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C.R.T.D: a nova marca portuguesa sem género e sem limites para a imaginação

Miguel Marques da Costa tem 24 anos e acaba de lançar a C.R.T.D (lê-se Curated), uma marca aberta à criatividade, que quer abraçar novas ideias e colaborações, como uma galeria de moda que se transforma a cada estímulo. Em entrevista à Máxima conta como é dar o primeiro passo de um projeto do futuro.
Por Carlota Morais Pires, 26.10.2017

"Sempre gostei de moda e de coisas bonitas, mas não queria fazê-las, queria escolhê-las", ri Miguel Marques da Costa. Encosta-se na cadeira enquanto fuma um cigarro, volta a focar-se na conversa e atira ideias como flechas, à velocidade da luz. Tem 24 anos, mas fala como se estivesse à frente do tempo – tem a confiança de quem sabe exatamente o que quer e o que tem de fazer para lá chegar. Mais importante ainda, tem (sede de) mundo. "Queria criar o meu próprio projeto, mas gosto muito da ideia de colaboração, de trabalhar com outras pessoas, de experimentar e discutir", começa por contar. Sabe que vamos mais longe quando há essa troca, que é importante agarrarmo-nos à nossa visão, mas é ainda melhor expandi-la com outras, trocar pontos de vista.   

Começou a desenvolver os primeiros esboços do que seria a sua marca no início deste ano e no verão já a estava a lançar online a Curated, um conceito que não encaixa em nada do que já vimos antes. "Queria criar uma coisa nova, um projeto aberto e permeável, que pudesse evoluir e ser completamente diferente sempre que fizer sentido", acrescenta. "A minha marca tem tudo a ver com essa liberdade: posso conhecer um novo artista e trabalhar com ele ou viajar para um sítio e criar uma coleção inspirada numa tradição ou lugar", explica. "Não gosto da ideia de sufocar a minha marca com muitas regras e imposições. Agora fiz camisas, mas posso fazer casacos ou acessórios ou o que surgir mais tarde."

O nome Curated vem de curadoria, da ideia de escolher determinados objetos a partir de uma ideia, como uma galeria de arte que estreia diferentes coleções centradas num tema ou na obra de um artista. A marca quer fazer o mesmo, ser uma montra de moda dinâmica, em constante evolução, a lançar diferentes coleções de acordo com uma lógica única – cada uma delas surge colada a um conceito ou uma colaboração com um pintor, um fotógrafo, um músico. "É uma galeria online, todas as peças podem ser compradas em todo o mundo. Queria criar uma marca com a qual me identificasse e é a ideia de liberdade que me atrai", diz Miguel.


A primeira coleção faz-se de camisas em algodão com padrões caleidoscópicos e acessórios inspirados no Quénia. "Fui de férias para o Quénia e apaixonei-me pelos tecidos de uma fábrica. Pedi que me fizessem quatro camisas e quando voltei para Lisboa perguntavam-me onde as tinha comprado e se eram de seda", conta Miguel. "Quis voltar ao Quénia sozinho e escolhi todos os padrões para esta primeira coleção." O tecido é leve e podem ser usadas por homens e mulheres, coordenam-se com jeans ou com um casaco de cabedal e já as conseguimos descobrir no Instagram e na rua, nas manchas de cor que pintaram a primeira fila dos desfiles na ModaLisboa, ou na noite, vestidas pelos rapazes e pelas raparigas que as usam para sair. "Queria que a primeira coleção tivesse essa versatilidade", explica.   

 As peças são vendidas online e quando termina uma coleção começa uma nova, sem data estipulada (claro), o que acaba por dar uma exclusividade e imprevisibilidade interessantes à marca. Não segue o calendário de estações, a obrigatoriedade de lançar no verão ou no inverno. As peças não têm género e a criatividade não tem limites – tudo é possível porque não existem regras, só exigência. "Para a primeira coleção quis escolher os materiais com atenção e ter a certeza de que o corte também era impecável", garante. "Quero criar objetos de luxo e democratizá-los. A minha ideia não é produzir em massa, para que andemos todos de igual, até porque quero limitar o número de peças; mas quero manter preços baixos e criar peças interessantes, uma alternativa acessível às lojas de fast fashion."

Não quer avançar muito sobre os próximos projetos, que envolvem uma colaboração com um decorador londrino e uma coleção de sedas inspirada na Índia. "Estou à procura de pessoas com boas ideias para trabalharem comigo. Há tantas coisas que gostava de fazer." Para já, mais do que nos dar as peças que queremos usar, está a mudar a indústria com uma nova forma de olhar a moda, mais livre e inspiradora.  

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