faz dela uma forma de arte especial. Eu respeito-a e acho-a muito interessante, embora certamente não saiba o suficiente sobre ela.

Qual a relação entre a sua arte e a cultura chinesa?

Como alguém que nasceu, foi criado e passa a maior parte do seu tempo na China, tenho de criar trabalhos que são descritos como sendo chineses. Penso muitas vezes na cultura tradicional chinesa, mas não penso que é necessário deixar traços óbvios desta em arte que é contemporânea por natureza.

Uma das coisas que liga a sua linguagem à linguagem da moda é o uso de materiais e formas muito diferentes. Concorda?
Incansavelmente fico insatisfeito com formas e materiais existentes, por isso procuro sempre diferentes formas de ir além do que já foi feito.

Podemos ver vários capítulos diferentes entre os seus trabalhos. Defini-los-ia como "coleções" da mesma forma que um criador de moda vê o seu trabalho?

Não sei o suficiente sobre moda, mas se uma "coleção" é algo que a dada altura expressa e define algo pessoal, e tenta falar sobre algo que é elementar e universal, então acho que há semelhanças entre as duas.

O espaço é muito importante para o seu trabalho. Como é que as suas esculturas refletem isso?

Eu tenho tendência para pensar os meus trabalhos esculturais ou instalações como espaços que ganham forma.

Qual é o ponto de partida e a inspiração por trás das suas obras?

Varia. Às vezes pode ser algo muito trivial ou pessoal, às vezes podem ser eventos políticos ou sociais. Mas, na maioria dos casos, eventualmente o trabalho acaba longe da ideia inicial e torna-se algo totalmente diferente.



Por Carolina Carvalho

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Coleção Cápsula Max Mara: os looks

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