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Já conhece a Darkside?

Se ainda não, decore o nome da nova marca portuguesa que cria os óculos de sol que sempre sonhámos ter - e nos promete que vão durar uma vida. A Máxima sentou-se à conversa com Carolina Castro, a designer que os assina.
Por Carlota Morais Pires, 02.08.2017

 De onde vem a ligação à moda? Como surgiu a ideia de criar uma marca de óculos de sol?

Sempre me interessei pelo processo que traz a moda das passerelles para a rua, da evolução das pessoas e das suas necessidades, de como a vemos nas revistas e nas ruas. Mas tudo vem da minha infância. A minha mãe geria uma confeção onde se fazia roupa para várias marcas e lembro-me de passar muitas horas ali: queria ver tudo, colecionava amostras e desenhava. Estranhamente, o meu sentido estético e a roupa que usava sempre foram muito simples: calças de ganga, t-shirts brancas ou roupa preta; depois, abusava nos acessórios.

A paixão pelos óculos, especificamente, foi herdada do meu pai, que tem os olhos muito claros e usa sempre óculos de sol.

 

Qual é a história da Darkside?

Trabalhei durante bastante tempo como web designer para um site de óculos, o elRockstar, onde aprendi bastante. Em 2015 comecei a desenhar a primeira coleção que foi lançada em dezembro, com cinco modelos: Draco, Rhea, Corvus, Orion e Ophelia. A inspiração vem da mitologia grega e das constelações, com exceção dos Ophelia, que são uma referência a Hamlet, que estava a ler na altura.

Quando desenhei a coleção queria criar modelos intemporais, que durassem anos e passassem gerações. Óculos de sol fortes, que carregassem a personalidade de quem os usa e que fossem uma espécie de máscara para enfrentar o dia (quando desenho alimento sempre esta ideia de um dark club).

Nesta altura, houve uma enorme aceitação e consegui ter a coleção à venda na mesma semana em duas lojas: a SCAR-ID e a The Feeting Room. Em 2016, lancei os Proteus na ModaLisboa.


Como é trabalhar uma marca assim em Portugal, com um caminho bem traçado e forte?

Toda a produção é feita em Portugal e acompanho o processo de perto, mas conseguir concretizar um objeto com qualidade demora o seu tempo: cada par demora várias semanas a ser feito e passa por várias mãos. Os óculos são esculpidos de uma placa lisa de acetato mazzucheli (o melhor do mundo) ? só assim podem ser tão leves e confortáveis. Toda a produção envolve muito cuidado com os pormenores.

Neste momento, a marca está à venda em várias lojas em Portugal e online. Vendemos para os quatro cantos do mundo.

 

O processo criativo está todo nas suas mãos?

Sim, neste momento dedico-me inteiramente à marca, mas só dificilmente seria um caminho solitário. Estou sempre rodeada de amigos que vão enviando ideias e quando estou a desenhar tenho sempre alguém em mente.

O Mário ajuda-me com o design gráfico e a última campanha foi o resultado de um trabalho conjunto com o Luís Martins (fotógrafo), a Tânia Dioespirro (stylist) e a Bé Miranda (make-up artist).

 

Onde procura inspiração? Quais são as suas principais referências estéticas?

Pesquiso muito. Tenho muitos livros sobre óculos, vejo muitas revistas e acumulo imagens num álbum do Pinterest que não tem fim. A inspiração pode vir de qualquer lado, mas acima de tudo acho que a encontro no espírito português. Parece cheesy, mas temos uma força interior e uma criatividade que gosto de expressar nos óculos.

Já nas cores, além dos clássicos preto e tartaruga, uso azul, verde, laranja, procuro tonalidades muito naturais da nossa paisagem.

 

Quem procura a Darkside? Quem gostava de ver usar os seus óculos?

A Darkside afasta-se das marcas de fast fashion, por isso penso que quem nos procura é alguém que quer um objeto com qualidade acima de tudo. A nossa marca é dirigida a um nicho de consumidores que valoriza uma nova consciência: comprar menos e melhor. As pessoas começam a cansar-se de ter um armário cheio de peças que não usam e procuram marcas com as quais se identificam, não descurando o bom design. Normalmente, é um cliente exigente, que procura óculos com um design clássico e intemporal.

Gosto muito da Linda Rodin, da Iris Apfel, da Alexa Chung e da Grace Coddington. São as minhas maiores inspirações, mas, mais do que ver alguma celebridade a usar os óculos de sol, gosto de imaginar que daqui a uns anos sejam objetos a passar de pais para filhos, de geração em geração. Isso, sim, seria especial.

 

Qual tem sido o papel das redes sociais na divulgação da marca?

As redes sociais são essenciais, especialmente quando falamos de marcas mais pequenas. Através do Instagram, posso facilmente contar a história da marca através de imagens. Além de promover os óculos de sol, uso as redes sociais para mostrar espaços e lugares de que gosto e que me inspiram, restaurantes, praias... Temos encomendas de todo o mundo de pessoas que descobrem a marca a partir do Instagram. É uma ótima ferramenta de trabalho.


Onde (ou como) imagina a marca daqui a um ano? Em que projetos está a trabalhar agora?

Gostaria de ver a Darkside como uma referência nacional e internacional, que continuasse a seguir a evolução que sentimos desde o seu lançamento. Agora acabei de lançar um novo modelo, os Proteus Green (são lindos)! E neste momento estou a trabalhar na coleção 2018, para ser lançada em outubro. Tenho muito trabalho em mãos.

 

Que sonhos tem para a Darkside?

Gostava de conseguir alterar os hábitos de consumo. Queria ajudar a divulgar a ideia de que é melhor comprar com consciência. Não só isso como também comprar produtos portugueses, que é a melhor forma de alimentar a nossa indústria.

Quero continuar a internacionalizar a marca, ter mais lojas lá fora e conseguir fazer com que os óculos de sol cheguem a editoriais de moda ? quem sabe se não vão estar na capa de uma grande publicação…

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